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Busca em e-mails da Americanas atinge filhos de Lemann e Sicupira

Paulo Alberto Lemann e Cecilia Sicupira Giusti foram conselheiros de administração da Americanas e devem ter e-mails acessados pela Justiça

atualizado

A Justiça de São Paulo acolheu um pedido do Bradesco, o maior credor da Americanas, para que as mensagens de todos os conselheiros e ex-conselheiros da Americanas fossem investigadas. Na ação, o banco apontou a necessidade de vasculhar as trocas de e-mails dos executivos que passaram pelo colegiado nos últimos 10 anos. O objetivo é apurar quem foram os responsáveis pela possível fraude de R$ 20 bilhões no balanço da empresa.

O Metrópoles levantou os nomes de todos os executivos que já ocuparam assentos no conselho de administração da Lojas Americanas e da B2W, empresas que em 2021 tiveram as operações unidas para formar a Americanas. O pedido da Justiça alcança os conselheiros que estiveram no colegiado da Lojas Americanas nos últimos 10 anos. Já no caso da B2W, a investigação só valerá para os conselheiros nomeados a partir de 2021, ano da fusão.

No total, são 23 nomes. Entre eles há desde executivos de mercado, com participação em conselhos de outras empresas, até pessoas das famílias de acionistas de referência (o trio de bilionários formado por Beto Sicupira, Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles).

Paulo Alberto Lemann e Cecília Sicupira Giusti fazem parte da relação de ex-conselheiros. Cecília saiu do conselho da Lojas Americanas em 2020, no mesmo ano em que seu pai, Beto Sicupira, deixou a presidência do colegiado. No lugar de Beto, assumiu Eduardo Saggioro, nome de confiança do bilionário e sócio de Cecília na LTN, empresa de gestão de fortunas que administra o patrimônio de cerca de R$ 180 bilhões das famílias Sicupira, Lemann e Telles.

Apesar de ter deixado a presidência, Beto seguiu como conselheiro e tem assento no grupo até hoje. Por isso, ele deve ser o único dos acionistas de referência a ter suas mensagens eletrônicas verificadas por peritos nomeados pelo Bradesco.

Já Paulo Alberto, conhecido como “Paulinho”, é filho de Jorge Paulo Lemann. Uma fonte a par do assunto diz que, embora represente o pai no conselho, Paulinho mora na Flórida, nos Estados Unidos.

A relação de conselheiros traz ainda Miguel Gutierrez, ex-CEO da Americanas, e Fábio Abrate, ex-diretor financeiro da empresa. Miguel foi presidente da varejista por 20 anos e teve assento no conselho durante quase todo o período. Já Abrate foi nomeado conselheiro apenas em 2021, quando a Lojas Americanas uniu operações com a B2W (dona das marcas Americanas.com, Submarino e Shoptime).

Outra executiva que deve ter os e-mails acessados é Vanessa Claro Lopes, conselheira independente da varejista. Ao mesmo tempo que terá as mensagens investigadas por peritos nomeados pelo Bradesco, Vanessa trabalhará em um comitê interno nomeado pelos acionistas para apurar como surgiu o rombo nos balanços da empresa. A executiva também ocupa assentos nos conselhos de empresas como Embraer, Cosan e Light.

Bradesco sobe o tom

A decisão da Justiça que permitiu a busca e apreensão dos e-mails foi dada na tarde desta quinta-feira (26/1), pela juíza Andréa Galhardo Palma, da 2ª Vara Regional de Competência Empresarial e Conflitos Relacionados à Arbitragem, do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Ela acatou pedido do Bradesco, um dos bancos abalroados pela suposta fraude contábil na Americanas, com R$ 4,3 bilhões a receber, em ação preparada pelo escritório Warde Advogados. A medida judicial permite que sejam analisadas as mensagens eletrônicas trocadas por conselheiros e executivos da varejista nos últimos dez anos. A Americanas tem cinco dias, contados a partir da quinta (26/1), para contestar a busca e apreensão dos e-mails.






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