Indústria: Fiesp e CNI criticam MP que acaba com “taxa das blusinhas”

“A medida, se mantida, gera uma concorrência desleal que destrói empregos no Brasil e sabota a economia nacional”, afirmou a Fiesp, em nota

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/Fiesp
Imagem da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) - Metrópoles
1 de 1 Imagem da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) - Metrópoles - Foto: Divulgação/Fiesp

As duas principais entidades do setor industrial brasileiro criticaram a Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nessa terça-feira (12/5), que zera o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50 – conhecido como “taxa das blusinhas”. Na prática, a medida extingue a cobrança da alíquota de importação.

A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU), ainda na noite de terça, e passou a valer imediatamente após a publicação. Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, o governo publicará uma portaria regulamentando a redução da alíquota de importação para esse tipo de compra internacional.

Reação da indústria

Por meio de nota, tanto a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) quanto a Confederação Nacional da Indústria (CNI) criticaram a decisão do governo de acabar com a “taxa das blusinhas”.

Em uma nota curta, mas enfática, a Fiesp pediu “que a Presidência do Congresso devolva a Medida Provisória do governo que isenta de impostos o e-commerce internacional”. “A medida, se mantida, gera uma concorrência desleal que destrói empregos no Brasil e sabota a economia nacional”, alega a entidade.

Também por meio de nota, a CNI também criticou a MP assinada por Lula. “Mais do que uma simples mudança tributária, a decisão do governo federal representa uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”, afirma a confederação.

Segundo a CNI, “permitir a entrada de importações de até US$ 50 sem tributação é o mesmo que financiar a indústria de países como a China, principal exportador de produtos de baixo valor para o Brasil, especialmente no setor têxtil”. “O prejuízo é direto a quem fabrica e comercializa em território brasileiro”, diz o presidente da entidade, Ricardo Alban.

No fim de abril, a CNI divulgou um estudo que mostrou que a “taxa das blusinhas” evitou a entrada de R$ 4,5 bilhões em produtos importados e ajudou a preservar mais de 135 mil empregos no país.

A MP do governo

A decisão de acabar com a “taxa das blusinhas” representa uma mudança na política adotada pelo governo federal nos últimos meses, após a criação da cobrança sobre encomendas internacionais de pequeno valor, principalmente em plataformas asiáticas de comércio eletrônico.

O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que a medida busca aliviar a tributação sobre o consumo popular. “A maioria das compras internacionais feitas pela internet são de pequeno valor. O que o presidente está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, do consumo das pessoas mais pobres”, declarou.

A discussão sobre a retirada da “taxa das blusinhas” surgiu diante do desgaste da medida para a popularidade do presidente Lula, que buscará a reeleição em outubro deste ano.

Um levantamento recente da AtlasIntel mostrou que 62% dos brasileiros consideram a taxa um erro do governo, enquanto 30% avaliam a medida como um acerto. O resultado ampliou a pressão interna por uma reavaliação da política.

O tema, porém, gerou divergências no próprio governo. Enquanto o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) já se declararam favoráveis ao imposto, o próprio presidente chegou a classificar a medida como “desnecessária”.

No mês passado, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou que a aprovação da medida, em 2024, foi “um dos elementos mais fortes de desgaste” da gestão petista.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNegócios

Você quer ficar por dentro das notícias de negócios e receber notificações em tempo real?