Dólar cai e Bolsa sobe com Bolsonaro, prévia da inflação e PIB dos EUA

Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,99%, cotado a R$ 5,584, o maior valor em quase cinco meses. Ibovespa caiu 0,21%

atualizado

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1 de 1 Imagens de notas de dólar - Metrópoles - Foto: Getty Images

O dólar passou a operar em queda, nesta terça-feira (23/12), em um dia movimentado no mercado financeiro, com os investidores dividindo suas atenções entre o noticiário político-econômico doméstico e o cenário internacional.

O mercado repercute os dados do IPCA-15, considerado a “prévia” da inflação oficial do país, e da primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos referente ao terceiro trimestre deste ano.


Dólar

  • Às 15h02, o dólar caía 0,75%, a R$ 5,542.
  • Mais cedo, às 13h34, a moeda norte-americana recuava 0,7% e era negociada a R$ 5,545.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,596. A mínima é de R$ 5,533.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,99%, cotado a R$ 5,584. Foi o maior valor em quase cinco meses, desde o dia 30 de julho.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula ganhos de 4,66% em dezembro e perdas de 9,65% em 2025 frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em alta firme no pregão.
  • Às 15h10, o indicador avançava 1,41%, de volta aos 160 mil pontos (160,3 mil).
  • No dia anterior, o Ibovespa fechou o pregão em baixa de 0,21%, aos 158,1 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 0,58% no mês e valorização de 31,47% no ano.

Cenário político

No primeiro pregão da semana, já na reta final de 2025, os investidores voltaram suas atenções para o cenário político-eleitoral, evidenciando a preocupação com a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026.

Nas últimas semanas, desde que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi lançado informalmente como potencial candidato à Presidência da República com o apoio do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o mercado reagiu de forma negativa por entender que o nome do parlamentar não é o mais competitivo em uma eventual disputa contra Lula no ano que vem.

Amplos setores do mercado financeiro apostavam na escolha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como o candidato da direita e da centro-direita contra o atual governo. Com Flávio no páreo, os investidores agora já precificam a saída de Tarcísio do jogo da sucessão presidencial e sua provável candidatura à reeleição para o governo paulista.

Ainda na seara política, o mercado aguardava com expectativa a primeira entrevista de Jair Bolsonaro (PL) desde que foi preso. O ex-presidente concederia entrevista exclusiva ao Metrópoles, nesta terça-feira, diretamente da carceragem da Superintendência da Polícia Federal (PF), onde está preso desde 22 de novembro.

Seria a primeira vez que o político falaria à imprensa desde que lhe foram impostas medidas cautelares, em julho, e após começar a cumprir a pena de 27 anos e 3 meses de prisão depois de ser condenado pela trama golpista. A entrevista havia sido autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Em bilhete escrito à mão, Bolsonaro comunicou à coluna do jornalista Paulo Cappelli, do Metrópoles, que cancelou o encontro. “Informo que não concederei entrevista nesta data, por questões de saúde”, escreveu o ex-presidente.

A última vez que Bolsonaro falou à imprensa foi em 15 de julho. Três dias depois, Moraes impôs medidas cautelares a Bolsonaro – como uso de tornozeleira eletrônica e proibição de postar conteúdo em redes sociais.

Prévia da inflação no Brasil

No âmbito econômico, o principal destaque do dia na agenda brasileira é a divulgação dos dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), a chamada “prévia” da inflação no país.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 ficou em 0,25% em dezembro, 0,05 ponto percentual acima do resultado de novembro (0,2%).

Com esse resultado, o IPCA-15 fecha o ano com alta de 4,41%. Em dezembro de 2024, a taxa foi de 0,34%.

No acumulado do trimestre, o indicador ficou em 0,63% para o período de outubro a dezembro, abaixo da taxa de 1,51% registrada em igual período do ano passado.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, sete tiveram alta em dezembro. A maior variação e o maior impacto positivo vieram de transportes (0,69% e 0,14 ponto percentual).

O grupo artigos de residência (-0,64% e -0,02 p.p.) registrou a quarta redução consecutiva na média de preços. As demais variações ficaram entre o recuo de 0,01% de saúde e cuidados pessoais e o aumento de 0,69% em vestuário.

Segundo André Valério, economista sênior do Banco Inter, “apesar da piora qualitativa, o resultado de dezembro aponta para a consolidação do processo de desinflação”. “Dadas as diferenças metodológicas, esperamos que o IPCA cheio venha ligeiramente melhor. A expectativa é de um primeiro trimestre de 2026 com inflação mais fraca, especialmente comparado ao 1° trimestre de 2025, o que permitirá uma desinflação mais acentuada no acumulado em 12 meses, abrindo espaço para o início dos cortes na Selic no 1° trimestre”, projeta.

“Ainda vemos como provável o início em janeiro, mas dada a cautela do Copom [Comitê de Política Monetária], não descartamos que o Banco Central opte por retardar o início para a reunião de março”, completa Valério.

O economista Pablo Spyer, conselheiro da Ancord, afirma que o IPCA-15 de dezembro “veio em linha com o esperado pelo mercado, mostrando uma inflação ainda pressionada nos serviços, especialmente por itens como passagens aéreas, mas com sinais importantes de alívio em alimentação no domicílio e bens industriais”.

“O número reforça a leitura de que o processo de desinflação segue em andamento, embora de forma irregular e heterogênea. A inflação acumulada em 12 meses permanece dentro da banda da meta, mas ainda acima do centro, o que exige cautela”, observa.

“Para o mercado financeiro, o dado não altera de forma relevante o cenário-base de política monetária. O BCdeve manter uma postura prudente, aguardando evidências mais consistentes de desaceleração dos serviços antes de qualquer ajuste mais claro na trajetória dos juros. Um corte em janeiro ficou fora do radar”, avalia Spyer.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, destaca que, apesar da forte presença de fatores sazonais, “a ausência de elementos que forneçam uma perspectiva mais positiva para o desempenho do IPCA, especialmente no caso dos preços de serviços, não altera o cenário prospectivo para inflação e a política monetária”.

“Nesse sentido, nossa projeção para o IPCA em 2025 segue em 4,4%, ainda dentro do limite superior estabelecido pelo Regime de Metas para Inflação (RMI), enquanto o início do ciclo de corte de juros tem como início o mês de março”, diz.

PIB dos EUA

No front internacional, o maior destaque desta terça-feira é a divulgação dos dados do PIB dos EUA no terceiro trimestre.

A economia norte-americana avançou 4,3% no terceiro trimestre deste ano, segundo os dados do Departamento de Comércio.

O resultado veio bem acima das estimativas de analistas do mercado, que projetavam expansão de 3,3% no terceiro trimestre.

No segundo trimestre deste ano, o PIB dos EUA avançou 3,8%, na base anual (dado revisado). No primeiro trimestre, recuou 0,5%.

Esta é a primeira divulgação dos dados do PIB dos EUA desde o shutdown, a paralisação da máquina governamental do país, que durou mais de 40 dias e foi a maior da história.

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