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Negócios

Dólar dispara a R$ 5,13, apesar de queda do petróleo e alívio no Irã

Moeda americana registrou alta expressiva de 0,87% frente ao real, puxada por fatores domésticos. Ibovespa manteve estabilidade

04/08/2026 17:15
Getty Images
Imagens de notas de dólar - Metrópoles

O dólar registrou alta de 0,87% frente ao real, cotado a R$ 5,13, nesta terça-feira (4/8). O Ibovespa fechou em leve queda de 0,07%, aos 177,8 mil pontos. Como foi pequena, a variação indicou estabilidade do principal índice da Bolsa (B3).

No Brasil, os mercados andaram na contramão da tendência global. E tal constatação vale tanto para o câmbio como para as ações. Na opinião de especialistas, pesaram contra o real incertezas políticas, associadas à questão fiscal (gastos dos governos), e a expectativa sobre a definição da taxa básica de juros, a Selic, que ocorre nesta quarta-feira (4/8).

Às 16h20, enquanto o dólar subia no Brasil, o índice DXY, que mede a força da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas fortes (como o euro, o iene e a libra esterlina), caía 0,07%, aos 99,89 pontos.

O dólar também recuou em relação a outras moedas de países emergentes. Esse foi o caso do peso colombiano, que chegou a se valorizar 1,04% sobre moeda americana, e do peso mexicano, que avançou 0,40% (ambas cotações das 16h20).

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Alívio geopolítico

Os investidores globais animaram-se durante a sessão com a perspectiva de um acordo entre Estados Unidos e Irã, embora a real possibilidade de trégua duradoura entre os dois países ainda seja um tanto tênue. Ainda assim, esse otimismo foi suficiente para manter o preço do petróleo em queda.

O barril do tipo Brent, a referência internacional da commodity, recuou 5,26%, a US$ 79,36. O tipo West Texas Intermediate (WTI), que baliza o comércio nos Estados Unidos, baixou 5,69%, a US$ 75,77.

Emprego nos EUA

Além disso, os investidores acompanharam a divulgação, nos Estados Unidos, da pesquisa sobre o emprego e rotatividade da mão de obra (conhecida pela sigla JOLTS, em inglês). Ela mostrou que a abertura de postos de trabalho caiu para 7,35 milhões em junho, número que ficou abaixo da expectativa do mercado, que previa 7,4 milhões.

O resultado de maio também foi revisado para baixo, de 7,594 milhões para 7,537 milhões de vagas. Esses dados sinalizam para uma desaceleração da economia americana, ainda que parcial, o que reduz a pressão sobre uma alta da taxa de juros nos Estados Unidos.

Euforia em NY

Com a expectativa de um acordo no Oriente Médio — complementada pela queda do petróleo —, uma menor pressão sobre juros e os resultados positivos das empresas de tecnologia, as bolsas americanas decolaram rumo a novos recordes. Às 16h40, altas expressivas eram generalizadas entre os índices de Nova York: de 2,01%, no S&P 500; 1,96%, no Dow Jones; e 2,86%, no Nasdaq, que concentra ações de companhias do setor tecnológico.

Juros no Brasil

No ambiente interno, os agentes econômicos aguardam a definição do valor da taxa básica de juros do Brasil, a Selic. Ela será fixada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), no início da noite desta quarta-feira (5/8).

As apostas, quase unânimes, apontam para um corte de 0,25 ponto percentual da taxa, que nesse caso passaria de 14,25% para 14,00% ao ano. Como há consenso em torno dessa redução, a expectativa está voltada para as eventuais pistas que o Copom dará sobre os próximos passos da política monetária, nas reuniões do órgão do BC que acontecem em setembro, novembro e dezembro.

À espera do corte

A perspectiva, no momento, é de novas quedas dos juros, como indicou na segunda-feira (3/8) o Boletim Focus, o levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado. A pesquisa mostrou que os técnicos esperam que a Selic termine o ano em 13,75%. Ou seja, ela seria reduzida em 0,50 ponto percentual até o fim de 2026.

No Focus, os técnicos também reduziram pela quinta vez seguida a estimativa da inflação para este ano. A previsão para o IPCA de 2026, o índice que mede a inflação oficial do país, ficou em 5,03%. Há uma semana, a projeção estava em 5,12%.

Indústria

Novos indícios de desaquecimento da atividade, que reforçam a tese de corte de juros por parte do Copom, surgiram na manhã desta terça-feira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho frente a maio. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM).

Essa foi a segunda baixa consecutiva do indicador. Em maio (na comparação com abril), ela foi menor: 0,2%. A queda de junho, o último dado disponível, foi a mais intensa desde dezembro, quando a PIM indicou recuo de 1,9%.

Na passagem de maio para junho, as quatro grandes categorias econômicas e a maior parte dos 25 ramos pesquisados apontaram taxas negativas. Entre as atividades, a influência negativa mais importante foi assinalada pelo grupo de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que recuou 5,9% em junho de 2026.