Com tombo dos elétricos, Honda tem primeiro prejuízo em quase 70 anos
Segundo a Honda, o prejuízo líquido para o ano fiscal encerrado em março de 2026 ficou em US$ 2,7 bilhões, com fraca demanda por elétricos
atualizado
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A Honda, um dos gigantes globais do setor automotivo, reportou seu primeiro prejuízo desde que se tornou uma empresa de capital aberto no Japão, há quase 70 anos. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (14/5) pela própria companhia.
De acordo com a Honda, o prejuízo líquido para o ano fiscal encerrado em março de 2026 ficou em US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 13,2 bilhões, pela cotação atual).
A montadora japonesa informou que o resultado foi impactado por uma série de encargos de reestruturação e baixas contábeis que somaram cerca de US$ 9 bilhões, decorrentes da redução na demanda por veículos elétricos.
Este é o primeiro prejuízo da Honda desde a abertura de capital da Bolsa de Valores de Tóquio, em 1957.
“O ambiente de negócios e a demanda dos clientes mudaram além das nossas expectativas”, reconheceu o presidente-executivo da Honda, Toshihiro Mibe, em entrevista coletiva logo após a divulgação dos resultados. “Não fomos capazes de responder com a flexibilidade necessária”, completou o executivo.
Queda dos elétricos
No ano passado, as vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos recuaram fortemente, colocando fim a uma sequência de cinco anos consecutivos de crescimento. A desaceleração atingiu duramente as maiores montadoras norte-americanas e impactou o mercado como um todo.
No início de 2026, a Ford, por exemplo, informou que sua divisão de elétricos registrou um prejuízo de US$ 4,8 bilhões no ano passado.
A Honda também enfrenta dificuldades em mercados importantes, como a China e o Sudeste Asiático, em meio à entrada de veículos de baixo custo. Em 2025, as vendas da montadora japonesa na Ásia recuaram 20% em relação ao ano anterior.
Setor teve perdas de US$ 65 bilhões
A fraca demanda por veículos elétricos e a queda expressiva nas projeções de vendas desses modelos por algumas das principais montadoras do mundo fizeram com que o setor automotivo fechasse o ano passado amargando um prejuízo bilionário no segmento.
Em 2025, as perdas relacionadas ao mercado de elétricos em nível global chegaram a US$ 65 bilhões, em meio à revisão dos planos de investimento das companhias da indústria automobilística.
Em fevereiro deste ano, a Stellanis, montadora multinacional proprietária das marcas Fiat, Peugeot, Chrysler e Jeep, registrou uma baixa contábil de US$ 26 bilhões para cancelar alguns modelos 100% elétricos.
A baixa contábil é o procedimento de remover um ativo ou passivo do balanço patrimonial de uma empresa, registrando-o como despesa ou perda definitiva. Ela ocorre quando um item perde seu valor econômico, é alienado ou quitado, garantindo que os relatórios financeiros reflitam a realidade.
As projeções de vendas de veículos, especialmente elétricos, vêm sendo reduzidas, gradativamente, desde que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, cortou incentivos federais ao setor.
Um crédito fiscal de US$ 7,5 mil direcionado a modelos movidos a bateria expirou em setembro de 2025. Trump afrouxou ainda mais as regulamentações sobre as emissões de poluentes de veículos, o que acabou afetando as vendas de elétricos.
