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Eleição 2026

Dólar bate R$ 5,53 e Bolsa cai com tensão eleitoral, Haddad e Fed

No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,73%, cotado a R$ 5,462. Ibovespa desabou 2,42%, aos 158,5 mil pontos

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O dólar operava em alta, nesta quarta-feira (17/12), em um dia de agenda mais fraca de indicadores econômicos, em que os investidores seguem repercutindo o noticiário político-econômico no Brasil.

No foco de atenção do mercado financeiro, está a movimentação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que já disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que pode deixar o governo federal no ano que vem.

Ainda no âmbito doméstico, os investidores continuam repercutindo os números da pesquisa da Quaest, divulgada na véspera, que mostrou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto mais competitiva que a do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) – o que voltou a derrubar a Bolsa de Valores.


Dólar

  • Às 14h16, o dólar subia 0,97%, a R$ 5,516.
  • Mais cedo, às 12h39, a moeda norte-americana avançava 1,12% e era negociada a R$ 5,524.
  • Na cotação máxima do dia até aqui, o dólar bateu R$ 5,531. A mínima é de R$ 5,485.
  • No dia anterior, o dólar terminou a sessão em alta de 0,73%, cotado a R$ 5,462.
  • Com o resultado, a moeda dos Estados Unidos acumula ganhos de 2,39% no ano e perdas de 11,61% no ano frente ao real.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), operava em baixa no pregão, embora tenha esboçado uma reação a partir do fim da manhã.
  • Às 14h19, o Ibovespa recuava 0,93%, aos 157 mil pontos.
  • Na véspera, o indicador fechou o pregão em forte queda de 2,42%, aos 158,5 mil pontos.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula queda de 0,31% em dezembro e valorização de 31,84% em 2025.

Haddad de saída?

O mercado já começou a repercutir as informações de bastidores que dão conta de uma iminente saída do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, do governo Lula.

O assunto é tratado sob reserva no Planalto. O Metrópoles apurou que o desejo de Haddad foi tratado diretamente com Lula, mas o ministro sabe que o presidente deve deixar a decisão para o último momento. Por isso, ainda não há data para a saída. Caso dispute algum cargo em 2026 ou coordene a campanha presidencial do PT, Haddad precisa sair do cargo até abril de 2026.

Embora o ministro da Fazenda diga publicamente que não quer disputar nem o governo de São Paulo nem uma vaga no Senado, o PT pressiona para que ele seja candidato no ano que vem, inclusive para fazer palco para o presidente na tentativa de reeleição.

O governo Lula já estuda com quem ficará o comando da Fazenda em eventual saída antecipada de Haddad. Um dos cotados é o atual secretário-executivo do ministério, Dario Durigan, número 2 de Haddad.

Como informou a coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, a decisão de Haddad de deixar o cargo até abril de 2026 abriu disputa dentro do governo Lula e do PT em torno da sucessão do atual chefe da equipe econômica.

O nome de Durigan enfrenta resistência dentro do PT e entre ministros do Palácio do Planalto. A crítica é a de que o atual número 2 da Fazenda não teria relação com o partido.

Com a resistência a Durigan, petistas e ministros do Planalto passaram a defender outros nomes para suceder Haddad. Um deles é o de Bruno Moretti, atual presidente do conselho de administração da Petrobras.

Servidor de carreira do Ministério do Planejamento, Moretti acumula o cargo na petrolífera com o de secretário especial de Análise Governamental da Casa Civil, pasta chefiada pelo petista Rui Costa.

Aliados de Haddad, por sua vez, argumentam que Durigan seria o nome ideal para suceder o ministro porque já conhece toda a estrutura da pasta. Assim, seria visto como “continuidade”.

Durigan chegou ao Ministério da Fazenda em 2023, após o então secretário-executivo da pasta, Gabriel Galípolo, ter sido indicado por Lula para a diretoria do Banco Central.

O número 2 de Haddad também já atuou em outros governos do PT. Ele integrou a Subchefia para Assuntos Jurídicos (SAJ) da Presidência durante o governo Dilma Rousseff.

Pesquisa eleitoral movimenta a Bolsa

O mercado também repercute a pesquisa eleitoral divulgada pela Quaest, nessa terça-feira (16/12), que mostrou que, em um possível segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato ao Planalto, Lula venceria.

Segundo a pesquisa da Quaest, Lula aparece com 46% contra 36% de Flávio em um eventual segundo turno entre ambos.

O levantamento ainda revela que, se o segundo fosse com Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), ele teria 35%, contra 45% de Lula; o governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD-PR), aparece com 35%, contra 45% de Lula; o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União-GO), com 33%, contra 44% de Lula; e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), com 33%, contra 45% de Lula.

Os que não souberam ou não responderam correspondem entre 15% e 18% dos entrevistados na maioria dos cenários. Os indecisos ficam 3% e 4%. A pesquisa é a primeira em que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não aparece como candidato na disputa ao Planalto.

O filho do ex-chefe do Planalto confirmou a pré-candidatura em 9 de dezembro, após o aval de Bolsonaro, preso desde 22 de novembro na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília (DF).

A Quaest ainda testou um cenário em que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorre contra Lula e Flávio Bolsonaro.

Nesse caso, Tarcísio aparece 13 pontos atrás de Flávio e ficaria fora do 2º turno, que seria disputado por Lula e o senador. O petista lidera com 41% da intenção de votos, seguido por Flávio Bolsonaro, com 23% e, Tarcísio, que soma 10%.

A sondagem mostrou, portanto, Lula 18 pontos à frente de Flávio e 33 pontos a mais do que o governador de São Paulo.

Falas de dirigentes do Federal Reserve

Nos EUA, o mercado monitora pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), uma semana depois da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) em 2025.

Nesta quarta-feira, devem falar os presidentes do Fed de Nova York, John Williams, e do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, além de Christopher Waller, membro do Conselho de Governadores da autoridade monetária.

Nos EUA, o corte nos juros foi de 0,25 ponto percentual, acompanhando as projeções da maioria dos analistas do mercado. Agora, os juros estão no patamar entre 3,5% e 3,75% ao ano.

Foi a terceira redução consecutiva na taxa de juros pelo BC dos EUA. Na reunião anterior do Fed, em setembro, o corte também havia sido de 0,25 ponto percentual.

A votação não foi unânime. Stephen Miran, novo integrante do Fed, indicado por Donald Trump, votou por um corte maior, de 0,5 ponto percentual, enquanto Jeffrey R. Schmid e Austan D. Goolsbee votaram pela manutenção da taxa de juros.

O próximo encontro da autoridade monetária para definir a taxa de juros, o primeiro de 2026, está marcado para os dias 27 e 28 de janeiro.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar se fortaleceu frente ao real na última sessão “em um movimento de busca por proteção diante do aumento da aversão a risco doméstica, refletindo a elevação do prêmio de risco político”.

“A reação dos mercados ocorreu após a divulgação das pesquisas eleitorais, que reforçaram a liderança do candidato do governo e também evidenciaram a fragmentação da oposição em torno de um nome competitivo para o pleito de 2026. O quadro foi agravado por mais um dia de queda das commodities, especialmente do petróleo, e contrastou com um ambiente externo mais benigno, marcado pela fraqueza do dólar global”, explica Shahini.

Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, diz que a pesquisa da Quaest segue impactando o mercado. “Tivemos uma melhora na avaliação positiva do governo Lula, saindo de 31% para 34%, enquanto a avaliação negativa se manteve na casa dos 38%. Mas o ponto dessa divulgação foi a aparição de Flávio Bolsonaro nas expectativas para 2026. É uma pesquisa em que vemos Flávio já se destacando em relação a qualquer outro candidato da oposição”, afirma.

“A avaliação do mercado é que o nome da família Bolsonaro, em termos políticos, ainda se mantém com uma base interessante de votos. A pesquisa reforça que os extremos vão continuar pontuando”, completa Moreira.

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