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Negócios

Dólar sobe a R$ 5,79, com declarações de Lula e tarifas de Trump

Moeda americana mudou o curso que vinham mantendo na semana pós-Carnaval, com estabilidade e queda. Bolsa fechou em alta

07/03/2025 17:16, atualizado 07/03/2025 18:27
Getty Images
Imagem de moedas de real colocadas sobre uma nota de dólar - Metrópoles

O dólar fechou em alta de 0,57% em relação ao real, cotado a R$ 5,79, nesta sexta-feira (7/3). Com o resultado, a moeda americana mudou o sentido que vinha mantendo ao longo da semana, com forte queda (-2,71%) na Quarta-Feira de Cinzas e estabilidade na véspera (+0,02%). Neste mês, ale acumula queda de 2,13% e recuo e 6,30% no ano.

A Bolsa brasileira (B3) fechou em alta. O Ibovespa, o principal índice da B3, registrou salto de 1,36%, mas que havia atingido quase 2% por volta das 16h30. As ações de maior peso do indicador avançavam, com a Petrobras subindo 1,70% e a Vale, 1,92%. Os papéis dos grandes bancos também subiram, com destaque para o Santander (+2,92%) e Bradesco (+1,79%).

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No meio tarde, o dólar subiu de forma mais intensa, com alta de cerca de 0,70%. Na avaliação de João Vitor Saccardo, responsável pela mesa de renda variável da Convexa Investimentos, tal avanço ocorreu depois de manifestações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula disse, por exemplo, que poderia tomar “medidas drásticas” se o preço dos alimentos continuasse subindo.

Saccardo observa que o presidente também afirmou que “ano que vem, vai crescer mais o PIB, o salário mínimo, a renda, a distribuição de terras”. “Declarações desse tipo, mesmo que não estejam associadas a medidas concretas, assustam o mercado, porque podem levar a ações que compliquem as contas públicas do país”, diz o analista.

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Tarifas de Trump

O dólar também oscilou fortemente em relação ao real nas últimas semanas, com as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas de importação de produtos contra países como México, Canadá e China. As medidas, contudo, vivem num vaivém, alternando promessas de implementação imediata e anúncios de adiamento. Nesta sexta-feira,  houve trégua nesse campo, mas continua influenciando os mercados globais.

Avanço da Bolsa

A alta da Bolsa, afirma Saccardo, está relacionada a dados divulgados nesta sexta-feira sobre a economia americana. Foram criados nos Estados Unidos 151 mil empregos em fevereiro, ante uma projeção de 160 mil feita pelos agentes econômicos. O desemprego também subiu, passando de 4% em janeiro para 4,1% em fevereiro.

Além disso, no cenário interno, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,2% no quarto trimestre do ano passado. “O mercado esperava o dobro desse valor”, diz Saccardo.

Taxas de juros

Para o analista, ambas as informações mostram que os juros altos, tanto nos EUA quanto no Brasil, podem estar surtindo efeito e desacelerando as duas economias. Com isso, a perspectiva é que os juros menores não subam tanto e, no caso americano, possam até cair. A redução das taxas tornam mais atrativos os investimentos em ativos de risco, como o mercado de ações das Bolsas de Valores.

Peso das commodities

Christian Iarussi, especialista em investimentos e sócio da The Hill Capital, destaca que a valorização de commodities registrada nesta sexta-feira, como no caso do petróleo, também favoreceu o aumento da cotação das ações de grandes empresas da B3.