Dólar anda de lado e fecha a R$ 5,29. Bolsa recua pela 2ª vez seguida

Mercado repercutiu fim do shutdown, reunião Brasil-EUA sobre tarifas e dados do varejo. Hapvida e Banco do Brasil caíram forte no pregão

atualizado

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1 de 1 Imagem de notas de dólar - Metrópoles - Foto: Douglas Sacha/Getty Images

O dólar encerrou a sessão desta quinta-feira (13/11) andando de lado, com leve alta de 0,1%, a R$ 5,298, praticamente estável em relação ao dia anterior.

Na penúltima sessão da semana, os investidores repercutiram o fim do shutdown nos Estados Unidos, mais uma rodada de negociações entre a Casa Branca e o Brasil em torno do tarifaço e os dados sobre o desempenho do varejo em setembro deste ano.

As atenções também se voltaram para o mercado de ações, com quedas expressivas da Hapvida – cujos papéis chegaram a entrar em leilão – e do Banco do Brasil, após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.


Dólar

  • A moeda norte-americana fechou em leve alta de 0,1%, cotada a R$ 5,298.
  • Na cotação máxima do dia, o dólar bateu R$ 5,303. A mínima foi de R$ 5,274.
  • Na véspera, o dólar terminou a sessão em alta de 0,37%, cotado a R$ 5,292.
  • Com o resultado, a moeda dos EUA acumula perdas de 1,53% em novembro e de 14,26% frente ao real em 2025.

Ibovespa

  • O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores do Brasil (B3), teve sua segunda queda consecutiva após uma série de altas.
  • O indicador fechou o pregão em baixa de 0,3%, aos 157,1 mil pontos.
  • No dia anterior, o índice teve leve queda de 0,07%, aos 157,6 mil pontos, interrompendo uma sequência de 15 altas consecutivas.
  • Com o resultado, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 5,1% no mês e de 30,76% no ano.

Hapvida derrete

As maiores perdas do pregão desta quinta-feira na B3 foram registradas pela operadora de planos de saúde e odontológicos Hapvida, cujas ações derreteram em meio a uma reação negativa do mercado ao balanço do terceiro trimestre divulgado na véspera pela companhia. Por volta das 16 horas, os papéis da companhia negociados na B3 tombavam 47,2% e eram cotados a R$ 17,26.

As ações chegaram a entrar em leilão nesta quinta-feira. O leilão de ações é um mecanismo utilizado pelas bolsas de valores para equilibrar a oferta e a demanda de ações em momentos específicos do pregão. Ele assegura que o preço de uma ação reflita de forma mais precisa o equilíbrio entre compradores e vendedores.

De acordo com o balanço financeiro divulgado pela Hapvida na noite dessa quarta-feira (12/11), o lucro líquido ajustado da empresa somou R$ 338 milhões no terceiro trimestre deste ano. O resultado representou um crescimento de 12,7% em relação ao mesmo período de 2024.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado ficou em R$ 746,4 milhões, com uma queda anual de 17,6%. A média das estimativas do mercado apontava para um lucro líquido de R$ 248 milhões entre julho e setembro e um Ebitda de R$ 842 milhões.

Segundo analistas do mercado, apesar do resultado positivo e do aumento do lucro no terceiro trimestre, o desempenho da Hapvida foi considerado decepcionante.

Para o Goldman Sachs, um dado negativo foi a queda de 1,4 ponto percentual no índice de sinistralidade médica (MLR) em relação ao trimestre anterior, o que foi atribuído a efeitos sazonais piores do que o esperado, além de custos fixos mais elevados após a abertura de unidades hospitalares e ambulatoriais e vendas mais fracas.

Um outro problema apontado pelo banco é o fluxo de caixa livre negativo de R$ 234 milhões, com crescimento da dívida líquida em relação ao segundo trimestre.

O BTG Pactual, por sua vez, classificou os resultados da operadora no terceiro trimestre como fracos, diante de uma combinação de fatores negativos como o fluxo de caixa livre ruim e o crescimento orgânico abaixo das expectativas iniciais.

Outro banco, o JPMorgan, também cortou o preço-alvo, de R$ 52 para R$ 39, e ainda rebaixou a recomendação para as ações da Hapvida de “compra” para “neutra”. Segundo o banco norte-americano, os resultados da companhia foram fracos e ficaram abaixo das projeções do mercado. “Em nossa opinião, o mercado deve reagir negativamente aos resultados, visto que algumas pressões reveladas nos números provavelmente persistirão pelo menos durante a maior parte de 2026”, afirma o JPMorgan.

“Por um lado, estão sendo realizados os investimentos estruturais necessários para lidar com as restrições de capacidade, reduzir o volume de reclamações e melhorar a percepção da qualidade do serviço, visando a uma trajetória de crescimento mais sustentável. Por outro lado, a empresa não está colhendo os benefícios disso, pelo menos por enquanto, já que as adições líquidas permanecem limitadas, com alta taxa de cancelamento persistente e preços restritos”, completa o banco dos EUA.

Banco do Brasil cai forte

Um dia depois da divulgação de seus resultados trimestrais, o Banco do Brasil também amargou um pregão negativo na Bolsa. Às 16h40, os papéis da instituição financeira recuavam 1,32%, cotados a R$ 22,50. No início da tarde, as ações do Banco do Brasil registravam perdas de 3%, a R$ 22,11. Mais cedo, às 10h15, a desvalorização chegou a 5,34%, com a ação negociada a R$ 22.

Na véspera, o Banco do Brasil reportou ao mercado um lucro líquido ajustado de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2025, o que representou uma queda de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos nove primeiros meses do ano, o banco lucrou R$ 14,943 bilhões, um recuo de 47,2% na comparação anual. Em todo o ano passado, o BB teve um lucro recorde de R$ 37,9 bilhões.

Diante da redução na lucratividade até setembro de 2025, os resultados anuais foram revisados. O resultado do balanço do segundo trimestre apontava uma previsão de lucro líquido no ano entre R$ 21 bilhões e 25 bilhões. Agora, no balanço do terceiro trimestre, a estimativa de lucro líquido foi reduzida para um resultado entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões.

O balanço aponta, entre os motivos para a redução no lucro, o aumento do custo do crédito. A inadimplência também aparece como um dos fatores que prejudicaram os resultados do banco.

Após a divulgação dos resultados do Banco do Brasil, o Citi cortou a recomendação para as ações da empresa – de “compra” para “neutro”. O preço-alvo foi reduzido de R$ 29 para R$ 23. Segundo o Citi, a revisão se deve, principalmente, às maiores despesas do BB com provisões – montantes reservados para cobrir obrigações futuras ou despesas prováveis.

“Acreditamos que a segunda revisão para baixo do guidance em 2025 indica baixa visibilidade para os próximos trimestres, enquanto o impacto das renegociações deve levar tempo para contribuir positivamente para os lucros, o que era parte central da nossa tese anterior”, afirmam os analistas do Citi.

Shutdown chega ao fim nos EUA

Outro destaque acompanhado pelos mercados foi o fim do shutdown, a paralisação de amplos setores do governo dos EUA, que já durava mais de 40 dias – foi a maior da história do país. O presidente dos EUA, Donald Trump, sancionou o projeto de lei que garante o financiamento do governo federal para o ano fiscal de 2026. “É uma honra sancionar esta lei incrível e fazer com que nosso país volte a funcionar”, afirmou Trump.

A proposta recebeu 222 votos favoráveis e 209 contrários em votação na Câmara dos Representantes. O acordo foi costurado entre parlamentares republicanos e um grupo centrista de democratas. Seis democratas apoiaram o texto, enquanto dois republicanos se posicionaram contra. Antes, o projeto já havia passado pelo Senado, na segunda-feira (10/11), com 60 votos a favor, o mínimo necessário para seguir para apreciação da Câmara, e 40 contrários.

O texto aprovado após semanas de negociações garante recursos para o funcionamento do governo até 30 de janeiro de 2026. Até lá, o Congresso precisará votar um novo orçamento para evitar que uma nova paralisação ocorra no início do próximo ano. A proposta também impede que Trump demita servidores até essa data e assegura a continuidade do programa de assistência alimentar “SNAP” – responsável por atender milhões de famílias em situação de vulnerabilidade – até setembro de 2026.

Brasil e EUA discutem tarifaço

Ainda no front internacional, os investidores monitoram a reunião desta quinta-feira entre o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, para tratar do tarifaço comercial imposto pelos EUA sobre grande parte dos produtos exportados pelo Brasil.

Na quarta-feira (12/11), Rubio e Vieira se encontraram rapidamente em Toronto, no Canadá, onde participaram de um encontro do G7. Na oportunidade, os dois combinaram a reunião em Washington.

No último dia 16 de outubro, Vieira e Rubio tiveram uma reunião na Casa Branca, em Washington, para discutir o tarifaço. De acordo com o chanceler brasileiro, a conversa ocorreu em um “clima excelente de descontração” e foi produtiva. Na reunião, o chanceler reiterou a posição brasileira, que pede a “reversão das medidas adotadas pelo governo norte-americano a partir de julho”.

Duas semanas depois, as conversas avançaram após um encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump na Malásia. Ao final da primeira reunião bilateral entre os líderes do Brasil e dos EUA, ficou acordado que o governo brasileiro enviaria uma comitiva a Washington o quanto antes, para tratar sobre o tarifaço. A expectativa é que a viagem fosse realizada ainda na primeira semana de novembro, o que não ocorreu.

Varejo brasileiro tem queda em setembro

No cenário doméstico, o mercado repercutiu os dados divulgados nesta manhã pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as vendas do comércio varejista.

Em setembro de 2025, o volume de vendas do varejo recuou 0,3% em relação a agosto. A média móvel trimestral apresentou estabilidade (leve queda de 0,1%). Já na comparação com setembro do ano passado, o varejo cresceu 0,8%, a sexta taxa positiva consecutiva. No acumulado do ano, o crescimento é de 1,5%. No acumulado de 12 meses, de 2,1%.

De acordo com o IBGE, no comércio varejista ampliado – que inclui veículos, motos, partes e peças, material de construção e atacado de produtos alimentícios, bebidas e fumo –, o volume de vendas subiu 0,2% em setembro, na comparação com agosto.

A média móvel teve crescimento de 1%. Em relação a setembro de 2024, houve alta de 1,1%. No ano, o varejo ampliado acumula perdas de 0,3%. No acumulado de 12 meses, alta de 0,7%.

Análise

Segundo Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, o dólar permanece praticamente estável em relação ao real, apesar da queda do DXY (indicador que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de moedas estrangeiras), “em um movimento de contramão do movimento global”.

Shahini observa que o dia também foi marcado por declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos EUA). “As mensagens mais recentes reforçaram que ainda são necessários mais dados antes de qualquer decisão, destacando que a inflação segue acima da meta e que a política monetária não está claramente restritiva — o que reduz o espaço para cortes adicionais sem risco de tornar a postura excessivamente acomodatícia”, afirma.

“Além disso, o leilão de ‘treasuries’ de 30 anos [títulos de dívida do governo dos EUA com vencimento em 30 anos] exibiu demanda mais fraca, indicando maior cautela no mercado de juros e contribuindo para a pressão sobre moedas emergentes como o real”, conclui.

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