Copom cita tarifaço e vê Selic a 15% por “período bastante prolongado”
Colegiado do órgão do Banco Central afirma em comunicado que acompanha com “particular atenção” tarifas impostas por Trump contra o Brasil
atualizado
Compartilhar notícia

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), confirmou a interrupção do ciclo de alta da taxa básica de juros do Brasil, a Selic, mas afirmou que ela deve permanecer em patamar elevado por um “período bastante prolongado”. O órgão do BC considera ainda que o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumenta o nível de incerteza do cenário econômico.
É isso o que afirma o comunicado divulgado pelo Copom nesta quarta-feira (30/7). O documento apresenta os principais motivos que levaram o colegiado a manter a Selic em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006. Para isso, ele faz uma análise da conjuntura econômica nacional e internacional.
A manutenção da Selic já era amplamente esperada pelo mercado. Ela havia sido indicada na última reunião do Copom, em 18 de junho, quando os integrantes do órgão, formado pela cúpula do BC, anunciaram pela primeira vez a interrupção do ciclo de alta dos juros, assim como sua permanência em 15% por longo prazo.
No comunicado desta quarta, o Copom disse que “antecipa uma continuação na interrupção no ciclo de alta de juros”. Depois disso, repete as ponderações feitas em junho, afirmando que vai “examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
Tarifaço
Em relação ao tarifaço, o Comitê observou que “tem acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela” do órgão. Na prática, para o Copom, as sobretaxas sobre produtos brasileiros importados pelos EUA trazem maior incerteza ao cenário econômico.
A respeito do cenário doméstico, diz o órgão do BC, o “conjunto dos indicadores de atividade econômica tem apresentado, conforme esperado, certa moderação no crescimento”. Ou seja, esse é um dado positivo para o controle da inflação. Em contrapartida, acrescenta o comunicado, o “mercado de trabalho ainda mostra dinamismo”. Com isso, “nas divulgações mais recentes”, a inflação continua acima da meta, que é de 3%.
Inflação
A projeção de inflação do Copom para o primeiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária, situa-se em 3,4% no cenário de referência. No comunicado divulgado depois da reunião de junho, ela estava um pouco acima, em 3,6%.
O termo “horizonte relevante” é uma referência ao período em que as decisões de política monetária, caso da taxa de juros, terão um impacto significativo na economia e na inflação. Atualmente, esse horizonte é o terceiro trimestre de 2026.
Riscos inflacionários
Para os membros do Copom, os riscos de alta para a inflação também foram mantidos, em relação aos especificados em junho. Eles incluem uma “desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado”, “uma maior resiliência na inflação de serviços” e “uma conjunção de políticas econômicas externa e interna, que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada”.
Quanto às possibilidades de baixa da inflação, chamados tecnicamente de “riscos de baixa”, o órgão do BC também manteve os mesmos da última reunião. São eles “uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada”, “uma desaceleração global mais pronunciada decorrente do choque de comércio e de um cenário de maior incerteza” e, por fim, “uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários”.
