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Mundo

Presidente do Paraguai, Santiago Peña é de direita ou esquerda? Entenda

Filiado ao Partido Colorado, o político tem perfil conservador e defende uma economia baseada no livre mercado

05/11/2026 14:39, atualizado 05/11/2026 15:21
Agencia Press South/Getty Images
Santiago Peña, presidente do Paraguai

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que renunciou ao cargo nesta quinta-feira (5/11), faz parte de um grupo de direita e se considera conservador nos costumes e liberal na economia.

Penã é filiado ao Partido Colorado, oficialmente chamado de Associação Nacional Republicana (ANR), uma das principais forças políticas do país e uma das legendas mais tradicionais da América do Sul. O partido é de direita e tem como ideologia o conservadorismo, liberalismo econômico e nacionalismo paraguaio.

Peña foi eleito presidente em abril de 2023, quando derrotou Efraín Alegre, candidato da oposição. Ele sucedeu Mario Abdo Benítez, também integrante do Partido Colorado.

A legenda está no centro da política paraguaia há décadas e é historicamente identificada com posições conservadoras e nacionalistas. Peña integra o movimento interno cartista, ligado ao ex-presidente Horacio Cartes, que apoiou sua candidatura.

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Em entrevistas, Peña defendeu a manutenção de impostos baixos e de um ambiente favorável aos negócios. O político costuma apresentar o Paraguai como um país com potencial para receber investimentos e ampliar a participação no comércio internacional. Apesar da identificação com a direita econômica, ele já afirmou que considera necessário combinar a atuação do setor privado com a presença do Estado em áreas como saúde, educação e segurança.

Na área social, Peña mantém posições conservadoras e defende valores tradicionais, especialmente em relação à família. O presidente já se manifestou contra a legalização do aborto e do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em 2024, afirmou que a sociedade paraguaia é conservadora e que a Constituição do país estabelece a união entre homem e mulher como base da família.

Apesar desse posicionamento, Peña já declarou que sua visão política não deve ser resumida à oposição entre esquerda e direita. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, em 2023, reconheceu que seu perfil poderia ser visto como mais próximo da direita, mas disse defender uma política voltada ao desenvolvimento do Paraguai e à busca de equilíbrio entre o papel do Estado e a economia de mercado.


Carreira política

  • É graduado em Economia pela Universidad Católica Nuestra Señora de la Asunción, no Paraguai.
  • Começou a carreira profissional no Banco Central do Paraguai.
  • Fez pós-graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI), no departamento voltado a assuntos relacionados à África.
  • Ao retornar ao Paraguai, voltou ao Banco Central e, em 2015, assumiu o Ministério da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes. Permaneceu no cargo até 2017.
  • Durante a passagem pelo ministério, filiou-se ao Partido Colorado, legenda de direita e tradicional na política paraguaia.
  • Em 2018, disputou as eleições internas do Partido Colorado, mas perdeu para Mario Abdo Benítez.
  • Cinco anos depois, voltou a disputar a Presidência e venceu Efraín Alegre. Assumiu o governo em agosto de 2023.

Renúncia em meio à crise

A saída de Peña ocorreu após a crise provocada pelo Ueno Bank. Em 3 de novembro, o Banco Central paraguaio determinou a suspensão das operações da instituição e iniciou um procedimento de resolução, após considerar que o banco não tinha condições de honrar seus compromissos financeiros.

A relação do presidente com o grupo controlador do banco levou parlamentares da oposição a apresentar um pedido de julgamento político. A crise também atingiu a cúpula do Banco Central, com a renúncia do presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, e de outros dois integrantes da diretoria.