Premiê libanês faz apelo ao Irã: “Esta não é a nossa guerra”

A declaração ocorre em meio às tensões envolvendo Israel, Irã e o grupo Hezbollah, que mantém forte influência no sul do Líbano

atualizado

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Premiê do Líbano Nawaf Salam
1 de 1 Premiê do Líbano Nawaf Salam - Foto: Reprodução/X

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam (foto em destaque), fez um apelo público ao Irã para que o país deixe de utilizar o território libanês como instrumento em disputas e negociações regionais.

Em uma série de mensagens publicadas nas redes sociais, o líder libanês afirmou que o interesse nacional deve prevalecer sobre qualquer agenda externa e criticou a continuidade dos conflitos que afetam o sul do país.

Segundo Salam, a população libanesa não pode continuar pagando o preço de decisões tomadas por outros atores da região.

“O interesse do Líbano e do seu povo está acima de qualquer outro interesse, pois não é admissível que o Líbano permaneça como arena para as guerras dos outros”, escreveu.

O premiê também defendeu que as decisões relacionadas à guerra e à paz estejam exclusivamente sob responsabilidade do Estado libanês.

Nenhuma guerra pode ser travada em nosso nome sem nos consultar, e nenhuma decisão de guerra ou paz pode permanecer fora do nosso Estado”, ressaltou.

As declarações ocorrem em meio às tensões envolvendo Israel, Irã e o grupo Hezbollah, que mantém forte influência no sul do Líbano. Salam argumentou que o país está sendo arrastado para um conflito que não representa os interesses da população libanesa.

Esta guerra não é a nossa guerra, e ela não é travada por nós, mas em nossa terra e às custas do nosso povo”, declarou. Segundo ele, os moradores do sul do país voltam a sofrer as consequências de confrontos decorrentes de decisões sobre as quais não têm controle.

O primeiro-ministro também alertou para o agravamento da crise humanitária e defendeu a necessidade de um cessar-fogo. Para Salam, a continuidade das hostilidades aprofunda os impactos sobre a população civil e dificulta a busca por estabilidade na região.

Em uma das mensagens mais diretas, o chefe de governo pediu que Teerã deixe de utilizar o sul do Líbano como instrumento de pressão em negociações internacionais.

“Uma palavra ao Irã: que poupe o nosso sul e pare de tratá-lo e ao seu povo como mera peça para melhorar as condições de suas negociações”, afirmou.

Salam concluiu reforçando a soberania libanesa e rejeitando qualquer tentativa de transformar o país em palco para disputas externas.

“O Líbano não é uma peça na mesa de ninguém, e o sul não é uma frente reserva para ninguém”, escreveu.

Cessar-fogo frágil no Líbano

Israel e Líbano chegaram a um acordo para implementar um cessar-fogo condicionado à interrupção completa dos ataques realizados pelo Hezbollah.

Pelo entendimento, o grupo xiita libanês apoiado pelo Irã deverá retirar seus combatentes da região ao sul do rio Litani, localizada a aproximadamente 30 quilômetros da fronteira israelense.

Como parte do acordo, os dois países, que não possuem relações diplomáticas formais, também se comprometeram a acelerar a criação de zonas-piloto, que ficarão sob responsabilidade exclusiva das Forças Armadas Libanesas.

O encontro marcou a quarta rodada de negociações diretas entre representantes dos dois governos em Washington.

Segundo a declaração conjunta, Israel e Líbano também concordaram em participar de uma nova rodada de conversas na semana de 22 de junho, com o objetivo de avançar na construção de um acordo mais amplo e duradouro.

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O Hezbollah rejeitou, nessa quarta-feira (3/6), o acordo de cessar-fogo firmado entre Israel e o Líbano com mediação dos Estados Unidos. O entendimento previa, entre outros pontos, a retirada dos combatentes do grupo xiita das regiões do sul do território libanês próximas à fronteira israelense.

Em pronunciamento, o secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem, criticou duramente os termos do acordo e afirmou que a exigência de desarmamento da organização representa uma ameaça à soberania do país.

“Tornar o desarmamento da resistência o ponto de partida de qualquer acordo equivale a destruir o poder do Líbano e constitui uma ameaça existencial para o povo resistente”, declarou.

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