Governo italiano detalha imposto sobre lucro dos bancos e ações sobem

Ações dos bancos na Itália haviam desabado na véspera após o anúncio de um novo imposto sobre lucros extraordinários. Tributação será de 40%

atualizado

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Homem de máscara passa em frente à fachada de um prédio com o logotipo do banco Unicredit - Metrópoles
1 de 1 Homem de máscara passa em frente à fachada de um prédio com o logotipo do banco Unicredit - Metrópoles - Foto: Beata Zawrzel/NurPhoto via Getty Images

Após anunciar um imposto de 40% sobre o lucro extraordinário dos bancos, o governo da Itália deu mais detalhes sobre a cobrança e sinalizou que a tributação não poderá superar 0,1% dos ativos dos bancos. A notícia foi bem recebida nos mercados e fez as ações dos principais bancos italianos fecharem o pregão em alta nesta quarta-feira (9/8).

Os papéis dos bancos haviam desabado na bolsa italiana na véspera, após o anúncio do imposto pelo governo da coalizão de direita de Giorgia Meloni.

Analistas estimam que, com a limitação mais esclarecida, bancos que operam na Itália poderão manter sua projeção de pagamento de dividendos a acionistas, mesmo com o novo imposto.

Os papéis do UniCredit subiram 4,37% no pregão desta quarta-feira; do Intesa Sanpaolo, 2,33%; do Monte dei Paschi di Siena, 2,47%; do Banco BPM, 5,45% e do FinecoBank, 7,12%.

À agência Bloomberg, a analista Andrea Lisi, da Equita Sim Spa, disse acreditar que “a medida não prejudicaria as políticas de retorno de capital dos bancos” e que agora é “mais sustentável” cumprir as projeções de aumento dos dividendos.

Como será o imposto sobre lucro extraordinário dos bancos na Itália

O governo da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, anunciou nesta semana que o novo imposto vale para os resultados de 2023 ou 2022 (o que for maior). A alíquota é de 40% sobre os lucros extraordinários dos bancos – a chamada windfall tax, no termo técnico usado por economistas.

O vice-premiê e ministro dos Tranportes e Infraestrutura, Matteo Salvini, disse na segunda-feira (7/8) que as receitas geradas pelo novo imposto serão usadas em “cortes de impostos” em outras áreas e auxílio financeiro em hipotecas de cidadãos que compram o primeiro imóvel.

O governo não detalhou quanto espera arrecadar com a medida, mas fontes ouvidas pela agência Reuters no Tesouro italiano afirmam que a estimativa é de cerca de 3 bilhões de euros.

Com a alta dos juros na Europa, bancos têm apresentado resultados recorde nos últimos trimestres, em meio ao encarecimento de financiamentos contratados anteriormente e melhora nas margens.

Ao anunciar a medida, Salvini também criticou o Banco Central Europeu, autoridade monetária da União Europeia (da qual a Itália faz parte) e que define juros unificados para todos os países que usam o euro como moeda.

De junho de 2022 a julho deste ano, a taxa básica da zona do euro saiu de zero para 4,25%.

Além da Itália, a insatisfação da população com a inflação e juros altos têm feito políticos em toda a Europa buscarem formas de mitigar os efeitos da crise em seu eleitorado. Os governos de esquerda na Espanha e de direita na Hungria implementam medidas semelhantes.

Um dos desafios no cenário europeu é que parte dos financiamentos imobiliários foi contraída quando os juros estavam perto de zero; com a taxa básica subindo rapidamente em um ano e os salários que não acompanham totalmente a inflação, muitas dívidas se tornaram extremamente caras para os devedores.

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