Dólar aprofunda queda e Bolsa dispara após fala de Powell sobre juros
Atenções dos investidores estão voltadas à fala do presidente do Fed no Simpósio de Jackson Hole, nos EUA. Na véspera, dólar fechou estável
atualizado
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O dólar operava em forte queda nesta sexta-feira (22/8), último pregão da semana e dia em que as atenções dos investidores estão totalmente voltadas para os Estados Unidos.
O principal acontecimento do dia, sob o ponto de vista do mercado, foi o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, em um simpósio da autoridade monetária.
Os investidores, que esperavam “pistas” sobre o rumo da taxa básica de juros na maior economia do mundo, se animaram com as indicações de que o Fed pode começar a cortar os juros em setembro.
Dólar
- Às 15h, o dólar caía 1,04%, a R$ 5,421.
- Mais cedo, às 13h06, a moeda norte-americana recuava 1% e era negociada a R$ 5,423.
- Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,477. A mínima é de R$ 5,412.
- Na véspera, o dólar encerrou a sessão praticamente estável, em leve alta de 0,09%, cotado a R$ 5,495.
- Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 2,2% no mês e de 11,36% no ano frente ao real.
Ibovespa
- O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), intensificou a alta após a fala de Powell.
- Às 15h03, o Ibovespa disparava 2,65%, aos 138 mil pontos.
- No dia anterior, o indicador fechou o pregão em ligeira queda de 0,12%, aos 134,5 mil pontos.
- Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 1,08% em agosto e de 11,83% em 2025.
Simpósio do Fed no centro das atenções
No discurso mais esperado da semana para o mercado financeiro, o presidente do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), Jerome Powell, abriu caminho para um eventual corte na taxa básica de juros da economia norte-americana já na próxima reunião da autoridade monetária, em setembro.
Em sua fala no Simpósio de Jackson Hole, conferência anual nos EUA que conta com a participação de dirigentes do Fed, Powell não cravou que os juros cairão já no mês que vem, mas indicou que existe essa possibilidade. Por outro lado, o chefe do Fed chamou atenção, ainda, para riscos de uma inflação alta.
“Embora o mercado de trabalho pareça estar em equilíbrio, trata-se de um equilíbrio curioso, resultante de uma desaceleração acentuada tanto na oferta quanto na demanda por trabalhadores”, afirmou Powell.
Para o presidente do Fed, “essa situação incomum sugere que os riscos de queda no emprego estão aumentando”. “E, se esses riscos se materializarem, poderão fazê-lo rapidamente”, disse.
Powell prosseguiu: “Também é possível, no entanto, que a pressão de alta sobre os preços, devido às tarifas, possa estimular uma dinâmica inflacionária mais duradoura, e este é um risco a ser avaliado e administrado”.
“A estabilidade da taxa de desemprego e outras medidas do mercado de trabalho nos permitem prosseguir com cautela ao considerarmos mudanças em nossa política monetária. No entanto, com a política em território restritivo, a perspectiva básica e a mudança no equilíbrio de riscos podem justificar ajustes em nossa postura”, completou o chefe da autoridade monetária norte-americana.
O Simpósio de Política Econômica do Fed acontece na região de Jackson Hole, em Wyoming. Trata-se de uma conferência promovida pela unidade regional de Kansas City do Fed sempre no fim das férias de verão.
No fim de julho, o Fed anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano. A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros acontece nos dias 16 e 17 de setembro.
O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em julho, na base anual, mesmo resultado registrado em junho. Na comparação mensal, o índice foi de 0,2%, ante 0,3% em junho.
A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo abaixo de 3% desde julho de 2024. A elevação da taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para conter a inflação.
Até o fim de 2025, o BC dos EUA tem programadas mais três reuniões de política monetária – em setembro, outubro e dezembro. Nas últimas semanas, ganhou força entre os analistas do mercado a tese de que o Fed deve começar a baixar os juros possivelmente a partir da próxima reunião, no mês que vem.
Na quarta-feira (20/8), a ata da última reunião do Fed apontou que os riscos de inflação são maiores do que as preocupações com o mercado de trabalho norte-americano. No mesmo dia, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a atacar o chefe do Fed, Jerome Powell, cobrando a queda dos juros.
