EUA: presidente da Shell diz que governo Trump prejudica investimentos

Decisão de Trump de interromper projetos relacionados à energia eólica offshore que já haviam sido autorizados é prejudicial, diz Shell

atualizado

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1 de 1 Imagem do logotipo do posto Shell, gigante britânica do petróleo - Metrópoles - Foto: Joan Cros/NurPhoto via Getty Images

A presidente da Shell nos Estados Unidos, Colette Hirstius, disse que a decisão do governo de Donald Trump de interromper projetos relacionados à energia eólica offshore que já haviam sido autorizados é “muito prejudicial” para os investimentos e a economia do país.

As declarações da executiva da Shell, empresa global de energia que tem forte atuação na exploração e produção de petróleo e gás natural, foram dadas em entrevista ao jornal britânico Financial Times publicada neste domingo (5/10).

A presidente da Shell defendeu ainda uma regulamentação “mais previsível” para o setor. Segundo ela, projetos de energia limpa com licenças adequadas deveriam ser autorizados a prosseguir nos EUA.

“A incerteza no ambiente regulatório é muito prejudicial. Por mais que o pêndulo balance para um lado, é provável que ele balance igualmente para o outro lado depois”, afirmou Colette, referindo-se a ordens do governo Trump de interrupção do trabalho em parques eólicos offshore.

“Eu certamente gostaria de ver aqueles projetos que foram autorizados no passado continuarem a ser desenvolvidos. Da mesma forma, se você pensar no negócio que administro offshore [Golfo da América], esse tipo de incerteza de licenciamento tem sido utilizado para minar as licenças que temos no passado, e isso é igualmente prejudicial”, completou.

Um parque eólico offshore é um conjunto de turbinas eólicas instaladas em alto-mar para gerar eletricidade a partir da força do vento. Ele aproveita a velocidade e a constância dos ventos marinhos, sem as barreiras físicas que existem em terra, para produzir uma energia renovável e limpa. Essa energia é transportada por cabos submarinos para a costa e conectada à rede elétrica.

Restrições no setor

Colette assumiu a presidência da Shell nos EUA em agosto deste ano e manteve seu cargo de vice-presidente executiva do Golfo da América – região que produz cerca de 15% do petróleo no país.

Em janeiro, Trump emitiu uma ordem executiva renomeando o Golfo do México para Golfo da América, o que levou grande parte das empresas petrolíferas a seguirem o exemplo. No comando da Shell, Colette se viu obrigada a seguir as restrições impostas ainda no governo do ex-presidente norte-americano Joe Biden sobre vendas de concessões offshore.

“Previsibilidade sobre vendas de concessões, previsibilidade sobre licenciamento. Esses são elementos realmente importantes que contribuem para a confiança que temos nesta bacia. Acho que o Golfo como um todo sofreu com restrições de concessão de Biden”, afirmou.

Shell não recuará, diz presidente

Com presença na região há quase 80 anos, desde 1947, a Shell é a maior produtora de petróleo no Golfo, com 11 instalações offshore. A companhia conta com mais de 11 mil funcionários e colaboradores nos EUA e tem investimentos de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 53,5 bilhões, pela cotação atual) por ano no país.

Segundo a presidente da Shell norte-americana, a empresa não recuará em seu plano de negócios, mesmo com as medidas adotadas pelo governo.

“Quando falamos sobre a cultura dentro da Shell e a cultura de desempenho, acho que um dos aspectos que está em cada fibra – e não apenas nos EUA, mas globalmente – é a ideia de diversidade, inclusão para desbloquear oportunidades de negócios. É difícil se afastar disso. Não gostaríamos de fazer isso”, concluiu.

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