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Veja como fica a América do Sul com a reeleição de Lula

Com reeleição de Lula. América do Sul tem quatro países liderados por membros de esquerda

27/10/2026 12:21
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Veja como fica a América do Sul com a reeleição de Lula

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República impediu que a onda azul sul-americana também alcançasse o Brasil. Atualmente, oito dos 12 países que integram o subcontinente são governados por líderes de direita, em meio ao aumento da influência dos Estados Unidos na região.

Com a vitória de Lula, quatro países sul-americanos mantêm lideranças de esquerda. São eles: Guiana, com Irfaan Ali; Suriname, com Jennifer Simons; Uruguai com Yamandú Orsi; e a Venezuela, que hoje é comandada interinamente por Delcy Rodríguez.

Do outro lado, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai e Peru são governados por líderes de direita. Juntos, esses países representam cerca de 58,3% da população sul-americana.

Veja como está o mapa da região:

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Lula disputou o Palácio do Planalto contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). Ao longo da campanha eleitoral, Flávio se aproximou de lideranças de direita na região, sobretudo o argentino Javier Milei e o equatoriano, Daniel Noboa.

O então candidato à Presidência da República vinha costurando também uma relação de proximidade com os Estados Unidos, atualmente comandado por Donald Trump. O líder norte-americano tem impulsionado lideranças de direitas ao redor do mundo e não foi diferente na América do Sul e nem no Brasil, onde Trump fez acenos a Flávio Bolsonaro.

Relações com o Brasil

Em uma configuração regional dominada pela direita, o presidente Lula renova seu mandato em um contexto desafiador no cenário regional — situação oposta ao que era quando ele voltou ao Palácio do Planalto em 2022, quando a maioria dos países da região eram liderados por presidentes de esquerda.

Para fontes diplomáticas consultadas pela reportagem, a relação do Brasil com países da região não deve sofrer mudanças. A avaliação é que o pragmatismo econômico deve prevalecer sobre as diferenças ideológicas.

Ainda nesse domingo (25/10), horas após o resultado das eleições que deu a vitória para Lula, líderes da região ligaram para parabenizar o petista. Entre eles, Lula recebeu ligações do paraguaio, Santiago Peña, e do chileno, José António Kast. Para membros da diplomacia brasileira, este é um exemplo da relação amistosa que o atual mandatário possui com todos os líderes da região.

Por outro lado, a ascensão da direita sob a influência de Donald Trump pode impor dificuldades para o petista. Em uma delas, a equipe de política externa de Lula já antecipa que as relações com os países da região podem ter enfoques bilaterais nos próximos anos, em meio ao “desmonte” de organismos multilaterais.

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Apesar de comporem espectros políticos antagônicos, Lula e José Antonio Kast se reuniram após a vitória do líder chileno
Lula e Javier Milei em encontro no Mercosul
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Ricardo Stuckert / PR
Apesar de comporem espectros políticos antagônicos, Lula e José Antonio Kast se reuniram após a vitória do líder chileno
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Ricardo Stuckert/PR
Lula e Javier Milei em encontro no Mercosul
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Lula e Javier Milei em encontro no Mercosul

Reprodução

Pressão de Trump

O novo governo Lula deve lidar ainda com a pressão de Donald Trump sobre a região, principalmente no que diz respeito o combate ao narcotráfico. Washington passou, nos últimos meses, a ampliar a cooperação militar com governos alinhados à sua agenda de segurança e a defender uma participação mais direta das Forças Armadas no enfrentamento a organizações criminosas.

Um dos principais instrumentos dessa estratégia é a Coalizão das Américas contra os Cartéis (A3C), também chamada de Escudo das Américas. Liderada pelos Estados Unidos, a iniciativa começou com 12 países e chegou a 19 integrantes após a adesão da Colômbia.

Entre os participantes estão países como Equador, Argentina, Bolívia, Chile, El Salvador, Peru e Honduras. O avanço da estratégia da nova Era Trump ocorre em paralelo à chegada de governos de direita ao poder em diferentes países da América Latina.

O Brasil está fora do Escudo das Américas e mantém uma posição mais cautelosa em relação à ampliação da presença militar dos Estados Unidos na América do Sul. Membros do governo petista já afirmaram não ter interesse de aderir à iniciativa e, assim como as relações diplomáticas, estimular os acordos e as tratativas bilaterais de combate ao crime transnacional na América do Sul.

Em meio à este contexto, a avaliação ainda é que a relação com a Casa Branca será o “o tema mais sensível” deste quarto mandato de Lula. Embora os dois líderes tenham uma boa relação, membros do governo avaliam que a política do Departamento de Estado de Marco Rubio é hostil com o petista.