Pai que matou família carbonizada já havia sequestrado filha

Pais de Hannah Clarke revelaram que filha e os três netos viviam um flagelo crescente de violência nas mãos de Rowan Baxter

atualizado 20/02/2020 11:08

Reprodução/Facebook

Hannah Clarke, 31 anos, tentou fugir das mãos do marido controlador com seus filhos pequenos apenas alguns meses antes da tragédia familiar que chocou o mundo nessa quarta-feira (19/02/2020). A atleta e as três crianças morreram após Rowan Baxter atear fogo no carro deles e depois se esfaquear até a morte.

A dor que Clarke e seus filhos Aaliyah, 6, Laianah, 4 e Trey, 3, sentiram é inimaginável, mas o sofrimento que passaram começou muito antes. Embora tivesse decidido terminar o relacionamento, Hannah continuou a enfrentar um flagelo crescente de violência nas mãos do ex-jogador de rugby.

Segundo os jornais Daily Mail e The Courier-Mail, as redes sociais de Rowan Baxter promoviam imagens de uma família feliz para amigos e familiares, mas o comportamento abusivo e violento foi revelado pela família da mulher.

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Em 29 de janeiro deste ano, ele compareceu a um tribunal na Austrália acusado de violência doméstica, mas saiu livre apenas algumas semanas antes de assassinar a jovem família. Ele deveria enfrentar o tribunal novamente em 8 de abril.

“Espiral descendente”

Ao Daily Mail, os pais da atleta, Lloyd e Suzanne Clarke, disseram que Rowan era um “maníaco por controle”. “Ela tinha que pegar as crianças e ficar sem dizer nada, porque ele era um maníaco por controle e entrava em seu espaço e ela cedia”, disse o pai da vítima.

Para eles, a “espiral descendente” do relacionamento abusivo começou quando ela resolveu sair de casa. Ele tinha autorização para ver os filhos aos fins de semana, eventos sempre marcados por tensão e brigas.

A mãe de Hannah Clarke revelou então que em uma das vezes, Baxter sequestrou uma das filhas e a polícia só conseguiu recuperá-la quatro dias depois, em outro estado. De acordo com a mãe, o homem violento chegou a mandar um “e-mail repugnante” para Hannah, “a culpando por tudo.”

Ainda de acordo com o jornal, os pais tentam entender como ele conseguiu entrar no carro da filha e matar toda a família. Desde o começo do ano, quando foi levado à Justiça, ele não podia ficar a menos de 20 metros dela. Na manhã dos assassinatos, os pais de Clarke não o viram e acreditam que ele planejou uma emboscada.

Nesta quinta-feira (20/02/2020), a polícia de Queensland confirmou que já havia sido solicitada para intervir em questões de violência doméstica envolvendo o casal, conforme informações do inspetor Mark Thompson, que disse ontem que o caso segue em investigação.

A “alma gêmea”

Hannah Clarke tinha 19 anos quando conheceu Baxter, um neozelandês 11 anos mais velho que ela. O ex-jogador da liga de rugby australiana propôs uma praia em 2011 e o encontro rendeu um lindo casamento em 2012, e três filhos encantadores.

No terceiro aniversário de casamento, em 2015, Rowan Baxter havia reiterado a promessa de amá-la “sempre e eternamente”. Nesse mesmo dia, ela postou em suas redes sociais sobre sua “alma gêmea”.

Hannah Clarke cuidava bastante da forma física e fazia aulas diárias na academia do casal, em Capabala. Atleta de trampolim, ela representou Queensland em competições do esporte por quatro anos consecutivos.

Treinou durante todas as três gestações – em pelo menos uma ocasião até a gravidez de 36 semanas – e foi uma defensora da aptidão “Mums n Bubs”, uma espécie de ioga para gestantes.

Baxter postou vídeos de treino na academia Integr8 até setembro de 2019. O estabelecimento do casal fechou as portas em dezembro, algumas semanas depois que ela resolveu deixar o marido e ir morar com os pais, em Camp Hill.

Eles não estavam separados oficialmente, mas haviam dado início ao processo pela guarda dos três filhos.

O fim

Hannah ia deixar os filhos na escola quando, por volta das 8h25, Baxter derramou gasolina em todos os seus filhos, que estavam presos aos cintos de segurança do carro, em Hannah e nele mesmo, antes de deixar o carro em chamas.

A atleta ainda conseguiu se libertar e sair do carro, gritando “ele derramou gasolina em mim”, segundo testemunhas. Pessoas horrorizadas tentaram heroicamente salvá-la, apagando o fogo de seu corpo com uma mangueira de jardim, enquanto outros buscavam uma forma, em vão, de salvar as crianças.

Enlouquecido, como revelaram vizinhos, Baxter gritava para que os moradores não os salvassem, até que pegou uma faca dentro do veículo e se esfaqueou até a morte.

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