Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Venezuelano relata tensão durante terremotos: “Algo que não terminava”

Jornalista venezuelano Marcos David Valverde conversou com o Metrópoles sobre os dois terremotos que atingiram a Venezuela na quarta

26/06/2026 04:30
Compartilhar notícia
Foto: Edilzon Gamez/Getty Images
imagem colorida de prédio danificado por terremotos na venezuela

Os terremotos que atingiram a Venezuela nessa quarta-feira (24/6) foram os mais intensos em mais de 100 anos no país, com magnitudes 7,2 e 7,5. Ao menos 188 pessoas morreram, 1.521 ficaram feridas e centenas de edifícios desabaram em diversas localidades.

Os locais mais afetados foram a região da capital, Caracas, e o estado de La Guaira. Milhares de pessoas ainda estão desaparecidas e são procuradas por familiares.

Ao Metrópoles, o jornalista venezuelano Marcos David Valverde relatou o momento do tremor. Valverde conta que recebeu um alerta no celular e não pensou, incialmente, que se tratava de um terremoto.


Tremores em sequência

  •  No final da tarde de quarta-feira foram registrados tremores.
  • A princípio, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) comunicou somente um terremoto, de magnitude 7,1.
  • Mais tarde, o órgão revisou as informações e confirmou que houve dois grandes abalos sísmicos.
  • O primeiro sismo ocorreu perto de San Felipe, com magnitude 7,2 e profundidade de 21,9 quilômetros.
  • Apenas 39 segundos após, um segundo tremor, de maior intensidade, foi detectado próximo a Yumare, chegando a magnitude 7,5.
  • Como aconteceram em baixa profundidade, os terremotos foram percebidos em uma grande região do norte da América do Sul e do Caribe.

Tremor “sem fim”

“Tudo começou depois das 18h. Estando na Venezuela, com as comunicações bloqueadas que impõe o regime venezuelano, eu sempre tenho o VPN [Rede Virtual Privada]. Quando chegou essa alerta sismológico, eu pensei que era um alerta que havia sido ativado pelo VPN, não pensei que tivesse algum tremor ou sismo”, comentou Valverde.

Segundo o jornalista, o tremor “era algo que não tinha fim”.

“E então, começou o terremoto, era algo que não terminava, não terminava. Eu descí, saí na rua e o tremor seguiu. Não havia fim”.
Venezuelano relata tensão durante terremotos: “Algo que não terminava” - destaque galeria
8 imagens
Agência dos Estados Unidos estima ao menos 10 mil mortos após terremotos na Venezuela
Imagens mostram destruição após fortes terremotos na Venezuela
Milhares de pessoas foram para as ruas de Caracas, após os terremotos
Sobreviventes em busca de informações na Venezuela
Correria nas ruas de Caracas, após terremotos na Venezuela
Venezuelano recorda momento do terremoto: "Era algo que não terminava"
1 de 8

Venezuelano recorda momento do terremoto: "Era algo que não terminava"

Foto: Edilzon Gamez/Getty Images
Agência dos Estados Unidos estima ao menos 10 mil mortos após terremotos na Venezuela
2 de 8

Agência dos Estados Unidos estima ao menos 10 mil mortos após terremotos na Venezuela

Edilzon Gamez/Getty Images
Imagens mostram destruição após fortes terremotos na Venezuela
3 de 8

Imagens mostram destruição após fortes terremotos na Venezuela

Jesus Vargas/Getty Images
Milhares de pessoas foram para as ruas de Caracas, após os terremotos
4 de 8

Milhares de pessoas foram para as ruas de Caracas, após os terremotos

Jesus Vargas/Getty Images
Sobreviventes em busca de informações na Venezuela
5 de 8

Sobreviventes em busca de informações na Venezuela

Jesus Vargas/Getty Images
Correria nas ruas de Caracas, após terremotos na Venezuela
6 de 8

Correria nas ruas de Caracas, após terremotos na Venezuela

Reprodução/Redes sociais
Prédios inteiros foram derrubados após terremotos na Venezuela
7 de 8

Prédios inteiros foram derrubados após terremotos na Venezuela

Reprodução/Redes Sociais
Teto do aeroporto de Caracas desabou
8 de 8

Teto do aeroporto de Caracas desabou

Reprodução/Redes Sociais

Réplicas

Valverde comentou que, após os dois terremotos atingirem o país, houve várias réplicas durante toda noite e início da manhã. “Até esta manhã, quando houve uma réplica em torno das 8h”.

O governo venezuelano confirmou que houve 20 réplicas do tremor após os terremotos.

Devido às repetições, moradores tiveram receio de voltar as suas casas, comentou o jornalista venezuelano. “Tem gente dormindo na rua, nas praças. Proteção Civil, bombeiros, polícia e militares estão trabalhando muito. Hoje, pessoas continuam na rua, comprando comida. Muito preferem não voltar para suas casas”.

Danos à infraestrutura do país

Segundo Jorge Rodríguez, presidente do parlamento da Venezuela, 250 edifícios desabaram ou sofreram danos, em balanço provisório, e cerca de 200 pessoas estão presas em escombros.

Valverde comentou ao Metrópoles que presenciou o momento de um desabamento de um prédio de vários andares.

“Uma das zonas [de Caraca] mais afetadas foi a de Los Palos Grande, onde desabaram alguns prédios. Estive, pude ver dois dos prédios, um deles residencial, de vários pisos, não sei precisar de quantos, mas de mais de dez ou doze pisos, e tudo se veio abaixo”, disse.

“É como se agarrassem uma torre de sanduíches, de pão, e os derrubassem. E, bem, parte disso se veio para uma das ruas e também destruíram vários carros”, comentou.

Veja imagens da destruição causada à infraestrutura venezuelana pelo terremoto.

O governo venezuelano decretou estado de emergência, e fechou o principal aeroporto do país. Ao menos 17 países já ofereceram ajuda ao país sul-americano, inclusive o Brasil.