Presidente do Irã diz que ameaças dos EUA demonstram “sinal de desespero”
A declaração veio após EUA ameaçar nesta quarta-feira (10/6) uma nova onda de ataques ao Irã
atualizado
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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta quarta-feira (10/6) que as ameaças dos Estados Unidos de atacar infraestruturas estratégicas iranianas demonstram fragilidade, e não força.
A declaração ocorre após o presidente norte-americano, Donald Trump, voltar a ameaçar ações militares contra o país em meio ao impasse nas negociações para encerrar o conflito no Oriente Médio.
As ameaças, aliás, foram confirmadas na noite desta quarta, no horário de Brasília, com ataques norte-americanos ao Irã.
Em publicação na rede social X, Pezeshkian criticou o fato.
“A infraestrutura crítica é a força vital do povo. Ameaçar esses setores não é uma demonstração de poder, mas um sinal de desespero diante da vontade de uma nação”, escreveu o presidente iraniano.
Pezeshkian também afirmou que o Irã continuará enfrentando pressões externas com base na capacidade de seus especialistas e na união da população.
As declarações foram uma resposta às falas de Donald Trump, que indicou nesta quarta-feira que os Estados Unidos poderão retomar os ataques contra alvos iranianos caso não haja avanços significativos nas negociações em andamento.
“Vamos atacá-los, atacá-los com muita força”, afirmou o republicano durante conversa com jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
Trump também sugeriu que a derrubada de um helicóptero Apache do Exército norte-americano na costa de Omã seria um dos fatores que justificariam uma nova ofensiva militar contra o Irã.
A troca de declarações amplia a tensão entre Washington e Teerã em um momento de incerteza sobre o futuro das negociações diplomáticas e da estabilidade na região.
EUA voltará a atacar o Irã
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quarta-feira (10/6) que as forças norte-americanas poderão realizar novos ataques contra o Irã ainda nesta noite. A declaração foi feita durante uma visita ao Comando Central dos EUA (Centcom), na Flórida, responsável pelas operações militares americanas no Oriente Médio.
“Os ataques ao Irã que acontecerão esta noite serão claros e fortes”, declarou Hegseth a militares da base.
Segundo o chefe do Pentágono, uma eventual ofensiva teria como objetivo aumentar a pressão sobre Teerã para que avance nas negociações com Washington. As conversas entre os dois países seguem travadas devido a divergências sobre os termos de um possível acordo, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano.
Mais cedo, o presidente Donald Trump também adotou um tom ameaçador ao comentar o conflito. Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, o republicano afirmou que o Irã poderá ser alvo de novos bombardeios caso continue resistindo às exigências americanas.
“Vamos atacá-los novamente com muita força”, disse Trump.
As declarações ocorrem um dia após os Estados Unidos realizarem uma nova ofensiva contra alvos iranianos, a segunda desde o início do cessar-fogo firmado entre os dois países em abril. Segundo o governo norte-americano, a ação foi motivada pela queda de um helicóptero militar dos EUA na região do Estreito de Ormuz, episódio que Washington atribui ao Irã.
Além de instalações militares no sudeste iraniano, os ataques também atingiram áreas próximas à cidade portuária de Bandar Abbas, considerada estratégica para o comércio e a logística do país.
Em resposta, o Irã lançou mísseis e drones contra bases militares norte-americanas localizadas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein, ampliando o risco de uma escalada militar na região.