Rússia diz ter abatido 660 drones em ofensiva recorde da Ucrânia
Ataque atingiu mais de 10 regiões russas e danificou fábrica apontada por Kiev como estratégica para a produção de explosivos

A Rússia afirmou, nesta sexta-feira (26/6), ter interceptado e destruído 660 drones ucranianos durante a madrugada, no que foi classificado como o maior ataque aéreo com veículos não tripulados lançado por Kiev contra território russo neste ano.
Segundo o Ministério da Defesa russo, os drones foram abatidos sobre as regiões de Belgorod, Bryansk, Kursk, Oryol, Kaluga, Lipetsk, Rostov, Voronezh, Tula, Ryazan, Astrakhan, Moscou, além da Crimeia — anexada pela Rússia em 2014 — e das águas dos mares Negro e de Azov.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, informou que 47 drones foram neutralizados nos arredores da capital. Outros 13 foram abatidos na região de Kaluga e 15 na região de Rostov. Segundo as autoridades, equipes de emergência foram mobilizadas para atender os locais onde destroços caíram.
Não houve registro de vítimas na capital.
Já na região de Tula, cerca de 180 quilômetros ao sul de Moscou, o governador Dmitry Milyayev classificou a ofensiva como um ataque “em larga escala”. De acordo com ele, uma instalação industrial em Novomoskovsk e uma linha de transmissão de energia foram danificadas. Uma mulher ficou ferida após uma residência ser atingida no distrito de Shchekino.
Reportagens de canais russos e ucranianos no Telegram identificaram a instalação atingida como a fábrica química Azot. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, já havia descrito a unidade como estratégica para a produção de explosivos utilizados pela Rússia na guerra.
A empresa se apresenta como a maior fabricante russa de amônia e fertilizantes nitrogenados e já havia sido alvo de drones ucranianos em 14 de junho.
Estratégia de Kiev
- Nos últimos meses, a Ucrânia intensificou os ataques de longo alcance contra o território russo, mirando principalmente refinarias de petróleo, terminais de combustíveis, portos e instalações industriais ligadas ao setor energético e à indústria de defesa.
- A estratégia busca reduzir a capacidade de Moscou de financiar e sustentar a campanha militar, além de dificultar reparos ao atingir repetidamente as mesmas instalações.
- Na última semana, outro ataque ucraniano provocou um incêndio de grandes proporções em uma refinaria ao sudeste de Moscou.
Apesar da intensificação dos combates, Rússia e Ucrânia realizaram nesta sexta uma nova troca de prisioneiros de guerra. Segundo o Ministério da Defesa russo, 160 militares russos foram libertados e enviados para Belarus, onde receberão atendimento médico e psicológico antes de retornarem ao país.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, informou que 160 soldados ucranianos também foram repatriados. Segundo ele, a maioria estava em cativeiro desde 2022, após ser capturada durante combates em Mariupol, Zaporizhzhia, Kiev e Sumy.
A troca faz parte do acordo firmado entre Kiev e Moscou em maio, que prevê a libertação gradual de mil prisioneiros de cada lado.








