Zelensky diz que voltará a se reunir com Trump “no domingo”

Declaração foi feita após Zelensky conversar com um emissário americano e com o genro de Trump, Jared Kushner, sobre o fim da guerra

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Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky
1 de 1 Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky - Foto: Artur Widak/NurPhoto via Getty Images

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que deve se encontrar com o presidente americano, Donald Trump, neste domingo (28/12), na Flórida. O anúncio ocorre após a última rodada de negociações entre Washington e Kiev ter resultado em um plano atualizado de 20 pontos para encerrar a guerra.

“Acho que nos encontraremos com o presidente Trump no domingo, na Flórida”, disse o líder europeu a jornalistas. Na sexta, ele havia anunciado a reunião por meio de uma publicação nas redes sociais.

“Concordamos com uma reunião do mais alto nível com o presidente Trump, em um futuro próximo. Muita coisa pode ser decidida antes do Ano Novo”, afirmou Zelensky nas redes sociais. Segundo ele, a Ucrânia “não vai desperdiçar nenhum dia”.


As declarações foram feitas depois de Zelensky ter conversado na quinta‑feira (25/12) com o emissário americano Steve Witkoff e com o genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, sobre um fim à guerra que já dura quase quatro anos.

Na quarta-feira (24/12), o presidente ucraniano revelou a nova versão do plano americano destinado a pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia, negociado há semanas entre Washington e Kiev. Ao contrário da versão original desse documento, de autoria de Washington, o rascunho atualizado do projeto deixa de lado duas das principais imposições de Moscou.

A nova versão prevê o congelamento da frente de batalha, mas não resolve a questão de uma possível concessão de territórios à Rússia. Além disso, elimina a exigência do Kremlin para que a Ucrânia renuncie oficialmente à aspiração de integrar a OTAN.

Até o momento, o governo russo não reagiu às propostas, mas é improvável que Moscou abandone suas reivindicações territoriais, incluindo a de que a Ucrânia se retire completamente da região do Donbass. Outra questão que deve continuar travando as negociações são as ambições de Kiev de integrar a Aliança Atlântica.

Questionado sobre o assunto na quarta‑feira, o porta‑voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que Moscou estava “formulando sua posição” e se recusou a comentar os detalhes. Na quinta‑feira, a porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, declarou que os avanços rumo ao fim da guerra são “lentos, mas constantes”.

Troca de territórios entre Rússia e Ucrânia

Segundo informações reveladas pelo jornal russo Kommersant nesta sexta-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, declarou a alguns dos mais importantes empresários do país que poderia aceitar trocar alguns territórios controlados por suas forças na Ucrânia. No entanto, o chefe do Kremlin é inflexível sobre se apropriar do Donbass, no leste da Ucrânia.

A matéria aponta que, com exceção desta região, “uma troca parcial de territórios não está descartada”. O Kommersant ainda destaca que Putin afirmou que continua disposto a fazer as concessões que havia feito em agosto em Anchorage, no Alaska, durante encontro com Donald Trump. “O Donbass é nosso” teria dito o presidente russo aos empresários.

As negociações não pausaram a guerra. Nesta manhã, drones russos atingiram três navios nas regiões de Odessa e Mykolaiv, no sul da Ucrânia, declarou nesta sexta‑feira o vice‑primeiro‑ministro ucraniano, Oleksiy Kuleba, no Telegram. Os navios atacados navegavam sob bandeiras da Eslováquia, de Palau e da Libéria. Os bombardeios não deixaram vítimas, mas provocaram cortes de energia e também danificaram armazéns civis na região de Odessa.

Kuleba também relatou um ataque de drones russos contra a estação ferroviária de Kovel, no noroeste da Ucrânia, a cerca de 60 quilômetros da fronteira com a Polônia. Segundo ele, uma locomotiva e um vagão de transporte de cargas foram danificados.

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