Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
Mundo

Traficante do CV foi expulso do Exército da Ucrânia por uso de drogas

De acordo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, membro do Comando Vermelho viajou à Ucrânia para aprender técnicas de guerra

03/02/2026 02:00, atualizado 03/02/2026 07:06
Compartilhar notícia
Material cedido ao Metrópoles
Philippe Marques Pinto, de 29 anos

Uso de drogas e episódios de indisciplina deram um fim ao intercâmbio de um traficante ligado ao Comando Vermelho (CV) que viajou à Ucrânia para aprender técnicas de guerra no conflito do Leste Europeu. A informação foi confirmada por fontes ligadas à diplomacia ucraniana ao Metrópoles, que conversaram com a reportagem sob condição de anonimato.


Estrangeiros na guerra da Ucrânia

  • Desde o início do conflito na Ucrânia, brasileiros e cidadãos de outros países têm se unido às forças ucranianas na guerra contra a Rússia.
  • A principal porta de entrada de estrangeiros no conflito acontecia por meio da Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia, criada em 2022 na tentativa de contornar a superioridade militar russa.
  • Segundo informações do governo ucraniano, todos estrangeiros que se voluntariaram a ingressar na unidade militar assinavam contratos com as Forças Armadas da Ucrânia.
  • Por isso, Kiev afirma que os combatentes estrangeiros não são mercenários, que participam de conflitos sem um vinculo oficial com alguma das partes em conflitos, visando apenas ganhos financeiros.
  • A Legião Internacional da Ucrânia foi desmantelada em novembro de 2025, e suas tropas foram integradas à estrutura regular da defesa ucraniana.
  • De acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, 17 brasileiros morreram na guerra entre Ucrânia e Rússia. Outros 42 seguem desaparecidos.
  • Também existem registros de brasileiros que se juntaram às forças russas por meio de contratos militares.

O caso foi revelado em novembro do último ano pela Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ). Segundo a corporação, o homem de 29 anos viajou ao menos três vezes para a Europa, entre 2023 e 2025. Lá, informou a Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), o homem teria ingressado no conflito entre Ucrânia e Rússia para importar técnicas de guerra ao Brasil.

Identificado como Philippe Marques Pinto, de 29 anos, o brasileiro seria ligado a Antônio Hilário Ferreira, também conhecido como Rabicó, apontado por autoridades como o chefe do CV no Complexo do Salgueiro, localizado em São Gonçalo (RJ).

Registros obtidos pela coluna Mirelle Pinheiro mostram o membro do CV utilizando trajes militares e portando armas de grosso calibre, geralmente utilizadas em zonas de conflito. Em uma delas, é possível ver o jovem vestido em um traje militar com a bandeira da Ucrânia, sinalizando que atuava ao lado de forças ucranianas.

Traficante do CV foi expulso do Exército da Ucrânia por uso de drogas - destaque galeria
3 imagens
O símbolo nacional é visto em uniformes militares da Ucrânia
Traficante do CV foi expulso do Exército da Ucrânia por uso de drogas - imagem 3
Philippe Marques Pinto, de 29 anos
1 de 3

Philippe Marques Pinto, de 29 anos

Material cedido ao Metrópoles
O símbolo nacional é visto em uniformes militares da Ucrânia
2 de 3

O símbolo nacional é visto em uniformes militares da Ucrânia

KIRILL CHUBOTIN / Ukrinform/Future Publishing via Getty Images
Traficante do CV foi expulso do Exército da Ucrânia por uso de drogas - imagem 3
3 de 3

Arte/Metrópoles

Fontes diplomáticas confirmaram que Phillipe esteve ligado ao Exército da Ucrânia por um tempo, até ser expulso por casos de indisciplina e o uso de entorpecentes. Autoridades afirmam, ainda, que a ligação do jovem com o crime organizado no Brasil não era do conhecimento de Kiev. 

Ainda não está claro se o membro do Comando Vermelho ingressou no conflito como outros brasileiros, que se voluntariaram para lutar contra a Rússia pela extinta Legião Internacional de Defesa Territorial da Ucrânia. Ou se, no caso de Phillipe, foi parar na guerra por meio de outro tipo de contrato, conforme prevê o governo ucraniano.

O Metrópoles questionou a Polícia Civil do Rio de Janeiro sobre o andamento das investigações e solicitou informações sobre o paradeiro do membro do CV, que segue incerto. Até a publicação desta reportagem, não houve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.