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Negócios

Na ressaca do tarifaço e após retaliação da China, dólar dispara

Na véspera, o "day after" do tarifaço de Trump, o dólar fechou em forte baixa de 1,23%, cotado a R$ 5,628. Ibovespa teve leve queda

Fábio Matos04/04/2025 09:25, atualizado 04/04/2025 11:38
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Getty Images
Imagem de notas de dólar - Metrópoles

Ainda na “ressaca” do anúncio da nova rodada de tarifas comerciais pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o dólar operava em forte alta na manhã desta sexta-feira (4/4), última sessão do mercado nesta semana.


O que aconteceu

  • Às 10h16, o dólar subia 2,21%, a R$ 5,754.
  • Mais cedo, às 9h21, a moeda norte-americana avançava 1,97% e era negociada a R$ 5,74.
  • Na véspera, o “day after” do tarifaço de Trump, o dólar fechou em forte baixa de 1,23%, cotado a R$ 5,628.
  • Foi o menor valor da moeda dos EUA em 6 meses, desde outubro do ano passado.
  • Com o resultado, o dólar acumula perdas de 1,35% no mês e 8,92% no ano.

O mundo pós-tarifaço

Nesta sexta-feira, os mercados brasileiro e internacional seguem repercutindo os impactos das duras tarifas comerciais impostas pelos EUA sobre produtos importados de diversos países do mundo, inclusive o Brasil.

O temor entre os investidores é o de que a nova rodada de barreiras comerciais anunciada pela Casa Branca deflagre uma guerra comercial global, com consequências econômicas imprevisíveis.

Por outro lado, no caso do Brasil, o país ficou na lista dos menos taxadas pelos EUA, o que, diante da expectativa inicial, é um fato considerado positivo pelos investidores.

Há também quem acredite que, diante de taxações maiores em outros países, o Brasil possa se beneficiar, com chance de ganhar novos mercados.

Analistas consultados pelo Metrópoles desde a última quinta-feira (3/4) falavam em uma situação “menos pior” do Brasil em relação a outros países que foram alvo de taxas muito mais duras por parte do governo norte-americano.

De acordo com o anúncio da Casa Branca, o Brasil está entre os países menos taxados por Trump, com uma taxa linear de 10%. Entre as tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, a de 10% imposta para o Brasil é a mais baixa, junto com as também impostas para países como Reino Unido, Cingapura, Chile, Austrália e Turquia.

A primeira medida anunciada por Trump no dia de tarifaço foi a taxação de 25% em cima de automóveis. Ao anunciar as tarifas, o presidente norte-americano mencionou produtos da União Europeia (UE), Austrália, China, Japão e outros parceiros comerciais.

Os principais índices das bolsas de valores pelo mundo sofreram perdas históricas no pregão de quinta-feira. Na Ásia e na Europa, a maioria dos mercados fechou no vermelho e, nos EUA, as bolsas amargaram o pior resultado desde 2020, no primeiro ano da pandemia de Covid-19.

Retaliação da China

Em escalada ao que pode vir a ser uma guerra comercial sem precedentes, a China anunciou nesta sexta-feira que vai impor uma tarifa de 34% sobre produtos norte-americanos importados, além das tarifas já existentes.

A medida é uma retaliação a Trump, que anunciou uma taxa de 34% contra produtos chineses, que entrarão em vigor no sábado (5/4).

A nova taxa se somará a uma tarifa já aplicada de 20% especificamente a produtos chineses. Ou seja, no total, os produtos chineses vão pagar 54%.

A reação de Pequim aumenta ainda mais as tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo. A tarifa chinesa entrará em vigor a partir de 10 de abril, de acordo com o Conselho de Estado, o gabinete da China.

“Payroll” nos EUA

O principal destaque da agenda econômica nesta sexta-feira é a divulgação dos dados do relatório mensal de empregos dos EUA, o chamado “payroll”.

Segundo o Departamento do Trabalho do governo norte-americano, o país abriu 228 mil vagas de emprego fora do setor agrícola em março, bem acima das projeções. A expectativa média dos analistas do mercado era que os EUA registrassem a criação de cerca de 135 mil empregos.

Além disso, há previsão de um discurso do presidente Federal Reserve (Fed, o Banco Central norte-americano), Jerome Powell, que pode dar indicações sobre os próximos passos da autoridade monetária em relação à trajetória da taxa básica de juros no país.

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