Europa: bolsas têm mais um dia de queda geral com ofensiva de Trump
O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas da Europa listadas em bolsas, fechou em baixa de 0,7%. Frankfurt, Londres e Paris caem
atualizado
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Os principais índices das bolsas de valores da Europa tiveram mais um dia de fortes perdas, nesta terça-feira (20/1), diante da escalada nas tensões entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e países do bloco, em meio à declarada intenção do líder norte-americano de “comprar” a Groenlândia – região autônoma que pertence à Dinamarca.
O que aconteceu
- O índice Stoxx 600, que reúne ações de 600 empresas europeias listadas em bolsas, fechou em baixa de 0,7%, aos 602 pontos.
- Na Bolsa de Frankfurt, na Alemanha, o índice DAX terminou o dia em queda de 1,03%, aos 24,7 mil pontos.
- Em Paris, o CAC 40 registrou perdas de 0,61%, aos 8 mil pontos.
- Em Londres, o índice FTSE 100 encerrou o pregão em queda de 0,67%, aos 10,1 mil pontos.
- O Ibex 35, de Madri, também fechou no vermelho, com forte baixa de 1,34%, aos 17,4 mil pontos.
Trump sobe o tom contra a Europa
No último fim de semana, Trump anunciou o objetivo de impor tarifas progressivas crescentes contra oito países europeus a partir de fevereiro. A medida é uma nova forma de represália contra essas nações para que elas autorizem o líder norte-americano a comprar a Groenlândia, uma região autônoma que pertence ao Reino da Dinamarca.
Em sua rede social, a Truth Social, Trump afirmou que tarifas adicionais de 10% sobre importações passariam a vigorar em 1º de fevereiro sobre produtos provenientes da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Grã-Bretanha. Essas sobretaxas aumentariam para 25% em 1º de junho. Elas continuariam em vigor até que fosse alcançado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, anunciou, nesta terça, que a Europa está trabalhando em um pacote de medidas para apoiar a segurança do Ártico. “Total solidariedade com a Groenlândia e Dinamarca”, afirmou.
Von der Leyen não especificou as medidas do pacote, mas afirmou que o princípio fundamental é que “cabe aos povos soberanos decidir o seu próprio futuro.” A Groenlândia, por meio do premiê Jens-Frederik Nielsen, afirmou que a ilha não será governada pelos EUA, ressaltando que o território faz parte da Dinamarca.
Mais cedo, durante o Fórum Económico Mundial de Davos, Von der Leyen afirmou que “a segurança do Ártico só pode ser alcançada em conjunto; por isso, as tarifas adicionais propostas (por Donald Trump, que ameaçou taxar em até 25% países europeus) são um erro, especialmente entre aliados de longa data.”
“A União Europeia e os EUA concordaram em um acordo comercial no ano passado. Na política, como nos negócios, um acordo é um acordo, e quando amigos apertam as mãos, isso deve significar alguma coisa”, complementou Von der Leyen.
Vinhos da França podem ser taxados, diz Trump
Em um novo capítulo da escalada nos embates entre EUA e Europa, Donald Trump ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre vinhos e champanhes da França. A ameaça foi considerada “inadmissível” pelo governo do presidente Emmanuel Macron.
A medida seria uma retaliação ao próprio Macron, que recusou o convite de Trump para integrar o chamado “Conselho da Paz” – iniciativa que pretende rivalizar com as Nações Unidas na resolução de conflitos globais.
A França é a principal potência agrícola da Europa e, juntamente com a Itália, um dos maiores países produtores de vinho do mundo. Os EUA, por sua vez, são o principal mercado de exportação da França, que responde por metade das exportações de vinho da UE.
O projeto de Trump prevê um órgão com funcionamento paralelo à ONU, no qual os convites para países aliados teriam validade de três anos. Documentos revelados pela imprensa revelam que a obtenção de um assento permanente no conselho exigiria uma contribuição de US$ 1 bilhão.
O governo brasileiro foi convidado a participar da iniciativa, mas ainda não se manifestou. A França, na condição de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, não pretende aderir ao novo grupo.
Ao ser questionado por jornalistas sobre a recusa francesa, Trump ironizou a liderança de Macron. “Ele disse isso? Bem, ninguém quer ele, porque ele estará em breve sem mandato”, afirmou o presidente dos EUA antes de embarcar para o Fórum Econômico Mundial, em Davos.
