Dólar sobe mesmo com inflação abaixo do esperado e queda do petróleo
Moeda americana avançou 0,20%, cotada a R$ 5,12. O IPCA-15 registrou elevação de 0,06% em julho, ante previsão de 0,20%. Bolsa subiu

O dólar registrou alta de 0,20% frente ao real, cotado a R$ 5,12, nesta terça-feira (28/7). Na véspera, ele já havia registrado um avanço de 0,60% em relação à moeda brasileira.
O Ibovespa, o principal índice da Bolsa brasileira (B3), fechou em alta de 0,70%, aos 176,5 mil pontos. No início do pregão, o indicador operou em forte elevação, atingindo os 178,5 mil pontos. Depois disso, perdeu parte da força. Na terça-feira, ele subiu 0,46%.

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Ver todasEntre os principais vetores dos mercados de câmbio e ações, o fator Oriente Médio vem perdendo peso desde o fim de semana. Isso ocorre à medida que aumentam as expectativas de que o confronto entre os Estados Unidos e o Irã possa ter uma solução diplomática.
O fato, no entanto, é que tal perspectiva segue tênue e os entraves ao escoamento da commodity permanecem no Estreito de Ormuz. Além disso, as autoridades iranianas negam de forma recorrente a existência de negociações com Washington.
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Ainda assim, o preço do petróleo recuou, embora a queda seja menos expressiva do que a registrada na véspera, quando chegou a baixar mais de 10%. O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, caiu 4,41%, a US$ 82,08. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 4,33%, a US$ 78,97.
Juros nos EUA
Agora, a atenção dos agentes econômicos está focada na reunião desta quarta-feira (29/7) do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). No encontro, será definida a nova taxa de juros dos Estados Unidos, atualmente fixada no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
Entre analistas, não há dúvidas a respeito da manutenção desses valores (64,2% de possibilidades). A questão pendente, contudo, é o que o Fed vai sinalizar para a próxima reunião do Fomc, que acontece em setembro. Nesse caso, a tendência (55,4% de chances) é de uma alta de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa para o intervalo entre 3,75% e 4,00%.
IPCA-15
No cenário interno, os investidores acompanharam a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), a prévia da inflação oficial do país. O IPCA-15 subiu 0,06% em julho, ante alta de 0,41% em junho. Os dados foram veiculados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No ano, o índice acumula elevação de 3,51% e, em 12 meses, de 4,52%.
Os números vieram abaixo das projeções do mercado. As estimativas eram de um avanço de 0,20% no mês e de 4,67% em 12 meses.
Juros no Brasil
Na avaliação de economistas do mercado, o resultado do IPCA-15, que ainda deve ser corroborado pela divulgação do indicador cheio do mês de julho, reforçou a previsão de mais um corte da taxa básica de juros do Brasil, a Selic. O novo valor será definido na próxima semana, na quarta-feira (5/8), em reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC).
Análise
Na avaliação de Rebecca Nossig, da Nomad, a abertura dos mercados no Brasil foi marcada por uma “forte injeção de otimismo”, em oposição à cautela que dominou o exterior. “O grande catalisador dessa guinada positiva foi a divulgação do IPCA-15 de julho”, diz a analista. “O indicador registrou uma alta de apenas 0,06%, vindo significativamente abaixo do piso das estimativas do mercado financeiro.”
Nossig observa que essa “surpresa positiva trouxe um alívio imediato aos investidores”, diminuindo, ainda que temporariamente, as preocupações com o cenário fiscal e as recentes tensões comerciais provocadas pelo tarifaço. Reflexo desse cenário mais benigno, o Ibovespa iniciou a sessão em alta. A percepção de que a inflação brasileira está mais controlada do que o previsto animou o mercado local, atraindo capital de volta para os ativos de risco.
Juros futuros
“Paralelamente, o mercado de juros reagiu de forma imediata à desaceleração dos preços domésticos”, afirma. “Os DIs abriram a sessão em movimento firme de queda por toda a curva. Vencimentos cruciais para a precificação de crédito de médio e longo prazo registraram alívio logo nos primeiros minutos de pregão: o DI para janeiro de 2027 recuou para 13,865%, e o contrato para janeiro de 2031 cedeu para 14,520%.”
Nossig acrescenta que, com um barril de petróleo mais barato, o fantasma de uma escalada na inflação global está sendo afastado. “E esse movimento ajudou a derrubar os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (os Treasuries), criando o ambiente externo perfeito para chancelar o otimismo na Bolsa brasileira e a forte queda das taxas dos DIs.”
Ibovespa
Para João Vitor Saccardo, da Convexa, o Ibovespa avançou depois de o IPCA-15 vir abaixo do esperado, reforçando a expectativa de um corte de 25 pontos-base na Selic na próxima reunião do Copom. “A perspectiva de juros menores favoreceu principalmente ações de bancos, de empresas do varejo e do setor elétrico”, diz. “A queda do petróleo Brent limitou o desempenho da Petrobras e impediu uma alta mais expressiva do índice.”
Dólar
Em relação ao dólar, observa Emerson Vieira Junior, responsável pela mesa de câmbio da Convexa, a variação frente ao real foi pequena numa “sessão marcada por baixa volatilidade”. “O mercado adotou uma postura de cautela antes da decisão do Federal Reserve”, afirma o analista.



