Suspensão de chefe do Tribunal Constitucional gera manifestação na Polônia
Presidente polonês desistiu de viagem e retornou ao país após escalada da situação. Crise sobre corte começou em 2015

Um impasse sobre o Tribunal Constitucional da Polônia desencadeou um grande protesto na madrugada deste sábado (31/10) em Varsóvia. A polícia fez um cordão de isolamento na corte e informou que prendeu três pessoas. O presidente do país, Karol Nawrocki, voltou ao país e entrou no tribunal com muita dificuldade. Nawrocki estava indo a uma visita de Estado ao Senegal.
“Neste momento, o Presidente deve estar na Polônia. Interrompo o voo para o Senegal”, escreveu nas redes sociais. Um vídeo mostra ele entrando no tribunal.
Zmienił rewir, ale nawyki zostały te same.
Karol Nawrocki fizycznie atakuje kierującą Trybunałem Konstytucyjnym Panią Sędzię Annę Korwin Piotrowską. https://t.co/Cl16EgiI8g
— e-wrzosek #FBPE🇪🇺🇵🇱🏳️🌈#FundamentalRights (@e_wrzosek) October 31, 2026
A manifestação ocorre após o ministro da Justiça, Waldemar Żurek, anunciar ter solicitado a cassação da imunidade do presidente do tribunal, Bogdan Święczkowski, e do vice-presidente, Bartłomiej Sochański, para poder apresentar acusações criminais contra eles. A decisão fez o premiê Donald Tusk ser acusado de tentativa de golpe de Estado.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesSegundo o jornal Wyborcza, a decisão ocorreu após Bogdan Święczkowski impedir que cinco juízes, nomeados pela câmara baixa do parlamento polonês, exercessem suas funções. Isso porque o presidente Karol Nawrocki se recusou a aceitar o juramento deles. A ausência dos juízes impediu a aprovação da proposta de orçamento do tribunal e sua inclusão na lei orçamentária de 2027.
O presidente Karol Nawrocki criticou a destituição de Święczkowski e convocou para sábado “consultas urgentes com representantes das forças parlamentares a fim de estabilizar a situação política e restaurar a ordem constitucional”.
Entenda a situação
A disputa em torno da legitimidade do Tribunal Constitucional já dura mais de uma década. Após o partido nacionalista assumir o poder em 2015, foi promovida uma reforma no Judiciário para evitar interferências na condução do país. Uma das medidas foi a nomeação acelerada de juízes aliados. A União Europeia chegou a sancionar a Polônia por considerar que as medidas violavam a independência judicial e o Estado de Direito.
A partir de 2023, após o primeiro-ministro Donald Tusk assumir o poder, ele tem tentado retomar as exigências da União Europeia. “Restaurar o império da lei é nosso dever. Após anos de ilegalidades do PiS, este é um processo difícil, por vezes doloroso, e exige ação determinada. Não há outro caminho”, escreveu ele nas redes sociais nessa sexta (30/10). Karol Nawrocki, contudo, não concorda com as mudanças.
O embaixador dos EUA na Polônia, Tom Rose, afirmou que a situação parece um confronto sem precedentes sobre o uso do poder estatal pelo governo e a independência e autoridade de uma instituição constitucional.
“Ambos os lados oferecem relatos radicalmente diferentes sobre o que aconteceu e por quê. Seja qual for o que os fatos eventualmente estabelecerem, milhares de pessoas reunidas do lado de fora do Tribunal tornam uma situação já perigosa ainda mais explosiva. A última coisa que a Polônia precisa é de um confronto que se agrave para algo muito pior”, escreveu nas redes sociais.
