“A dose do remédio pode virar veneno”, diz Haddad sobre juros altos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participou de evento em São Paulo e voltou a pedir corte de juros. Reunião do Copom vai até quarta

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), voltou a defender a redução da taxa básica de juros da economia brasileira, nesta terça-feira (4/11), dia em que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) começa a sua penúltima reunião do ano para tratar da Selic.

As declarações do chefe da equipe econômica foram dadas durante participação no Bloomberg Green Summit, em São Paulo. Neste início de semana, o ministro cumpriu agendas pré-COP 30 na capital paulista.

A taxa básica de juros é o principal instrumento do BC para controlar a inflação. Quando o Copom aumenta os juros, o objetivo é conter a demanda aquecida, o que se reflete nos preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Assim, taxas mais altas também podem conter a atividade econômica.

Ao reduzir a Selic, por outro lado, a tendência é de que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

Na última reunião do Copom, em setembro, a autoridade monetária manteve os juros inalterados, em 15% ao ano. A tendência é que isso se repita nesta semana. A reunião do colegiado será concluída na quarta-feira (5/11).

“Não tem como manter 10% de juro real, já que a inflação é de 4,5%. Eu tenho alergia à inflação, mas é uma questão de razoabilidade. A dose do remédio pode virar veneno. Há pouca diferença na dose para transformar o remédio em veneno”, alertou Haddad sobre a taxa de juros no país.

“Podemos terminar o mandato com indicadores econômicos muito superiores. Não precisamos pagar juros tão altos. Isso afeta até a capacidade de produção do país”, criticou o ministro da Fazenda.

Durante o evento, Haddad voltou a destacar o que classificou como bom momento da economia brasileira, disse que o país vive uma fase de “solidez” econômica e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve terminar o mandato “de forma muito tranquila”, em dezembro de 2026.

“Nos últimos três anos, o Brasil fez muita coisa importante para criar um ambiente de negócios favorável. E isso já está sendo percebido pelos investidores”, afirmou o ministro, mencionando o maior número de leilões de infraestrutura na Bolsa de Valores (B3) e a pontuação recorde do Ibovespa, que ultrapassou a marca dos 150 mil pontos.

“Teremos a menor inflação em quatro anos, o menor desemprego da série histórica e o maior crescimento desde 2010”, afirmou Haddad. “Mesmo assim, o que vejo de gente torcendo contra o país é impressionante. Vejo comentaristas na televisão que falam mal da economia”, criticou.

Meta fiscal

Fernando Haddad também voltou a assegurar que o governo cumprirá a meta fiscal, entregando o melhor resultado dos últimos quatro anos.

“Desde 2023, estão dizendo que eu vou mudar a meta porque não vou cumpri-la. Ou a gente olha para a realidade do Brasil e rema a favor do país ou continuaremos presos a narrativas”, disse Haddad.

Segundo o ministro da Fazenda, o debate sobre as contas públicas do país vem sendo feito “pelos investidores, e não pelos jornais”. “O que me preocupa é o dinheiro que está entrando no Brasil”, completou.

A meta fiscal do Brasil para 2025, de acordo com a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), é de resultado primário zero, com margem de tolerância de até 0,25 ponto percentual do Produto Interno Bruto (PIB).

Para 2026, a meta do governo é superávit primário de 0,25% do PIB.

“Estamos decididos a fazer o que não foi feito de 2015 para cá: respeitar as metas de primário, fixar objetivos exigentes e cumpri-los”, concluiu Haddad.

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