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Sob pressão, Milei enfrenta eleição que definirá o futuro do governo

Em meio a crise política e econômica, argentinos vão às urnas neste domingo (26/10) para julgar a gestão de Javier Milei e o rumo do país

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1 de 1 Imagem colorida de Javier Milei - Metrópoles - Foto: Gabriel Luengas/Europa Press via Getty Images

Os argentinos voltam às urnas neste domingo (26/10) para uma eleição que ultrapassa a rotina parlamentar. A disputa legislativa se transformou em um verdadeiro plebiscito sobre o presidente da Argentina, Javier Milei, que em menos de dois anos após chegar ao poder com promessas de “refundar o país”, encara queda de popularidade, denúncias de corrupção e uma economia ainda em turbulência.

O resultado das eleições legislativas poderá determinar não apenas o futuro do Congresso, mas a sobrevivência política do governo de Milei até 2027.

Com metade da Câmara dos Deputados (127 de 257 assentos) e um terço do Senado (24 de 72 cadeiras) em jogo, o líder argentino busca garantir sustentação para seguir com o plano econômico ultraliberal. A derrota significaria um bloqueio quase total à agenda de Milei, que depende da aprovação de reformas fiscais e trabalhistas.

Campanha sob tensão

Na quinta-feira (23/10), Milei encerrou a campanha em Rosário, em um ato marcado por símbolos grandiosos e pela retórica de confronto. Vestindo a clássica jaqueta de couro preta, Milei voltou a se autoproclamar líder do “primeiro governo libertário do mundo” e pediu tempo para “completar a reconstrução nacional”.

Apesar do impeachment do Congresso, entramos nesta eleição de cabeça erguida. A partir de domingo, a Argentina mudará radicalmente”, afirmou.

Mas a euforia do evento contrastou com o cenário político real: o governo chega às urnas enfraquecido por demissões em série, derrotas legislativas e escândalos envolvendo figuras próximas, como o ex-candidato José Luis Espert, acusado de ligações com o narcotráfico.


Pesquisas escancaram desgaste de Milei

  • Pesquisas indicam um ambiente desfavorável. Levantamento da AtlasIntel, divulgado na sexta-feira (24/10), mostra que 55,7% dos argentinos desaprovam a gestão de Milei, contra 39,9% que a aprovam.
  • É a maior diferença negativa já registrada pelo instituto desde o início do mandato.
  • Os números refletem a insatisfação com o custo de vida, o desemprego e a percepção de corrupção no governo. Entre os entrevistados, 68% acreditam que a economia “vai mal” e 70% afirmam que o mercado de trabalho piorou.
  • Apesar disso, a La Libertad Avanza, de Milei, ainda lidera ligeiramente as intenções de voto nacionais, com 41,1% — seguida pela coalizão peronista Fuerza Patria, com 37,2%.
  • Em terceiro lugar aparece o bloco Provincias Unidas, formado por governadores de diferentes províncias, com 5,8%.

Fator Trump e o peso da economia

A campanha de Milei contou com um aliado de peso: Donald Trump. O presidente norte-americano ofereceu apoio financeiro e político à Argentina, mas com uma condição explícita: a vitória de Milei nas urnas.

“Se perder, não contará conosco. Não seremos generosos”, declarou Trump durante encontro bilateral.

O governo norte-americano realizou a compra de US$ 20 bilhões em pesos argentinos em um acordo de swap cambial, garantindo fôlego temporário ao Banco Central e tentando conter a volatilidade do câmbio.

Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, classificou a votação de domingo como “mais importante do que a presidencial de 2027”. Para ele, o resultado será “um sinal ao mundo” sobre a continuidade das políticas de ajuste e o compromisso da Argentina com o equilíbrio fiscal.

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Novo sistema de votação e incertezas

Além da tensão política, esta será a primeira eleição nacional com o novo sistema de cédula única de papel (BUP), aprovado em 2024, e sem as primárias obrigatórias conhecidas como PASO. O método, mais simples e padronizado, substitui as antigas cédulas distribuídas por partidos e tem gerado dúvidas entre eleitores.

Para evitar confusões, candidatos e governadores lançaram vídeos explicativos — e até o governador de Buenos Aires, Axel Kicillof, alertou: “Faça um X, não seja criativo.”

A aposta e o risco

O objetivo do governo é alcançar ao menos um terço das cadeiras no Congresso, suficiente para aprovar medidas e barrar ações da oposição. Atualmente, a coalizão de Milei tem 79 deputados e 14 senadores, somando os aliados.

Uma vitória expressiva poderia desbloquear reformas, fortalecer o peso político do presidente e, sobretudo, reverter a narrativa de desgaste.

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