Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Negócios

“Medidas de Haddad focam demais na arrecadação”, avalia economista

Para especialistas, ações deveriam mirar no corte de despesas. Outras iniciativas também dependem da solução de impasses jurídicos

12/01/2023 19:11, atualizado 12/01/2023 19:57
Compartilhar notícia
Breno Esaki/Especial Metrópoles
Futuro Ministro da Fazenda do governo Lula, Fernando Haddad, fala com jornalistas em coletiva de imprensa no CCBB - metrópoles

Para o economista Fabrício Silvestre, da TC Matrix, as medidas anunciadas na tarde desta quinta-feira (12/1) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao lado das ministras do Planejamento, Simone Tebet, e da Gestão, Esther Dweck, focam muito na arrecadação e pouco no corte de despesas. “Dessa forma, ficam sujeitas ao desempenho da economia, algo que não está só nas mãos do governo” diz.

Para o economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez, outro problema das ações é a dependência da solução de imbróglios jurídicos complexos. A primeira delas diz respeito à “retirada de PIS/Cofins sobre receita financeira e o aproveitamento de crédito do ICMS”, nota. “Mas ambas são passíveis de judicialização e, somadas, dariam R$ 34,4 bilhões.”

Receba no seu email as notícias de Boletim Metrópoles

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Para Sanchez, foram definidas poucas fontes que garantem recursos concretos para o governo. “Do que foi listado, pelo grau de certeza, há uma elevação na receita de R$ 36,4 bilhões”, nota Sanchez. “E na esteira da aprovação da PEC de Transição, Haddad sinaliza para outros R$ 23 bilhões com ativos do PIS/PASEP de beneficiários que não solicitaram esses recursos.”

Sanchez acrescenta que Haddad trabalha com a meta de déficit entre 0,5% e 1,0% do PIB, o que representaria, de acordo com o ministro, algo entre R$ 90 bilhões e 100 bilhões. “Por enquanto nossa perspectiva é de que o déficit primário do governo geral de R$ 133 bilhões, o que equivale a 1,24% do PIB.”