Ibovespa apaga ganhos e passa a cair, à espera de negociação EUA-China

No dia anterior, mais um marcado pelo pânico dos mercados globais, o Ibovespa fechou em queda de 1,31%, aos 125,5 mil pontos

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1 de 1 Imagem de reflexo de painel da Bolsa de Valores do Brasil - Metrópoles - Foto: Cris Faga/NurPhoto via Getty Images

Após abrir em forte alta, o Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações negociadas na Bolsa de Valores do Brasil (B3), passou a operar em queda nesta terça-feira (8/4).

Em linhas gerais, a leitura de analistas é a de que parece haver maior otimismo dos investidores quanto às negociações acerca das tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos. Mesmo assim, há forte volatilidade em função das incertezas em relação às negociações entre EUA e China sobre o “tarifaço”.

No meio da tarde, a Casa Branca confirmou que aplicará uma tarifa extra de 50% a todos os produtos importados da China. Esse valor será somado aos 54% impostos anteriormente pelo presidente dos EUA, Donald Trump, chegando a 104%. A cobrança vale a partir desta quarta-feira (9/4).


O que aconteceu

  • Às 14h26, o Ibovespa caía 0,94%, aos 124,4 mil pontos.
  • Mais cedo, às 13h32, o índice recuava 0,3%, aos 125,2 mil pontos.
  • No dia anterior, mais um marcado pelo pânico dos mercados globais, o Ibovespa fechou em queda de 1,31%, aos 125,5 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa do Brasil acumula perdas de 3,59% no mês de abril. No acumulado de 2025 até aqui, os ganhos são de 4,41%.

Escalada da guerra comercial

Os investidores seguem acompanhando a escalada da guerra comercial, principalmente entre EUA e China, as duas maiores potências econômicas do planeta.

Na última segunda-feira (7/4), as preocupações sobre uma guerra comercial global subiram de patamar após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado impor tarifas adicionais de 50% sobre produtos importados da China, em resposta à taxação retaliatória de 34% anunciada pelos chineses.

Nesta terça, o governo chinês afirmou que lutará “até o fim” e tomará todas as medidas necessárias em resposta ao “tarifaço” norte-americano.

Na semana passada, Trump anunciou uma taxa de 34% contra produtos chineses. O país asiático foi um dos principais alvos da nova rodada de tarifas comerciais impostas pelos EUA.

A nova taxa se somará a uma tarifa já aplicada de 20% especificamente a produtos chineses. Ou seja, no total, os produtos chineses serão tarifados em 54%.

Aposta nas negociações

Apesar da preocupação generalizada do mercado, a nova aposta dos investidores é a de que haverá canais de negociação abertos nos próximos dias entre o governo norte-americano e os países asiáticos.

Na véspera, em mensagem publicada em rede social, a Truth Social, Trump afirmou que o Japão está enviando uma “equipe de ponta para negociar” as tarifas impostas pelos EUA. “Países de todo o mundo estão conversando conosco. Parâmetros rigorosos, mas justos, estão sendo estabelecidos”, escreveu Trump.

Em mensagem publicada mais cedo, Trump afirmou que está conversando com o governo da Coreia do Sul a respeito de um acordo sobre as tarifas comerciais.

“Temos os limites e a probabilidade de um grande negócio para ambos os países. Sua melhor equipe está em um avião indo para os EUA, e as coisas estão indo bem”, escreveu Trump.

O presidente norte-americano disse ainda que a China “quer fazer um acordo, muito, mas eles não sabem como começar”. “Estamos esperando a ligação deles. Vai acontecer!”, ironizou.

Depois de dias de forte estresse nos mercados, a expectativa de analistas é a de que esta terça-feira possa indicar alguma recuperação dos principais índices.

Na Ásia, por exemplo, as principais bolsas de valores fecharam em alta, com destaque para o índice Nikkei, de Tóquio, que subiu mais de 6%. Na Europa, os indicadores eram positivos no início do pregão. Nos EUA, também.

Na véspera, a bolsa japonesa havia despencado quase 8%, seu pior resultado em 1 ano e meio. Durante a sessão, foi acionado o chamado “circuit breaker”, interrompendo os negócios.

O primeiro-ministro do Japão, Shigeru Ishiba, afirmou que conversou com Trump, a quem teria dito que as políticas tarifárias são “extremamente decepcionantes”. Ishiba relatou que incentivou o norte-americano a repensar o “tarifaço”.

“Eu disse ao presidente que o Japão tem sido o maior investidor nos EUA por cinco anos consecutivos e que as políticas tarifárias podem prejudicar as capacidades de investimento de nossas empresas japonesas”, disse Ishiba a repórteres após o telefonema a Trump.

O premiê japonês também afirmou que concordava com Trump em continuar o “diálogo construtivo” sobre o assunto.

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