Incerteza domina mercados no “Dia D” da guerra comercial de Trump
Presidente dos EUA prometeu anunciar nesta quarta-feira (2/4) novas tarifas sobre produtos importados, que afetarão “todos os países”
02/04/2025 02:00, atualizado 02/04/2025 11:52

Os mercados globais estão patinando na incerteza, diante da iminência do anúncio das tarifas recíprocas sobre produtos importados, impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A previsão é que as medidas sejam divulgadas às 17 h (horário de Brasília) desta quarta-feira (2/4), num evento com transmissão ao vivo no Jardim das Rosas da Casa Branca.
O republicano definiu a ocasião como o “Dia da Libertação” dos EUA. No domingo (30/3), afirmou que as sobretaxas afetarão “todos os países” e não só aqueles que mantêm desequilíbrios comerciais que considera relevantes com os EUA.
Até agora, contudo, o plano de Trump é um mistério. Desde que tomou posse, em 20 de janeiro, ele impôs tarifas sobre a importação do aço e alumínio, além de taxas adicionais sobre produtos da China. Na quinta-feira (3 /4), entrarão em vigor sobretaxas sobre automóveis importados.
Agora, o Laboratório Orçamentário da Universidade de Yale projeta mais um aumento de 5% para o Canadá, 16% para o México, 17% para a Índia, quase 19% para França e Alemanha, e 13% para a China. As tarifas são chamadas de recíprocas, porque elas equilibrariam valores da cobrados por esses países sobre produtos americanos.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesDéficit comercial
O fato é que os Estados Unidos importam mais do que exportam. Para Trump, tal desequilíbrio indica que outros países abusam do acesso ao mercado americano, sem permitir a mesma abertura.
Além disso, Trump tem destacado a tributação interna dos Estados europeus como um fator de desequilíbrio das relações comerciais. Considera elevado, por exemplo, o imposto sobre o valor agregado (IVA) em alguns países da região.
Retaliações armadas
Os outros países, contudo, prometem não assistir passivamente à imposição das taxas. China e Canadá já começaram a responder às medidas de Trump. A União Europeia ameaçou fazer o mesmo.
“Não queremos necessariamente retaliar”, disse, na terça-feira (1º/4), a alemã Ursula von der Leyen, a presidente da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco. “Mas, se necessário, temos um plano sólido para retaliar e vamos usá-lo.”
Alvo na tecnologia
Von der Leyen observou que a Europa é forte não só no comércio, mas em tecnologia, sugerindo a importância do mercado europeu para as grandes empresas desse setor nos EUA, que poderiam ser atingidas pelas retaliações.
Além disso, a UE havia dito anteriormente que prepara contramedidas de até 26 bilhões de euros (ou cerca de US$ 28 bilhões) para atingir produtos americanos, como resultado das tarifas já anunciadas sobre aço e alumínio.
Projeto de lei no Brasil
No Brasil, o Senado aprovou na terça-feira (1º/4) o projeto de lei que permite ao país responder com sanções comerciais a países que não mantenham uma relação de isonomia econômica. O texto ganhou força com o “tarifaço” de Trump e com eventuais restrições impostas pelo mercado europeu à proteína bovina brasileira e à soja produzida em áreas desmatadas.
Impacto na economia global
Embora os traços do plano de Trump ainda sejam desconhecidos, a Bloomberg Economics acredita que o conjunto de tarifas pode ter um impacto negativo de 4% no PIB dos EUA em um período de dois a três anos, além de um aumento de 2,5% nos preços.
A perspectiva de uma escalada na guerra comercial no “pós-Dia da Independência” fez com que o Goldman Sachs aumentasse, na segunda-feira (31/3), a probabilidade de recessão na economia dos Estados Unidos nos próximos doze meses. Ela estava sendo estimada em 20% e, agora, bateu nos 35%.
