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Trump ameaça tomar o controle da Ilha de Kharg, no Irã

Trump voltou a afirmar que poderá atacar novamente o território iraniano e tomar o controle da Ilha de Kharg

08/07/2026 17:51, atualizado 08/07/2026 17:52
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Andrew Harnik/Getty Images
Presidente dos EUA, Donald Trump - Metrópoles

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (8/7) ao afirmar que poderá atacar novamente o país e tomar o controle da Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo iraniano. A declaração foi feita horas após o republicano anunciar que considera encerrado o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã.

Segundo Trump, forças norte-americanas já realizaram ataques contra a ilha durante a ofensiva da noite anterior.

“Atacamos a Ilha Kharg ontem à noite e destruímos uma parte. Eu disse: ‘Não mexam no petróleo, porque talvez a gente tome a Ilha Kharg'”, afirmou o presidente, ao relatar orientações dadas aos militares dos Estados Unidos.

Em seguida, Trump disse que determinou que a infraestrutura petrolífera fosse preservada.

“Eu disse: ‘Não atinjam os dutos, atinjam apenas todo o resto’. E eles atingiram. Podem atingir novamente hoje à noite”.

As declarações provocaram reações imediatas em Teerã. O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano Ebrahim Rezaei, respondeu diretamente às ameaças.

“Venha, estamos à sua espera e prometemos que nenhum soldado americano retornará com vida”, declarou.

Por que a Ilha de Kharg é estratégica?

Localizada no Golfo Pérsico, a Ilha de Kharg é o principal terminal petrolífero do Irã e responde por cerca de 90% das exportações de petróleo bruto do país.

Embora tenha dimensões reduzidas, a ilha concentra instalações de armazenamento, carregamento e embarque de petróleo destinadas ao mercado internacional. Por isso, qualquer ataque ou tentativa de controle da região pode comprometer significativamente a capacidade iraniana de exportar petróleo e ampliar a instabilidade no mercado global de energia.

Além da importância econômica, Kharg é considerada um ativo estratégico para a segurança energética do Irã e frequentemente aparece entre os alvos mais sensíveis em momentos de tensão militar no Oriente Médio.

Trump diz que acordo “acabou”

Nesta quarta, durante a cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada em Ancara, na Turquia, Trump afirmou que considera encerrado o memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã, em junho, para estabelecer um caminho rumo a um cessar-fogo definitivo.

“Para mim, acabou. Vou falar com nossos negociadores. Eles querem negociar. São boas pessoas, mas precisam me dar um retorno. Na minha opinião, é pura perda de tempo lidar com eles”, declarou.

O presidente norte-americano também voltou a atacar o governo do Irã e acusou as autoridades iranianas de agirem de má-fé.

“Eles agiam como valentões no Oriente Médio, mas não são mais os valentões […]. São mentirosos. Há algo de errado com eles. São loucos. Eles são lixo, são pessoas doentes, são governados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas. E, se tivessem uma arma nuclear, a usariam”, afirmou.

Apesar das declarações, Trump afirmou acreditar que ainda existe espaço para novas negociações entre os dois países.

Nova escalada militar

As declarações ocorrem em meio a uma nova rodada de ataques entre Estados Unidos e Irã.

Ao longo dessa terça-feira (7/7), o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter bombardeado mais de 80 alvos iranianos, alegando que a ofensiva foi uma resposta a supostos ataques do Irã contra três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz.

Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter lançado uma operação conjunta com mísseis e drones contra instalações militares norte-americanas no Bahrein e no Kuwait.

Segundo comunicado divulgado pelo grupo, foram atingidas 85 instalações estratégicas dos Estados Unidos, em uma ação descrita por Teerã como a “resposta inicial” à ofensiva americana.

A nova troca de ataques eleva novamente a tensão no Oriente Médio e coloca em risco os esforços diplomáticos iniciados nas últimas semanas para encerrar o conflito entre Washington e Teerã.