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Em sessão volátil, dólar e Bolsa fecham estáveis com Trump, Lula e IOF

Investidores dividiram as atenções entre a repercussão do tarifaço dos EUA e pesquisa que mostrou melhora na aprovação do governo Lula

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Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles
1 de 1 Notas de dólares empilhadas umas sobre as outras - Metrópoles - Foto: Getty Images

Em uma sessão marcada por forte volatilidade, o dólar fechou praticamente estável nesta quarta-feira (16/7), em um dia de agenda econômica mais fraca e no qual as atenções do mercado financeiro continuaram voltadas para os impactos do tarifaço comercial imposto pelo governo dos Estados Unidos sobre o Brasil.

No cenário doméstico, os investidores repercutiram a falta de acordo entre o governo federal e o Congresso Nacional em torno do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o que aumenta a incerteza fiscal, além do resultado da pesquisa divulgada nesta manhã pela Quaest sobre a avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).


Dólar

  • A moeda norte-americana terminou a sessão em leve alta de 0,06%, negociada a R$ 5,561.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,595. A mínima é de R$ 5,541.
  • No dia anterior, o dólar fechou em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,558.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 2,36% em julho e perdas de 10% em 2025 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), também mudou de direção algumas vezes durante o pregão e fechou perto da estabilidade.
  • O indicador encerrou o dia avançando 0,19%, aos 135,5 mil pontos.
  • Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 0,04%, aos 135,2 mil pontos, praticamente estável.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula baixa de 2,38% no mês e alta de 12,67% no ano.

Pesquisa mostra queda na desaprovação a Lula

A nova rodada da pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, mostrou que a desaprovação ao governo Lula recuou para 53%, enquanto a aprovação subiu para 43%.

O resultado mostrou melhora em relação à pesquisa anterior (a pior desde o início do mandato), que registrava 57% de desaprovação e 40% de aprovação. A recuperação, segundo o levantamento, ocorreu especialmente fora das bases tradicionais de apoio do presidente.

O levantamento é o primeiro após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar que as importações de produtos do Brasil serão taxadas em 50%. Para 53% dos brasileiros, Lula está certo ao reagir com medidas de reciprocidade.

Entre os entrevistados com renda mensal entre dois e cinco salários mínimos, a aprovação ao governo subiu de 39% para 43%. Já entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, a taxa passou de 33% para 37%.

O crescimento também foi verificado entre pessoas com ensino superior completo, cuja aprovação avançou de 33% para 45%, enquanto a desaprovação caiu de 64% para 53%. No Sudeste, região mais populosa do país, a aprovação passou de 32% para 40%. Entre quem não é beneficiário do Bolsa Família, 41% disseram aprovar o governo.

“A pesquisa revela ainda que a maioria dos entrevistados (53%) apoia a declaração de Lula de que o Brasil deve responder com medidas equivalentes às tarifas impostas pelos EUA”, diz o diretor da Quaest, o professor e cientista político Felipe Nunes.

Segundo Nunes, o tarifaço trumpista contra o Brasil conseguiu unir a esquerda, os lulistas e os moderados. Por outro lado, dividiu a direita e os bolsonaristas. “Ou seja, empurrou o “centro” para o colo do Lula”, afirma.

O levantamento avaliou a percepção da população sobre o recente embate entre Lula e Trump. A grande maioria dos entrevistados se posicionou contra a postura do norte-americano: 72% consideram que Trump está errado ao impor tarifas ao Brasil e 79% acreditam que o tarifaço vai prejudicar a vida dos brasileiros.

Brasil reage a Trump

O governo brasileiro comunicou, nesta quarta, que já enviou uma carta à Casa Branca cobrando respostas para avançar nas negociações com os norte-americanos após a imposição de tarifas de 50% sobre as exportações brasileiras.

A mensagem é dividida em cinco termos. Em um deles, o governo brasileiro manifesta “indignação” com o anúncio das tarifas. “A imposição das tarifas terá impacto muito negativo em setores importantes de ambas as economias, colocando em risco uma parceria econômica historicamente forte e profunda entre nossos países”, afirmou o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), reforçando a relação de 200 anos entre os dois países.

Estados Unidos abrem investigação comercial contra o Brasil

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou uma investigação comercial contra o Brasil, com base na Seção 301. A medida foi anunciada na terça-feira, menos de uma semana após o presidente norte-americano, Donald Trump, taxar os produtos brasileiros em 50%.

Em um comunicado, o USTR afirmou que a análise visa a investigar práticas comerciais desleais do Brasil em relação aos EUA, e citou como exemplo as recentes disputas judiciais entre Brasil e plataformas digitais norte-americanas.

A Seção 301 faz parte da Lei Comercial dos EUA, criada em 1974, e é usada para responder ao que o governo norte-americano classifica como “práticas injustificáveis, irracionais ou discriminatórias de governo estrangeiros”.

Além disso, o governo norte-americano citou a fiscalização anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, a isenção de impostos para o etanol vindo dos EUA e o desmatamento ilegal no Brasil como supostas práticas comerciais prejudiciais ao país.

A aplicação da Seção 301 contra o Brasil foi um pedido de Trump, ao anunciar a tarifa de 50% contra as exportações do Brasil. Além de citar as acusações contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) como uma das motivações para a taxa, o presidente norte-americano alegou, na época, um déficit comercial inexistente para os EUA na balança entre os dois países.

Impasse sobre o IOF permanece

Os investidores também repercutiram a audiência de conciliação entre Executivo e Legislativo proposta pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, no âmbito do impasse envolvendo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A reunião a portas fechadas terminou sem acordo.

O encontro não teve a presença do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), nem do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), também não compareceu. Representantes do Congresso e do governo, no entanto, foram enviados.

Participaram o advogado-geral da União, Jorge Messias, e advogados do PSOL e do PL. De acordo com a ata, a representante do Senado requereu a possibilidade de maior prazo para a continuidade das negociações, mantida a decisão liminar já proferida.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nessa terça que tem expectativas de que o impasse sobre o IOF seja resolvido ainda nesta semana. Ele disse que acredita que a solução será rápida e que o único detalhe impeditivo foram as operações de risco sacado.

Haddad avaliou que o ministro Alexandre de Moraes está bem informado sobre a situação e tirou todas as dúvidas que tinha. “Eu acredito que ele vai chegar a uma conclusão que vai convergir com as necessidades do país”, afirmou o ministro.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar acompanha “o enfraquecimento global da moeda americana e a valorização das divisas emergentes, embora tenha apresentado volatilidade significativa durante o dia devido às tensões tarifárias envolvendo EUA e Brasil”.

“O impasse sobre a sobretaxa americana às importações brasileiras vem aumentando a volatilidade do câmbio brasileiro desde o anúncio. Apesar de não haver uma deterioração estrutural do real, a demanda defensiva por dólar vem aumentando no mercado local”, afirma Shahini.

“O enfraquecimento do dólar frente a moedas de países desenvolvidos vem acompanhado de rumores sobre possíveis mudanças na presidência do Fed e no rumo da política monetária dos EUA. A cautela relacionada às incertezas comerciais e fiscais domésticas permanece como pano de fundo para os movimentos do mercado cambial.”

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