Ucrânia rejeita visita de presidente alemão, pró-Putin no passado

Frank-Walter Steinmeier é alvo de críticas por postura pró-Putin que assumiu quando foi ministro do Exterior

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tephan Roehl
Dr. Frank-Walter Steinmeier, Fraktionsvorsitzender SPD
1 de 1 Dr. Frank-Walter Steinmeier, Fraktionsvorsitzender SPD - Foto: tephan Roehl

Um importante assessor do presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, disse nesta quarta-feira (13/4) que Kiev aguarda uma visita do chanceler federal alemão, Olaf Scholz, e que deseja que ele concorde em enviar mais armas à Ucrânia. A afirmação ocorre um dia após o governo ucraniano ter rejeitado uma visita ao país do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier.

Steinmeier admitiu na terça-feira (12/4), durante visita à Polônia, que se ofereceu para visitar a Ucrânia juntamente com outros líderes da União Europeia. Entretanto, Kiev lhe disse que ele não era “bem-vindo no momento”.

O chefe de Estado alemão planejava se juntar a uma viagem realizada pelo presidente polonês, Andrzej Duda, em conjunto com colegas de Estônia, Lituânia e Letônia, visando enviar “um forte sinal de solidariedade europeia conjunta com a Ucrânia”.

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A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
 A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível grande guerra
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A relação conturbada entre Rússia e Ucrânia, que desencadeou conflito armado, tem deixado o mundo em alerta para uma possível grande guerra

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A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito
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A confusão, no entanto, não vem de hoje. Além da disputa por influência econômica e geopolítica, contexto histórico que se relaciona ao século 19 pode explicar o conflito

Agustavop/ Getty Images
A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local
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A localização estratégica da Ucrânia, entre a Rússia e a parte oriental da Europa, tem servido como uma zona de segurança para a antiga URSS por anos. Por isso, os russos consideram fundamental manter influência sobre o país vizinho, para evitar avanços de possíveis adversários nesse local

Pawel.gaul/ Getty Images
Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km
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Isso porque o grande território ucraniano impede que investidas militares sejam bem-sucedidas contra a capital russa. Uma Ucrânia aliada à Rússia deixa possíveis inimigos vindos da Europa a mais de 1,5 mil km de Moscou. Uma Ucrânia adversária, contudo, diminui a distância para pouco mais de 600 km

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Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia
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Percebendo o interesse da Ucrânia em integrar a Otan, que é liderada pelos Estados Unidos, e fazer parte da União Europeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ameaçou atacar o país, caso os ucranianos não desistissem da ideia

Andre Borges/Esp. Metrópoles
Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país
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Uma das exigências de Putin, portanto, é que o Ocidente garanta que a Ucrânia não se junte à organização liderada pelos Estados Unidos. Para os russos, a presença e o apoio da Otan aos ucranianos constituem ameaças à segurança do país

Poca/Getty Images
A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro
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A Rússia iniciou um treinamento militar junto à aliada Belarus, que faz fronteira com a Ucrânia, e invadiu o território ucraniano em 24 de fevereiro

Kutay Tanir/Getty Images
Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta
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Por outro lado, a Otan, composta por 30 países, reforçou a presença no Leste Europeu e colocou instalações militares em alerta

OTAN/Divulgação
Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território
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Apesar de ter ganhado os holofotes nas últimas semanas, o novo capítulo do impasse entre as duas nações foi reiniciado no fim de 2021, quando Putin posicionou 100 mil militares na fronteira com a Ucrânia. Os dois países, que no passado fizeram parte da União Soviética, têm velha disputa por território

AFP
Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território
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Além disso, para o governo ucraniano, o conflito é uma espécie de continuação da invasão russa à península da Crimeia, que ocorreu em 2014 e causou mais de 10 mil mortes. Na época, Moscou aproveitou uma crise política no país vizinho e a forte presença de russos na região para incorporá-la a seu território

Elena Aleksandrovna Ermakova/ Getty Images
Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado
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Desde então, os ucranianos acusam os russos de usar táticas de guerra híbrida para desestabilizar constantemente o país e financiar grupos separatistas que atentam contra a soberania do Estado

Will & Deni McIntyre/ Getty Images
O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles
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O conflito, iniciado em 24 de fevereiro, já impacta economicamente o mundo inteiro. Na Europa Ocidental, por exemplo, países temem a interrupção do fornecimento de gás natural, que é fundamental para vários deles

Vostok/ Getty Images
Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo
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Embora o Brasil não tenha laços econômicos tão relevantes com as duas nações, pode ser afetado pela provável disparada no preço do petróleo

Vinícius Schmidt/Metrópoles

O embaixador da Ucrânia em Berlim, Andri Melnyk, já havia criticado duramente o presidente alemão por suas conexões com a Rússia e seu papel de liderança na melhoria das relações com o presidente russo, Vladimir Putin, quando ele era ministro do Exterior do governo de Angela Merkel, entre 2013 e 2017.

Steinmeier foi um membro proeminente de uma ala do Partido Social Democrata (SPD), liderada pelo ex-chanceler federal Gerhard Schröder, que argumentava que laços econômicos estreitos com a Rússia eram uma maneira de ancorá-la dentro de um sistema global orientado para o Ocidente.

Entretanto, após a invasão da Ucrânia, Steinmeier reconheceu ter errado e admitiu que deveria ter ouvido os alertas de países do Leste Europeu em relação à sua política de aproximação com Moscou.

Afronta diplomática

A sanção ucraniana a Steinmeier foi vista na Alemanha como uma afronta diplomática. “A declaração do governo ucraniano de que uma visita do presidente alemão é atualmente indesejável em Kiev é lamentável e não está à altura das relações estreitas e crescentes entre nossos países”, disse o líder da bancada parlamentar do SPD, Rolf Mützenich.

O conselheiro presidencial ucraniano, Oleksiy Arestovych, disse à televisão pública alemã que não foi a intenção de Zelensky ofender Berlim. “Acho que o argumento principal foi outro: nosso presidente está esperando o chanceler [Scholz], de forma que ele tome decisões práticas diretas, incluindo envio de armas”, disse ele à emissora ZDF.

O presidente alemão tem um papel, em grande parte, cerimonial, enquanto o chanceler federal lidera o governo.

Arestovych disse que o destino da cidade portuária estratégica de Mariupol e da população civil do leste da Ucrânia “depende das armas alemãs que conseguirmos”, mas que isso não foi prometido. Arestovych afirmou que o tempo é essencial porque “a cada minuto que um tanque não chega, são nossas crianças que estão morrendo, sendo estupradas, mortas”.

Pressão sobre Scholz

Scholz está enfrentando pressão interna crescente para aumentar o apoio à Ucrânia diante da invasão russa, que dura sete semanas e tirou a vida de milhares de civis.

O chanceler, como Steinmeier, um social-democrata, inicialmente respondeu ao ataque russo prometendo uma reviravolta dramática nas políticas alemãs de defesa e externa, incluindo um aumento maciço nos gastos militares. Mas, até agora, tem rejeitado os pedidos para seguir outros líderes da UE e fazer uma visita a Kiev, além de se recusar, principalmente por razões históricas, a enviar armas pesadas para a Ucrânia.

A Alemanha até agora enviou armas defensivas, incluindo armas antitanque, lançadores de mísseis e mísseis terra-ar em resposta ao conflito. A postura acentuou as tensões dentro do governo de Scholz, com ministros do Partido Verde – integrante da coalizão de governo, junto com SPD e o Partido Liberal Democrático (FDP) –, pedindo mais envios de armas.

Scholz também tem sido pressionado para visitar Kiev, depois que diversos líderes europeus estiveram nos últimos dias na capital ucraniana, entre eles, o premiê britânico, Boris Johnson, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

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