Falta de chips reduz produção brasileira em 250 mil veículos

Hoje, um carro moderno tem pelo menos 3 mil semicondutores. E esse número pode dobrar – ou triplicar – até o fim da década

atualizado 17/12/2022 9:31

imagem microchip dedo de pessoa

A falta de semicondutores – ou seja, de chips – no mercado mundial deve reduzir em 250 mil unidades a produção brasileira de veículos em 2022. A estimativa é da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), entidade que reúne os produtores tanto de automóveis, leves e pesados, como de máquinas usadas nos setores agrícola e de construção.

A Anfavea projeta para este ano a fabricação de 2,14 milhões de veículos de todos os tipos. Esse total representa um crescimento de 1% em relação a 2021, quando saíram das linhas de montagem 2,12 milhões de unidades. Caso não existisse a barreira dos chips, contudo, a produção atingiria cerca de 2,4 milhões neste ano.

Ainda assim, o problema atual é menor do que o observado no ano anterior. Em 2021, a entidade estimou que 370 mil veículos deixaram de ser fabricados, principalmente por conta da ausência de desses componentes no mercado. “Esse é um grande desafio para a nossa indústria”, diz Márcio de Lima Leite, presidente da Anfavea. “Hoje, a situação está melhor, mas esse problema ainda representa um limitador para a produção.”

E essa realidade é global. Nos dias correntes, um carro moderno pode ter mais de 3 mil chips, dispostos em diversos sistemas. Eles estão presentes, por exemplo, nos freios, nos computadores de bordo e nos mecanismos de controle de tração. E isso não é nada perto dos modelos mais turbinados. Um superesportivo como o Porsche Taycan já tem mais de 8 mil desses dispositivos. E tal número pode dobrar – ou triplicar – até o fim da década.

Desde 2021, cerca de 13 milhões de veículos deixaram de ser produzidos em todo o mundo por falta de semicondutores. É o que aponta um estudo da consultoria Auto Forecast Solutions (AFS), com sede nos Estados Unidos, que monitora semanalmente mais de 400 fábricas espalhadas por diversos países.

Não é por acaso que, segundo informações da agência Reuters, equipes recém-criadas na General Motors, Volkswagen e Ford passaram a negociar diretamente com fabricantes de chips o fornecimento dessas peças. Montadoras como a Nissan estão formando estoques maiores desses produtos. Fornecedores, como Robert Bosch e Denso, investem na produção de semicondutores. A GM e a Stellantis (que reúne Fiat Chrysler mais o PSA Group) querem trabalhar com designers de chips para projetar esses componentes.

O buraco no fornecimento de semicondutores tem várias fontes. Ele começou na pandemia. A covid-19 desestruturou cadeias globais de produção, fazendo com que unidades fabris fechassem, ou mesmo, não conseguissem obter matérias primas para a produção de diversos materiais e componentes, como os chips.

Quando os fabricantes de veículos quiseram voltar às compras, encontraram outra dificuldade. Parte do estoque de semicondutores já havia sido destinada, por exemplo, à indústria de computadores que experimentou um forte aumento de demanda no mesmo período. Por fim, a guerra na Ucrânia só complicou esse cenário. Estados Unidos e China também travam uma luta ferrenha por conta da produção de semicondutores.

Com isso, a hipótese de solução para a falta de chips no mercado já foi empurrada para 2023, ou mesmo, para o início de 2024. Um levantamento da Anfavea aponta que existem 19 novas fábricas de semicondutores em construção no mundo. Algo que representa um alento. O problema é que, em alguns casos, elas vão demorar mais de um ano para entrar em operação.

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