À beira de recuperação judicial, Americanas deve R$ 2,4 bi ao BNDES
Americanas obteve linhas de financiamento entre 2016 e 2018 com o BNDES para investir em operação digital; dívida chega a R$ 2,4 bilhões
atualizado
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Na lista de credores da Americanas está o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), instituição estatal que concedeu R$ 2,4 bilhões em financiamentos à varejista. A dívida total da Americanas é de R$ 40 bilhões.
Na semana passada, a varejista comunicou ao mercado a identificação de R$ 20 bilhões de diferença contábil em seu balanço. Os valores seriam de dívidas que não foram contabilizadas da forma correta pela Americanas. Ou seja: até semana passada, a empresa informava ao mercado um endividamento menor do que o real.
Desde então, os credores têm negociado com a empresa formas de receber tal passivo.
Apesar de ser um dos bancos que aparecem entre os que têm algo a receber da Americanas, o BNDES não é credor direto da empresa. A instituição estatal informou que a dívida de R$ 2,4 bilhões conta com a proteção de fiança bancária – ou seja, há um fiador por trás da operação que pagará a dívida, caso a Americanas não o faça.
É provável que o fiador em questão seja outro banco privado ou um conjunto de instituições financeiras. Em nota, o BNDES reforçou que “o banco não está exposto a qualquer risco”.
“De toda forma, de maneira preventiva, o BNDES encaminhará carta à empresa solicitando esclarecimentos”, diz o comunicado do banco.
Bancos tentam executar as dívidas
No final da última semana, o banco BTG Pactual foi o primeiro a tentar bloquear recursos da Americanas com o objetivo de garantir o pagamento de uma dívida de R$ 1,2 bilhão. Para se proteger desse movimento, a varejista ingressou com um pedido na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, pedindo um prazo para negociar o passivo.
O juiz da 4ª Vara atendeu ao pedido e deu 30 dias para a Americanas decidir se entrará em recuperação judicial, processo em que uma empresa tenta negociar e alongar suas dívidas, a fim de evitar uma falência.
Nesse período, a Americanas ficará protegida de “toda e qualquer possibilidade de um bloqueio, sequestro ou penhora de bens da empresa”. Os pagamentos dos financiamentos também ficarão congelados.
O BTG tenta anular essa decisão na Justiça. Ontem, o banco protocolou um pedido de reconsideração, alegando que o bloqueio de R$ 1,2 bilhão foi feito antes da decisão da 4ª Vara, e por isso não estaria contemplado na proteção concedida à Americanas. A expectativa é que o pedido seja avaliado ainda nesta semana.
