Estudo mostra maior concentração do lucro das grandes empresas do país
Ganhos das 10 gigantes nacionais avançaram 37% em 2025 em relação ao ano anterior, mas mostram dependência de fatores externos e commodities
atualizado
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O lucro das maiores empresas do Brasil apresentou um crescimento de 37% em 2025, na comparação com 2024. Esse avanço, contudo, ocorreu em meio à maior concentração de ganhos, com destaque desproporcional para um setor: óleo e gás (no caso, a Petrobras).
É isso o que mostra um estudo realizado pela consultoria Elos Ayta. De acordo com a análise, o lucro consolidado das dez companhias mais rentáveis do país atingiu R$ 288,6 bilhões em 2025, ante R$ 210,3 bilhões em 2024. Daí o salto de 37%.
“O avanço no lucro agregado poderia, à primeira vista, sugerir um ciclo generalizado de melhora”, diz Einar Rivero, sócio da Elos Ayta. “No entanto, a análise mais detalhada indica um cenário mais complexo: a expansão está concentrada em poucos nomes e setores, com destaque desproporcional da Petrobras.”
Esse padrão, observa o analista, levanta uma discussão: “Mais do que o crescimento nominal, ganha importância a avaliação da qualidade e da sustentabilidade desses lucros, especialmente diante da dependência de fatores externos como commodities e ciclos globais.”
Destaque
A análise da consultoria foi feita depois da conclusão do prazo de divulgação de balanços das companhias listadas na Bolsa brasileira (B3) em 2025. Entre as 10 mais lucrativas, em primeiro lugar ficou a Petrobras (veja ranking abaixo).
A estatal reportou lucro de R$ 110,1 bilhões em 2025, um avanço de 200,8% na comparação anual. Com esses números, a petrolífera passou a responder por 38,2% de todo o lucro das dez maiores companhias do país, mais do que o dobro da participação de 17,4% observada no ano anterior.
Grandes bancos
Na sequência do ranking aparecem os grandes bancos. Itaú e Bradesco ocupam a segunda e terceira posições, com lucros de R$ 45,7 bilhões e R$ 24,6 bilhões respectivamente. “O setor financeiro mantém presença dominante na lista, com cinco instituições entre as dez mais lucrativas”, diz Einar Rivero, sócio da Elos Ayta. “Esse é um indicativo da resiliência do modelo bancário mesmo num ambiente de juros e crédito mais desafiador.”
Por outro lado, observa Rivero, nem todos acompanharam o ciclo positivo. Entre as dez maiores, duas empresas registraram queda relevante de lucratividade. O Banco do Brasil apresentou recuo de R$ 17,6 bilhões (-49,8%), enquanto a Vale teve redução de R$ 17,8 bilhões (-56,3%).
No caso da mineradora, o desempenho reflete, em grande medida, a dinâmica internacional de commodities metálicas, especialmente o minério de ferro, além de efeitos de base comparativa elevada. No caso do Banco do Brasil, pesaram os problemas observados no agronegócio, como a inadimplência, ao longo de 2025.
Para o analista, outro ponto que chama atenção é a presença da Suzano entre as maiores geradoras de lucro no ano passado. A companhia saiu de um prejuízo de R$ 7,1 bilhões em 2024 para um lucro de R$ 13,4 bilhões em 2025, uma reversão de R$ 20,5 bilhões, o maior ganho absoluto de resultado entre todas as empresas analisadas, excluindo a Petrobras. O movimento evidencia a volatilidade e o potencial de recuperação do setor de papel e celulose, altamente exposto ao ciclo global e ao câmbio.
Além disso, empresas como BTG Pactual, Santander Brasil e Itaúsa reforçam a consistência do setor financeiro ampliado, enquanto Ambev mantém estabilidade operacional, ainda que com crescimento mais moderado.
