Presidente do Equador propõe ação da ONU contra o crime organizado
Noboa defendeu em seu discurso no plenário da ONU rastrear dinheiro ilícito e ampliar troca de informações entre forças de segurança

O presidente do Equador, Daniel Noboa, defendeu, nesta quarta-feira (23/9), a criação de mecanismos internacionais para ampliar o combate ao crime organizado transnacional.
Durante discurso na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, o equatoriano afirmou que os grupos criminosos já atuam de forma integrada entre diferentes países e cobrou uma resposta coordenada dos governos.
“Os criminosos já globalizaram sua cooperação, compartilhando rotas, logística, finanças e tecnologia sem burocracia, desconfiança ou atrasos. É inaceitável que organizações criminosas cooperem entre si de forma mais eficaz do que os Estados”, declarou.
Propostas
O presidente apresentou três propostas para fortalecer a cooperação internacional.
- A criação, no âmbito da ONU, de um mecanismo para rastrear e congelar fluxos financeiros ilícitos ligados ao crime organizado transnacional;
- Uma plataforma permanente para o compartilhamento de informações entre forças policiais, procuradorias e unidades de inteligência financeira.
- Que a ONU incorpore o crime organizado transnacional como uma prioridade na prevenção de conflitos e tenha capacidade para apoiar países que solicitarem assistência.
Aliado de Washington
O discurso ocorre em meio à aproximação do Equador com os Estados Unidos na área de segurança. O governo de Noboa é um dos principais aliados de Washington na América Latina, e os dois países ampliaram a cooperação no combate a organizações criminosas em território equatoriano.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesEquador e Estados Unidos integram o Escudo das Américas, aliança de segurança promovida por Donald Trump, para ampliar a cooperação regional contra o crime organizado e o narcotráfico.
A aproximação ganhou novo impulso em setembro, durante visita do secretário de Estado americano, Marco Rubio, ao Equador. Na ocasião, os Estados Unidos designaram a organização criminosa equatoriana Los Tiguerones como Organização Terrorista Estrangeira (FTO, na sigla em inglês) e Terrorista Global Especialmente Designado (SDGT).
A designação foi anunciada durante uma agenda bilateral centrada em segurança e combate ao narcotráfico.
Plano de segurança
Em julho, Noboa oficializou o Plano Nacional Integral de Segurança 2025-2029 como política pública de Estado. A estratégia estabelece uma ação coordenada de diferentes instituições do governo para enfrentar o crime organizado.
O plano é executado sob responsabilidade da Presidência, dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, do Centro Nacional de Inteligência e da Secretaria Nacional de Gestão de Riscos.
Entre os objetivos estão ampliar o controle do território, antecipar e neutralizar ameaças por meio da atuação coordenada do Estado, reestruturar o sistema penitenciário e fortalecer as instituições democráticas.
A estratégia também prevê a distribuição de recursos entre desenvolvimento, segurança e defesa.









