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Fim da crise dos chips? Holanda devolve controle da Nexperia à China

Governo da Holanda afirmou que a decisão foi tomada para “proteger uma tecnologia crucial”. Indústria automotiva sofria com falta de chips

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1 de 1 Imagem da logomarca da Nexperia, empresa chinesa que era controlada pelo governo holandês - Metrópoles - Foto: Nicolas Economou/NurPhoto via Getty Images

Em uma notícia que deixou as montadoras da indústria automotiva aliviadas, o governo da Holanda anunciou nesta quarta-feira (19/11) a suspensão de seu controle sobre a fabricante de chips chinesa Nexperia. Com isso, a Holanda devolve o controle da companhia à China, encerrando um impasse que vinha afetando a produção global de veículos.

Segundo o ministro da Economia da Holanda, Vincent Karremans, o controle sobre a Nexperia foi retirado em um “gesto de boa vontade”. O governo holandês segue em negociações com as autoridades de Pequim.

“O Grupo Nexperia atualmente não mostra sinais de continuar o comportamento que motivou minha ordem nem qualquer intenção de fazê-lo”, disse o ministro em carta encaminhada ao Parlamento a Holanda. A Holanda tinha poderes para bloquear ou revisar decisões na Nexperia.

O governo holandês afirmou ainda que a decisão foi tomada com o intuito de “proteger uma tecnologia crucial”, em meio às preocupações em relação ao desempenho das ações da Wingtech Technology, proprietária chinesa da Nexperia, que poderiam prejudicar a companhia e, por tabela, todo o mercado.

Entenda a “crise dos chips”

Semicondutores são materiais com condutividade elétrica intermediária. Sua propriedade mais importante é a capacidade de mudar de isolante para condutor dependendo das condições, como temperatura, pressão ou radiação, o que os torna essenciais para a criação de chips e componentes eletrônicos. O material mais comum é o silício.

No caso do Brasil, o efeito da escassez de semicondutores começou a ser sentido mais fortemente nas últimas semanas porque o país importa praticamente todos os chips que utiliza – e muitos deles vêm de fornecedores que compram da empresa Nexperia, até então controlada pelo governo holandês.

Em resposta à Holanda, o governo chinês suspendeu a exportação de semicondutores produzidos na fábrica localizada na China. No dia 30 de outubro, China e Estados Unidos anunciaram um acordo comercial que abre caminho para uma possível resolução do problema.

A guerra global em torno dos semicondutores envolve uma verdadeira corrida por minerais críticos capitaneada por EUA, China, Japão e diversas nações da Europa. Quase toda a cadeia de fabricação demanda vários metais e minerais estratégicos.

A produção desses minerais está concentrada em poucos países, entre os quais a China – que responde atualmente por cerca de 70% da mineração de terras raras, mais de 90% do refino e quase 100% da produção de ímãs permanentes.

China avisou montadoras brasileiras sobre retomada

No início do mês, as montadoras brasileiras começaram a ser avisadas por representantes do governo da China de que o gigante asiático retomaria a remessa de chips necessários à produção de veículos no país, que enfrentava risco de desabastecimento.

A informação foi confirmada à reportagem do Metrópoles pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Igor Calvet, por meio de nota. A entidade vinha costurando com o governo brasileiro a negociação envolvendo os chips enviados pela China.

“Na sexta-feira (7/11), as fabricantes de veículos começaram a ser avisadas pelos fornecedores de que a autorização para importação de chips está sendo retomada aos poucos. Com isso, o risco de paralisação em nossas fábricas diminuiu”, afirmou o presidente da Anfavea.

Segundo Calvet, dois fatores contribuíram para essa mudança de cenário: “a liberação pela China da importação de chips por empresas que operam no Brasil e têm fábrica em solo chinês e a licença especial concedida pelos chineses às empresas brasileiras”.

“A situação melhorou, mas é importante dizer que ainda não foi normalizada. Se não houver interrupção novamente nas importações, nossa indústria tende a não ser afetada”, alertou Calvet.

A diminuição do risco de um “colapso” no setor automotivo brasileiro já havia sido informada no dia 1º de novembro pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), após uma reunião entre o embaixador da China no Brasil, Zhu Quingqiao, e o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB) – que também é o titular do MDIC.

“Trata-se de uma excelente notícia. A cadeia automotiva emprega 1,3 milhão de pessoas e tem impacto direto em outros setores, como siderúrgico, químico, plástico e borracha”, afirmou Alckmin, na ocasião.

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