Após Trump pedir sua saída, CEO da Intel rebate e diz que ama os EUA

Acusado por Donald Trump de ligação com o regime chinês, executivo afirmou que é alvo de uma campanha de “desinformação” sobre sua carreira

atualizado

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1 de 1 Imagem de escritório da Intel, gigante norte-americana de tecnologia - Metrópoles - Foto: Justin Sullivan/Getty Images

No centro de uma polêmica envolvendo a empresa que comanda, a Intel, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o CEO da multinacional norte-americana de tecnologia, Lip-Bu Tan, se manifestou nesta sexta-feira (8/8) e negou as acusações de que teria ligação com o governo da China.

Em carta aos funcionários da Intel, o executivo afirmou que é alvo de uma campanha de “desinformação” sobre sua carreira. Ele rechaçou o comentário de Trump de que haveria “conflito de interesse” no fato de comandar a empresa.

“Tem havido muita desinformação circulando sobre meus cargos anteriores. Quero ser absolutamente claro: ao longo de mais de 40 anos na indústria, construí relacionamentos em todo o mundo e em nosso ecossistema diversificado e sempre operei dentro dos mais altos padrões legais e éticos”, escreveu Lip-Bu Tan.

Segundo o CEO da Intel, a empresa vem “dialogando” com o governo Trump para “abordar as questões que foram levantadas e garantir que eles tenham acesso aos fatos”.

No documento, Lip-Bu Tan afirmou ainda que o conselho da empresa está “apoiando totalmente” o trabalho desenvolvido por sua gestão “para transformar nossa empresa”.

“Compartilhamos plenamente o compromisso do presidente [Trump] de avançar na segurança nacional e econômica dos EUA”, prosseguiu o executivo.

Lip-Bu Tan completou: “Os EUA têm sido meu lar por mais de 40 anos. Eu amo este país e sou profundamente grato pelas oportunidades que ele me deu. Também amo esta empresa”.

Suposta ligação com a China

Nas redes sociais, Donald Trump pediu a saída do CEO da Intel do cargo e o acusou, sem apresentar provas, de ligações com o regime chinês. As declarações do republicano foram feitas por meio de sua própria rede social, a Truth Social.

“O CEO da Intel está em conflito e deve renunciar imediatamente. Não há outra solução para esse problema. Obrigado pela sua atenção!”, escreveu Trump.

Nesta semana, o senador Tom Cotton, do Partido Republicano, o mesmo de Trump, cobrou do Conselho de Administração da Intel que esclarecesse quais são os laços entre o CEO da companhia e a China.

O parlamentar mencionou possíveis investimentos em empresas chinesas de semicondutores, além de uma suposta ligação com as Forças Armadas do país asiático.

“A Intel e o sr. Tan estão profundamente comprometidos com a segurança nacional dos EUA e com a integridade do nosso papel no ecossistema de defesa dos EUA”, afirmou a empresa, em comunicado divulgado na última quarta-feira (6/8).

O senador republicano também fez questionamentos acerca de supostos vínculos do CEO da Intel com a Cadence Design Systems. Trata-se de uma empresa de tecnologia liderada por Lip-Bu Tan por mais de uma década e que comercializava produtos para uma universidade militar da China.

Em julho, a Cadence Design se declarou culpada por violar as normas de controle de exportação dos EUA ao vender hardware e software para a Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa da China.

Ações caíram

Após as declarações de Donald Trump pedindo a saída do CEO da companhia, as ações da Intel operaram no vermelho e chegaram a recuar mais de 4% na quinta-feira (7/8).

Já no pregão desta sexta, pouco antes do meio-dia (pelo horário de Brasília), os papéis da companhia operavam em leve baixa de 0,09%, a US$ 19,75.

Quem é Lip-Bu Tan

Lip-Bu Tan tem 65 anos e ocupa o cargo de CEO da Intel desde março de 2025. Ele nasceu na Malásia.

O executivo atua também como presidente empresa de capital de risco Walden International e foi CEO da Cadence Design Systems por mais de 10 anos, entre 2009 a 2021.

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