Mercado considera alta da indústria frágil e vê desaceleração à frente

Segundo o IBGE, a produção da indústria brasileira variou 0,1% na passagem de fevereiro a março de 2026. No acumulado do ano, alta é de 3,1%

atualizado

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1 de 1 Imagem de produção de aço - Metrópoles - Foto: Vithun Khamsong/Getty Images

Apesar do resultado positivo da produção industrial brasileira no primeiro trimestre deste ano, com crescimento acumulado em 3,1% até março, o desempenho do setor continua tímido e a perspectiva é a de desaceleração nos próximos meses, de acordo com economistas e analistas do mercado consultados pelo Metrópoles.

Segundo resultados divulgados nesta quinta-feira (7/5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial no país variou 0,1% na passagem de fevereiro a março de 2026. Em fevereiro, o índice havia apresentado avanço de 0,9%.

Em comparação com março de 2025, a indústria avançou 4,3% e, em 2026, acumula alta de 3,1%. Na soma dos últimos 12 meses – de abril de 2025 a março de 2026 –, o avanço é de 0,4%.

Com esses resultados, a produção industrial se encontra 3,3% acima do patamar pré-pandemia, em fevereiro de 2020, mas ainda está 13,9% abaixo do nível recorde alcançado em maio de 2011.

O que diz o mercado

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, o resultado de março veio “abaixo do esperado”. “O setor mantém trajetória de desaceleração, com o acumulado em 12 meses avançando 0,4%. Apenas oito dos 25 ramos industriais pesquisados apresentaram avanço no mês, com destaque para a alta de 2,2% na produção de produtos derivados do petróleo, consequência do conflito no Irã. De toda forma, apesar do bom desempenho da indústria no 1° trimestre, a tendência de desaceleração persiste”, ressalta.

“Para os próximos meses, devemos ver uma maior contribuição da indústria extrativa, refletindo o aumento na produção e exportação de petróleo, além de outras commodities que também apresentam bom desempenho como minério de ferro e cobre. Com isso, esperamos uma retomada no ritmo de crescimento, com o setor encerrando 2026 com alta de 1%”, projeta Valério.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, avalia que, apesar do avanço da produção industrial no primeiro trimestre, “a tendência é a de que o setor como um todo tenha resultados mais modestos ao longo dos próximos meses, em função da provável piora da indústria de transformação”. “A indústria extrativa, que foi beneficiada em 2025 pela forte produção de petróleo, também deve registrar alguma acomodação. Projetamos que a indústria brasileira termine 2026 com uma queda de cerca de 1%”, afirma.

“Mesmo com a perda de fôlego da indústria, não esperamos uma desaceleração intensa do PIB. Nossa projeção é que a economia cresça 1,7% em 2026 e 2027, sustentada, em parte, pelo aquecimento do mercado de trabalho, pela elevação da renda do trabalhador e pelas medidas de estímulo adotadas pelo governo (como os incentivos à concessão de crédito), que devem ajudar a manter a economia em expansão”, explica Moreno.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, observa que os resultados do setor industrial em março mostram que, embora positivo do ponto de vista geral, “o crescimento se deu em função do bom resultado apresentado por uma parcela pequena dos subgrupos que compõem a pesquisa”, como impressão e reprodução de gravações (+5,8%).

“Prospectivamente, a expectativa é que a composição do resultado de março seja replicada nos meses seguintes, com a indústria extrativa e a produção de petróleo e derivados puxando o resultado como um todo e apresentando magnitude mais elevada do que a observada no dado de hoje”, afirma Pizzani.

“A alta proveniente desta parcela específica da indústria deve ser contida pelo enfraquecimento adicional dos segmentos voltados para o mercado doméstico, que, além de seguirem com seu desempenho atravancado em função da transmissão da política monetária restritiva para o conjunto da economia, terão de lidar ainda com os impactos da guerra sobre o custo de produção ao longo da cadeia”, pondera o economista.

Segundo Pizzani, “além da menor pujança da demanda final por bens industriais e da necessidade de recomposição de margens por parte das empresas, é pouco provável que as firmas optem por aumentar a produção e seus respectivos estoques tendo em vista a pressão de custos que enfrentarão dado o aumento da inflação de grande parte dos insumos utilizados pelo setor”.

“Em termos de impacto sobre o PIB, a expectativa é que, mesmo que em magnitude mais discreta, a indústria siga contribuindo positivamente para o crescimento da atividade econômica, com o ponto positivo de que, por ser puxado pela economia internacional, este tipo de crescimento tende a não pressionar o hiato do produto, não se mostrando neste primeiro momento como um risco para o Banco Central.”

Por meio de nota, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) também comentou o resultado da produção industrial brasileira.

A entidade diz que, apesar do “desempenho favorável registrado nos dois primeiros meses do ano, março apresentou resultado negativo, sinalizando que a indústria de transformação pode enfrentar um ambiente de fragilidade ao longo do ano”.

“A combinação de juros altos, crédito caro, elevado endividamento das famílias, incerteza global e pressão sobre os preços dos combustíveis e dos custos, além de menor demanda externa e interna, tende a manter a indústria de transformação em uma trajetória de baixo dinamismo”, alerta a Fiesp.

Por outro lado, diz a federação, “medidas do governo trazem um viés de alta para a atividade industrial. Programas como o Reforma Brasil, a ampliação do Minha Casa Minha Vida, Move Agricultura, Carro Sustentável, Move Brasil, Novo Desenrola e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil podem contrabalançar parte dos fatores negativos que afetam o setor”.

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