Quase 100 mil pessoas fogem de suas casas no Iêmen em meio a conflito
Iêmen voltou a ser palco de conflitos entre o grupo Houthis e forças da coalizão internacional liderada pela Arábia Saudita

Quase 100 mil pessoas fugiram de suas casas no Iêmen após a escalada no conflito entre os Houthis, que controlam o norte do país e a costa iemenita, e forças da coalizão militar internacional liderada pela Arábia Saudita. A informação foi divulgada nesta terça-feira (15/9) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
De acordo com a agência da Organização das Nações Unidas (ONU), 93.864 mil pessoas foram deslocadas no território iemenita desde o início deste mês, quando a violência no país aumentou.
O relatório da OIM aponta que as pessoas deslocadas viviam no sudoeste do Iêmen, onde está localizada a costa do Iêmen recentemente ocupada pelos Houthis. A região liga o país ao Mar Vermelho, e é estratégica para o controle do Estreito de Bab el-Mandeb.

Além de pessoas que buscam refúgio em outras áreas do Iêmen, mais de 2,4 mil pessoas fugiram para Djibuti nos últimos quatro dias, informou a Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA ONU estima que mais de 20 milhões de iemenitas necessitam de ajuda humanitária, ao passo em que a entrada de assistência no país segue prejudicado por danos em estradas do Iêmen e o cenário de insegurança.
O que está acontecendo?
O Iêmen voltou a enfrentar episódios de violência em julho deste ano, após os Houthis acusarem a Arábia Saudita de atacar o Aeroporto Internacional de Sanaa. O terminal está localizado na capital do país, um dos locais controlados pelo grupo iemenita desde meados de 2014.
Em resposta, a organização passou a atacar o território saudita, que provocaram reações das forças sauditas.
Além da troca de ataques mútuos, os Houthis avançaram sobre a costa do Iêmen, e tomaram o controle do local que dá acesso ao Mar Vermelho — onde está localizado o Estreito de Bab el-Mandeb.
A via marítima era utilizada pela Arábia Saudita como alternativa para escoar sua produção de petróleo em meio ao bloqueio do Estreito de Ormuz, imposto pelo Irã. Mas, com a retomada das hostilidades, o grupo iemenita passou a impedir a passagem de embarcações sauditas pelo local.
Desde 2015, a Arábia Saudita lidera uma coalizão militar que entrou em guerra com os Houthis, apoiados pelo Irã, em favor do governo iemenita internacionalmente reconhecido.
Em 2022, a ONU firmou um acordo de cessar-fogo entre os dois lados envolvidos na guerra. A trégua, no entanto, sempre se mostrou frágil com ataques ocasionais sendo registrados nos últimos anos entre os dois lados.



