BBC vai demitir até 2 mil pessoas, cerca de 10% dos funcionários
De acordo com emissora britânica, cortes vão ocorrer em até dois anos e fazem parte de um programa radical de reestruturação
atualizado
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A BBC, a maior emissora pública de rádio e televisão do mundo, anunciou nesta quarta-feira (15/4) que demitirá entre 1,8 mil e 2 mil pessoas nos próximos dois anos. O número de desligamentos equivale a cerca de 10% da força de trabalho e representa a maior onda de cortes realizada pela empresa em 15 anos. Atualmente, a BBC tem de 21,5 mil funcionários.
“Precisamos economizar 500 milhões de libras (cerca de R$ 3,2 bilhões) adicionais de nossos custos operacionais anuais totais de 5 bilhões de libras (R$ 32,4 bilhões) nos próximos dois anos, com a maior parte destas novas economias previstas para 2027/28”, informou a emissora por meio de um comunicado. A rede afirmou ainda estar passando por um momento de “pressões financeiras substanciais”.
As demissões foram divulgadas pouco antes da chegada do novo diretor-geral da rede, Matt Brittin, ex-executivo do Google, que assumirá o comando da emissora em 18 de maio. Brittin substitui Tim Davie, que renunciou ao cargo no ano passado, depois de a empresa ter sido alvo de um processo de US$ 10 bilhões (R$ 52,6 bilhões) movido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
O republicano acusou a BBC de difamação. Ele alegou que a emissora editou trechos de um discurso feito em 6 de janeiro de 2021, momentos antes de seus apoiadores invadirem o Capitólio, num documentário exibido às vésperas das eleições de 2024 nos EUA
Serviços
Sobre os cortes, o diretor-geral interino da companhia, Rhodri Talfan Davies, não descartou a possibilidade de eliminar canais ou serviços inteiros dentro do programa de reestruturação. “Precisamos analisar tudo, e numa escala de 500 milhões de libras, inevitavelmente, haverá algumas escolhas importantes e difíceis, mas precisamos fazer isso com cuidado”, disse, ao programa Media Show, da BBC Radio 4.
Davies afirmou ainda que a empresa fornecerá mais detalhes neste ano sobre como seus serviços serão afetados. “Para o público, a tarefa agora, nos próximos três ou quatro meses, é descobrir como fazer essas mudanças sem prejudicar os serviços que sabemos serem essenciais para a BBC, seja no rádio, na televisão ou online”, afirmou o executivo.
