Reino Unido libera tecnologia para produção de mísseis na Ucrânia
Durante visita a Kiev, premiê britânico anuncia acesso a tecnologia sigilosa para mísseis, enquanto Macron cobra mais interceptadores

O Reino Unido e a França anunciaram, nesta segunda-feira (24/8), novas medidas para ampliar o apoio militar à Ucrânia, durante uma reunião da chamada “Coalizão dos Dispostos”, em Kiev.
Os compromissos foram apresentados no mesmo dia em que o país celebrou o 35º aniversário de sua independência da União Soviética, em meio à intensificação dos ataques russos.
Em sua primeira viagem internacional desde que assumiu o cargo, no mês passado, o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou que os aliados precisam fazer “tudo o que pudermos” para reforçar a defesa ucraniana. O presidente francês, Emmanuel Macron, que participou da reunião por videoconferência, defendeu a aceleração das entregas de mísseis de defesa aérea.
A principal medida anunciada por Londres é a autorização para que a empresa europeia de defesa MBDA compartilhe com a Ucrânia informações técnicas classificadas sobre componentes britânicos dos mísseis de cruzeiro Storm Shadow/SCALP. O objetivo é permitir que Kiev e Paris avancem na criação de linhas de montagem desses armamentos em território ucraniano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO SCALP é a versão francesa do Storm Shadow, desenvolvido conjuntamente por Reino Unido e França. Os mísseis são lançados por aeronaves e têm capacidade de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância, permitindo ataques contra posições militares e estruturas estratégicas em profundidade no território controlado pela Rússia.
“Estamos com vocês nesta luta até o fim, de corpo e alma”, disse.
Zelensky pede mais defesa aérea
A ampliação da capacidade de produção de mísseis ocorre enquanto a Ucrânia enfrenta uma grave escassez de sistemas de defesa capazes de interceptar os ataques russos. Segundo Zelensky, Kiev precisa de pelo menos 300 interceptadores Patriot para atravessar o inverno e se preparar para uma nova onda de ataques contra a infraestrutura energética.
Os sistemas Patriot, de fabricação norte-americana, são considerados essenciais para a defesa contra mísseis balísticos russos. Zelensky também pediu aos aliados um pacote de defesa aérea antes que Moscou intensifique os ataques contra instalações de energia durante os meses mais frios.
Macron reforçou a cobrança. Segundo o presidente francês, a sequência de ataques letais contra cidades ucranianas nas últimas semanas demonstra a necessidade de acelerar o envio de interceptadores.
Além da necessidade de armamentos, o ucraniano ressaltou que a Ucrânia enfrenta um déficit de US$ 27 bilhões no financiamento de sua defesa neste ano. O presidente sugeriu que os ativos russos congelados no exterior sejam utilizados para ajudar a cobrir a necessidade financeira.
Kremlin acusa Londres de “jogar lenha na fogueira”
A decisão britânica provocou reação imediata do Kremlin. O porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que o compartilhamento de informações confidenciais sobre os mísseis representa mais uma escalada no conflito.
Moscou classificou a medida como uma forma de “jogar mais lenha na fogueira” e acusou Londres de tentar impedir avanços nas negociações para um acordo de paz. O Kremlin afirmou ainda que acompanha a expansão da produção de armamentos ucranianos e que trabalha para identificar instalações relacionadas à fabricação de mísseis e outros equipamentos militares.








