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Enviadas especiais a Chapecó (SC) – Com olhar perdido, como quem busca respostas para a tragédia, Braulio Ebeliny, 41 anos, estava na porta da Catedral Santo Antônio, em Chapecó (SC) quando a reportagem do Metrópoles o encontrou. Na manhã desta quarta-feira (30/11), ele acordou, vestiu o uniforme de mototaxista e ainda tentou trabalhar. “Eu já perdi meu irmão, se perder o emprego, como que vou fazer?”, questionou.

Mas, no momento em que parou no templo religioso e viu as flores que havia deixado no dia anterior em homenagem às vítimas do acidente aéreo com o avião da Chapecoense, Braulio desabou. O mototaxista é irmão do radialista Edson Luiz Ebeliny, 39, da Rádio Super Condá, uma das pessoas que morreram na tragédia ocorrida nesta terça-feira (29) na Colômbia. Ao todo, 71 passageiros perderam a vida e seis sobreviveram.

Braulio recebeu a notícia do acidente quando voltava do trabalho, já de madrugada de terça (29). “A gente teve uma vida muito difícil, sabe? Foi ele, quando começou a melhorar de vida, quem nos ajudou. Essa bota que eu estou usando foi ele que me deu. Está todo mundo desolado. Meu pai chegou a falar em se matar. Ninguém sabe como vai fazer para continuar”, diz Braulio.

A maneira como o radialista Edson Luiz entrou na profissão deixa claro como estar naquele avião, com o time da Chapecoense e 21 jornalistas, era a realização de um sonho. Vendedor de picolés, ele comercializava o produto na porta das rádios de Chapecó, até que convenceu alguém a contratá-lo como “puxador de fio”. Nos últimos anos, virou o repórter Edson Luiz Picolé.

O irmão, simples, conta orgulhoso como Edson já era reconhecido por onde passava. “Lá na rádio até a filhinha dele, de apenas 9 anos, às vezes, fazia alguns comerciais. Ele queria que ela seguisse o mesmo caminho”, declarou. Segundo Braulio, já o filho mais novo ainda pergunta por que o pai ainda não voltou para casa.

Confira o vídeo com a entrevista com Braulio, irmão do radialista Edson Luiz Ebeliny:

 

 

 

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