Cepa indiana faz Boris Johnson adiar fim das restrições na Inglaterra

Premiê diz que o país precisa ganhar tempo para vacinar o restante da população diante do desafio provocado pela nova variante

atualizado 14/06/2021 17:39

Reprodução/Instagram

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, confirmou nesta segunda-feira (14/6) que a última fase do plano de desconfinamento na Inglaterra, que estava prevista para acabar em 21 de junho, vai ser adiada por quatro semanas, até 19 de julho, devido ao risco de “milhares de mortes”.

Segundo o roteiro delineado por Johnson em fevereiro, o governo tinha previsto que todas as restrições sociais seriam suspensas “não antes” de 21 de junho, quando pubs, restaurantes, clubes noturnos e outros estabelecimentos de hospitalidade poderiam reabrir totalmente.

Mas nas últimas semanas houve um crescimento veloz de casos novos provocados pela Delta, variante descoberta inicialmente na Índia. Autoridades de saúde acreditam que ela seja 60% mais transmissível do que a linhagem antes predominante e cientistas já alertam para uma terceira onda de infecções.

Johnson disse que a variante Delta está “se espalhando mais rapidamente do que o previsto” e que isso está se refletindo em um aumento de hospitalizações.

“A vacinação reduz muito a transmissão, e duas doses fornecem um alto grau de proteção contra doenças graves e morte. Mas ainda existem milhões de jovens adultos que não foram vacinados e, infelizmente, uma parte dos idosos e vulneráveis ainda pode morrer, mesmo que tenham recebido duas doses”, explicou o premiê.

Diante do que classificou como uma “escolha muito difícil” entre continuar ou não com o plano, Johnson afirmou que decidiu dar aos serviços de saúde “mais algumas semanas cruciais para aplicar as vacinas restantes nos braços de quem precisa delas”.

“Acho que é sensato esperar um pouco mais”, reforçou, acrescentando que decidiu antecipar a meta de oferecer uma primeira dose a todos os adultos até 19 de julho e encurtar o intervalo para a segunda dose para os maiores de 40 anos. “A hora é de tirar o pé do acelerador.”

Embora as outras nações que integram o Reino Unido – Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte – tenham atenuado as medidas restritivas, elas ainda devem manter várias restrições para reduzir a possibilidade de infecções. Esses países tomam as suas próprias decisões em questões de saúde, com o premiê britânico se limitando a ditar regras na Inglaterra.

Índices em alta

Nos últimos sete dias, entre 8 e 14 de junho, a média diária foi de nove mortes e 7.439 casos de Covid-19, o que corresponde a uma alta de 11,9% no número de mortes e de 45,5% no número de infecções em comparação com os sete dias anteriores.

Os números estão muito abaixo das médias registradas em janeiro, quando o país chegou a registrar regularmente mais de mil mortes por dia, mas o aumento recente de novos casos vem preocupando as autoridades britânicas.

Desde dezembro foram inoculadas 41.698.429 pessoas com uma primeira dose de uma vacina contra a covid-19, o que corresponde a 79,2% da população adulta. Além disso, 29.973.779 pessoas, ou seja, 56,9% da população adulta, já receberam também a segunda dose.

Ao todo, foram notificados 127.907 óbitos por Covid-19 e 4.573.419 infecções no Reino Unido desde o início da pandemia.

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