Com dado de inflação, Trump volta a atacar Powell e ameaça processá-lo

Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em julho, permanecendo estável

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a criticar o chefe do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, nesta terça-feira (12/8), após a divulgação dos dados oficiais de inflação de julho no país, que permaneceram estáveis em relação ao mês anterior.

O Índice de Preços ao Consumidor nos EUA (CPI, na sigla em inglês), que mede a inflação no país, ficou em 2,7% em julho, na base anual, mesmo resultado registrado em junho. Na comparação mensal, o índice foi de 0,2%, ante 0,3% em junho.

Os resultados da inflação nos EUA vieram em linha com os prognósticos do mercado. A média das estimativas era de 2,8% (anual) e 0,2% (mensal).

A meta de inflação nos EUA é de 2% ao ano. Embora não esteja nesse patamar, o índice vem se mantendo abaixo de 3% desde julho de 2024. A elevação da taxa de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para conter a inflação.

Taxa de juros

Em sua última reunião, no fim de julho, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed anunciou a manutenção dos juros básicos no intervalo de 4,25% a 4,5% ao ano.

A próxima reunião do Fed para definir a taxa de juros acontece nos dias 16 e 17 de setembro.

Pela primeira vez em mais de 30 anos, desde 1993, o colegiado teve dois votos contrários à decisão majoritária. O Fomc é composto por 12 integrantes.

Michelle Bowman e Christopher Waller votaram pelo corte de 0,25 ponto percentual nos juros. Waller é um dos nomes especulados como possível sucessor de Jerome Powell, atual presidente do Fed e cujo mandato termina em maio de 2026.

Tanto Bowman quanto Waller foram indicados ao comitê pelo presidente dos EUA, Donald Trump, o maior crítico da política monetária conduzida por Powell à frente do Fed. Desde o início de seu mandato, Trump vem cobrando a redução dos juros no país.

Até o fim de 2025, o BC dos EUA tem programadas mais três reuniões de política monetária – em setembro, outubro e dezembro. Nos últimos dias, ganhou força entre os analistas do mercado a tese de que o Fed deve começar a baixar os juros possivelmente a partir da próxima reunião, no mês que vem.

A taxa básica de juros é o principal instrumento dos bancos centrais para controlar a inflação. Quando a autoridade monetária mantém os juros elevados, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

“O dano que ele [Powell] causou ao sempre agir tarde demais é incalculável. Felizmente, a economia está tão boa que passamos por cima de Powell e do comitê [do Fed] complacente”, escreveu Trump em mensagem publicada em sua própria rede social, a Truth Social.

“Estou, no entanto, considerando permitir que seja aberto um grande processo contra Powell por causa do trabalho horrível e extremamente incompetente que ele fez na gestão da construção dos prédios do Fed”, ameaçou o presidente dos EUA, referindo-se à reforma de um edifício da autoridade monetária.

Críticas permanentes

Na semana passada, após a divulgação de dados de emprego nos EUA, Trump já havia criticado Powell e classificado sua atuação à frente do Fed como um “desastre”.

Os EUA registraram a criação de 73 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em julho – bem abaixo das projeções do mercado, que indicavam a criação de 106 mil vagas. A taxa de desemprego foi de 4,2%.

Em junho, o “payroll” havia mostrado a abertura de 147 mil vagas no país e uma taxa de desemprego de 4,1%.

O “payroll” é um indicador econômico mensal dos EUA que indica a evolução do emprego no país fora do setor agrícola. O relatório, divulgado pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), é considerado determinante para as avaliações sobre o desempenho da economia norte-americana.

A força do mercado de trabalho nos EUA é um dos componentes considerados pelo Fed para definir a taxa de juros e esfriar a demanda na economia a fim de combater a inflação. Analistas temem que uma possível aceleração do mercado de trabalho nos EUA leve a um novo aperto da política monetária pelo Fed.

Nesse sentido, a criação de vagas acima das expectativas pode ser interpretada como uma notícia negativa. O “payroll” fraco, por sua vez, pode ser algo positivo sob o ponto de vista do mercado.

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