Primeiro-ministro da França condena violência em protestos estudantis
Sebastien Lecornu declarou que 215 alunos e 85 funcionários ficaram feridos durante onda de atos contra condições nas escolas na França
06/10/2026 17:07

O primeiro-ministro da França, Sebastien Lecornu, condenou, nesta terça-feira (6/10), a violência registrada durante os protestos estudantis que se espalharam pelo país e atingiram escolas de ensino médio.
Em sessão de perguntas e respostas na Assembleia Nacional, o premiê afirmou que 215 alunos e 85 funcionários ficaram feridos na recente onda de confrontos.
Segundo Lecornu, trata-se do maior número de vítimas em décadas entre funcionários públicos do sistema nacional de educação. A declaração ocorreu enquanto manifestações eram realizadas em diferentes cidades francesas e a polícia utilizava gás lacrimogêneo para dispersar participantes.
O primeiro-ministro também saiu em defesa das forças de segurança e rejeitou acusações de uso deliberado de força excessiva e racismo por parte dos policiais. Segundo ele, há “mentiras” sendo disseminadas sobre a atuação dos agentes.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA resposta do governo ocorre em meio a críticas de estudantes, associações de pais e grupos de defesa dos direitos humanos, que acusam as autoridades de utilizar força desproporcional contra menores de idade.
Como os protestos começaram?
- A onda de manifestações começou em 21 de setembro, em uma escola de ensino médio na região metropolitana de Paris.
- Estudantes se juntaram a professores em uma mobilização contra a falta de funcionários e de recursos para manter as atividades da instituição.
- A escola recebeu profissionais adicionais e a greve dos professores terminou.
- Nos dias seguintes, estudantes passaram a bloquear escolas e organizar manifestações.
- O movimento também registrou incêndios de lixeiras, barricadas e confrontos com policiais.
- Mais de 100 escolas tiveram algum tipo de dano desde o início dos protestos.
- As manifestações são motivadas principalmente por problemas estruturais no sistema educacional francês.
- Estudantes e professores reclamam da falta de profissionais, da superlotação e da infraestrutura insuficiente.
- As escolas de ensino médio têm atualmente menos professores do que em 2008, apesar de 250 mil alunos a mais.
- No ensino público, 70% das salas têm mais de 30 estudantes.
Ao defender a atuação da polícia, o governo francês afirmou que os protestos deixaram de ser exclusivamente estudantis e passaram a envolver episódios de violência urbana. As autoridades também sustentam que os atos foram infiltrados por “pessoas de fora” do movimento estudantil, responsáveis por parte dos confrontos e danos registrados durante as manifestações.
A avaliação é contestada por estudantes e organizações de direitos humanos, que questionam a dimensão da resposta policial e denunciam o uso excessivo da força.
O debate ganhou ainda mais força após registros de confrontos entre policiais e manifestantes, incluindo o uso de gás lacrimogêneo para dispersar grupos durante os atos desta terça-feira.
Apesar do discurso mais duro de Lecornu sobre a violência, o governo também reconheceu a existência de problemas nas escolas.
O ministro da Educação, Édouard Geffray, afirmou que o sistema precisa de mudanças, especialmente no ensino médio.
“De forma simples e muito clara: hoje, precisamos fazer mais e melhor”, declarou.









