Saiba quais são os próximos passos após ligação entre Lula e Trump
Presidentes conversaram por telefone na segunda-feira (6/10). Expectativa é que líderes se encontrem presencialmente nas próximas semanas
atualizado
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A conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump ensaiou novo passo rumo ao apaziguamento da relação entre Brasil e Estados Unidos após meses de ruídos provocados pela imposição de tarifas e sanções. Os líderes conversaram durante 30 minutos na segunda-feira (6/10) e sinalizaram reunião presencial em breve.
A partir desse primeiro contato, as equipes dos presidentes agora vão alinhar os próximos passos para avançar nas negociações sobre as taxas.
Do lado do governo brasileiro, foram designados para intermediar as conversas o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores. Já por parte do governo Trump, o responsável será o secretário de Estado americano, Marco Rubio, que já criticou o Brasil e é apontado como aliado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A expectativa é que a reunião presencial entre Lula e Trump ocorra nas próximas semanas. Os dois chegaram a trocar telefones pessoais para estabelecer comunicação direta.
Foram ventiladas ao menos três possibilidades de locais para sediar o encontro. São elas:
- A Malásia, durante a Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), marcada para começar a partir de 26 de outubro;
- A cidade de Belém (PA), à margem da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), que acontece entre 10 e 21 de novembro;
- Uma viagem do petista aos Estados Unidos.
De acordo com o Palácio do Planalto, Lula “aventou a possibilidade de encontro na Cúpula da Asean”, assim como convidou Trump para participar da COP30 e se dispôs a viajar aos Estados Unidos.
Na ligação, o chefe do Planalto pediu a revogação das tarifas impostas sobre exportações de produtos brasileiros aos EUA e a revisão das sanções contra autoridades brasileiras.
Tensões entre Brasil e EUA
- Nos últimos meses, a relação entre Brasil e Estados Unidos ficou conturbada devido à aplicação de sanções comerciais e políticas por parte do governo norte-americano.
- As medidas vieram na esteira do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado de Trump, que foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma trama golpista que buscava mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.
- O presidente norte-americano chegou a acusar o país de promover uma “caça às bruxas” contra Bolsonaro, a família e os apoiadores.
- Atualmente, o governo dos EUA sanciona por meio da Lei Magnitsky o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e a sua esposa, Viviane Barci de Moraes.
- A Casa Branca também retirou os vistos de turistas de algumas autoridades brasileiras, entre elas o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
- Como mostrou o Metrópoles, o governo de Trump discute a aplicação da Lei Magnitsky, que tem como objetivo punir autoridades internacionais acusadas de violação aos direitos humanos, contra mais ministros da Suprema Corte: Gilmar Mendes e Flávio Dino. Ambos se manifestam em defesa de Moraes e criticaram as medidas impostas pelos EUA.
Acenos de Trump
No fim de setembro, durante a abertura da 80ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), os líderes se encontraram rapidamente e, após um abraço, segundo disse Trump no púlpito do evento, combinaram de agendar uma reunião para tratar das tarifas impostas a produtos brasileiros.
Na ocasião, Trump falou que os dois tiveram “uma química excelente” e sinalizou interesse em negociar com o presidente brasileiro.
Nesta segunda, após a ligação com Lula, Trump classificou o presidente brasileiro como um “bom homem”.
Durante conversa com jornalistas no Salão Oval, o republicano ainda afirmou que fará “negócios” com o petista. Ele, porém, se recusou a responder se considera reduzir a tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros.
Além disso, Trump voltou a afirmar que deve se reunir, em breve, com o presidente do Brasil — mas desconversou se o encontro pode acontecer na COP30. “Em algum momento eu irei [ao Brasil], e ele vai vir aqui [nos EUA]”, disse o presidente dos EUA. “Nós conversamos sobre isso.”








