Por que o petróleo da Venezuela é tão estratégico para os EUA?

Reservas gigantes, refinarias adaptadas e disputa geopolítica explicam o interesse de Washington no petróleo venezuelano

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A crise entre Estados Unidos e Venezuela tem um elemento central que atravessa governos e décadas de tensão diplomática: o petróleo.

O tema voltou ao centro do debate internacional nos últimos dias diante da captura do presidente da Venezuela, Nicolas Maduro. O líder foi levado de Caracas, na Venezuela, para Nova York, nos EUA, sob justificativa de chefiar um cartel de drogas.

Dono das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, a Venezuela ocupa uma posição estratégica que vai muito além da economia local e ajuda a explicar por que os EUA nunca se afastaram completamente dos debates sobre o país.

Mesmo após anos de sanções, queda de produção e isolamento internacional do regime de Maduro, o petróleo venezuelano segue sendo visto pelos EUA como um ativo político e econômico de longo prazo.

Reservas de petróleo

A Venezuela concentra mais de 300 bilhões de barris de petróleo em reservas comprovadas, superando Arábia Saudita, Irã e Canadá. Na prática isso significa que o país guarda uma das maiores poupanças energéticas do mundo, ainda que hoje produza muito abaixo do potencial.

A produção venezuelana despencou na última década por uma combinação de má gestão, falta de investimentos, corrupção e sanções internacionais. Mesmo assim, especialistas apontam que, com capital e tecnologia, o país poderia voltar a ser um grande fornecedor global.

Para os Estados Unidos, esse volume representa uma garantia estratégica de reservas abundantes em um país relativamente próximo e fora das rotas mais instáveis do Oriente Médio.

O tipo de petróleo que interessa aos EUA

Outro fator está na qualidade do petróleo venezuelano. Ele é pesado e rico em enxofre, um tipo considerado mais difícil de refinar. O detalhe é que muitas refinarias dos EUA, especialmente no Golfo do México, foram projetadas exatamente para esse tipo de óleo.

Durante décadas, essas refinarias processaram petróleo da Venezuela de forma eficiente e barata, graças à proximidade geográfica e à infraestrutura integrada entre os dois países. Com as sanções, os EUA tiveram de buscar fornecedores alternativos.

Ou seja, o petróleo venezuelano se enquadra melhor no parque de refino americano do que o petróleo leve produzido internamente pelos EUA.

Segurança energética 

Mesmo com o aumento da produção doméstica, os EUA tratam energia como questão de segurança nacional. Ter acesso, direto ou indireto,  a grandes reservas ajuda Washington a:

  • Reduzir impactos de crises internacionais no preço do petróleo;
  • Manter influência sobre o mercado global de energia;
  • Evitar dependência excessiva de países adversários.

Controlar fluxos energéticos significa controlar parte da economia mundial. O petróleo continua sendo um dos principais motores da inflação, do crescimento e da estabilidade política em diversos países.

O interesse americano também é impulsionado pela presença crescente de China e Rússia na Venezuela. Pequim, por exemplo, é hoje um dos principais destinos do petróleo venezuelano e financiou projetos bilionários no país nos últimos anos.

Para os EUA, perder espaço em um país com tamanho peso energético significa abrir uma porta estratégica no Ocidente para seus principais rivais globais.

A disputa, portanto, não é apenas por barris de petróleo, mas por influência política e econômica em uma região historicamente sensível aos EUA

Relação entre os países 

Nos últimos anos, os Estados Unidos passaram a adotar uma postura mais flexível com relação a Venezuela. Em momentos de pressão no mercado internacional, como guerras ou cortes de produção da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep, a Casa Branca flexibilizou sanções e autorizou operações limitadas de empresas americanas na Venezuela.

Essas concessões mostram que, apesar do discurso duro contra o regime, o petróleo continua sendo um canal de negociação silencioso entre os dois países.

No entanto, apesar do interesse, especialistas alertam que retomar a produção venezuelana em larga escala não é simples. A infraestrutura está deteriorada e exigiria investimentos bilionários e anos de reconstrução.

Ou seja, o petróleo venezuelano não resolve crises energéticas no curto prazo, mas representa uma aposta estratégica de longo prazo.

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