Brasil e EUA definem juros após nova frustração das negociações no Irã
Ainda assim, mercado acredita que, na “superquarta”, Copom reduzirá Selic em 0,25 ponto percentual e Fomc manterá taxa americana inalterada
atualizado
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Os mercados de câmbio e ações iniciam a semana sob forte expectativa em torno das decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos. Elas ocorrem na quarta-feira (29/4), em meio a um recrudescimento das tensões entre Estados Unidos e Irã, registrado no último fim de semana.
No sábado (25/4), houve novo revés nas tentativas de negociações de paz no Oriente Médio. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou a viagem ao Paquistão de representantes americanos escalados para as tratativas.
A medida foi anunciada depois da veiculação de notícias sobre saída do chanceler iraniano, Abbas Araghchi, de Islamabad, sem mesmo esperar pela chegada da equipe de Washington à capital paquistanesa. Além disso, não faltaram acusações sobre a violação do cessar-fogo na região.
Petróleo
Para as relações econômicas globais, na prática, isso significa que o Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de um quinto da produção mundial de petróleo, segue fechado. Com isso, o preço internacional da commodity tende a fortes oscilações, o que já vem ocorrendo desde o início dos conflitos, em 28 de fevereiro.
Diante desse quadro, com pressões inflacionárias que cuja intensidade ainda foi totalmente identificada, acontece a “superquarta”. Nela, reúnem-se tanto o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), no Brasil, como o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), nos Estados Unidos.
Juros no Brasil
No caso do Copom, apesar das incertezas em torno da guerra, a maior parte dos agentes econômicos aposta num corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) da taxa básica de juros, a Selic, hoje fixada em 14,75% ao ano.
A Warren Investimentos, por exemplo, prevê cinco cortes de 0,25 p.p. e de 0,50 p.p. até o fim do ano. Com as reduções estimadas, a Selic encerrará o ano em 13%, ante 12% na projeção anterior da corretora.
Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, também acredita em um corte de 0,25 p.p.. Ele observa que, desde a última reunião do Copom, em 18 de março, as expectativas de inflação se deterioraram, refletindo um cenário de preços de petróleo elevados por um período mais prolongado. “Apesar da pressão altista sobre as projeções de curto prazo, as expectativas de inflação mais longas seguem relativamente estáveis”, diz o analista.
Juros nos EUA
No caso do Fomc, nos Estados Unidos, a ferramenta FedWatch, do CME Group, indica 99,5% (ou seja, há quase unanimidade) de chances de manutenção da taxa de juros americana, atualmente no intervalo entre 3,50% e 3,75%.
As preocupações com uma possível alta nos preços da energia, impulsionados pela guerra, levaram os investidores a precificar apenas mais um corte de juros de 0,25 p.p. neste ano. Antes do início da guerra, a previsão era de ao menos duas reduções.
Saída de Powell
A novidade é que a reunião do Fomc deve ser a última realizada com Jerome Powell como presidente do Fed, cujo mandato expira em 15 de maio. Ele será substituído por Kevin Warsh, escolhido para o cargo pelo presidente Donald Trump.
Na sexta-feira, surgiram notícias de que o Departamento de Justiça americano estava encerrando uma investigação sobre Powell a respeito dos custos de reforma da sede do Fed. Com isso, teria sido removido um obstáculo para que Warsh assumisse o cargo.
No domingo (26/4), o senador republicano Thom Tillis declarou que permitirá que a aprovação de Warsh avance no Senado. Tillis havia prometido bloquear o nome de qualquer indicado à presidência do Fed enquanto a investigação seguisse em aberto.
Tecnologia
Nos Estados Unidos, a grande expectativa nesta semana no mercado de capitais é a divulgação do balanço de cinco das sete gigantes do setor de tecnologia. A lista de empresas que vão apresentar demonstrações financeiras inclui a Microsoft, a Alphabet (Google), a Amazon, a Meta (Facebook e Instagram) e a Apple.
Na última sexta-feira, os principais índices das bolsas de Nova York voltaram a bater recordes de fechamento, diante do resultado positivo de empresas de tecnologia. Além disso, até a semana passada, 81,3% das empresas do S&P 500 divulgaram resultados acima das previsões dos analistas, com um aumento geral de 16,1% nos lucros do primeiro trimestre.
Nesta semana, também serão divulgadas informações sobre o crescimento econômico dos EUA no primeiro trimestre, além do Índice de Preços de Despesas de Consumo Pessoal de março, o indicador preferido do Fed para a inflação. Os relatórios devem oferecer dados sobre o impacto na economia do conflito no Oriente Médio.
